O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, repudiou nesta quarta-feira, 08/07/2026, a conduta do deputado estadual Leandro de Jesus, do PL, filmado arrancando uma placa de inauguração da pavimentação da BA-649, trecho rodoviário que liga Itabuna a Ilhéus, no sul do estado. O episódio, registrado em vídeo e amplamente divulgado nas redes sociais, provocou reação institucional do governo estadual, abriu debate sobre limites do protesto político, preservação do patrimônio público e decoro parlamentar, e acrescentou tensão à disputa em torno da entrega da obra, apresentada pelo Governo da Bahia como etapa estratégica para a mobilidade regional.
Felipe Freitas afirmou que a retirada da placa não pode ser tratada como manifestação parlamentar regular. Para o secretário, o ato extrapolou os limites da crítica política e ingressou no campo da destruição de bem público.
“Ao invés de comportar-se como um parlamentar no uso de suas atribuições, o sr. Leandro de Jesus opta por comportar-se levianamente, praticando crime de dano ao patrimônio público e quebrando todos os limites do decoro parlamentar”, declarou Freitas.
O secretário também vinculou o episódio à defesa das práticas democráticas. Segundo ele, divergências sobre obras públicas, prazos, inaugurações ou execução administrativa devem ser encaminhadas pelos instrumentos institucionais adequados, e não por meio de gestos de força ou destruição simbólica.
“Na democracia, não podemos admitir que a violência e a brutalidade tomem o lugar do diálogo e do debate público”, reforçou o gestor.
Deputado alegou obra incompleta e “inauguração fake”
A controvérsia começou após Leandro de Jesus divulgar vídeo no local da obra. De acordo com registros publicados pela imprensa baiana, o parlamentar afirmou que a inauguração realizada em 03/07/2026 teria induzido a população ao erro, sob o argumento de que parte da estrutura viária ainda não estaria integralmente conectada à pista.
Segundo reportagem, o deputado classificou a cerimônia como “inauguração fake” e afirmou que um viaduto permaneceria sem ligação operacional com a rodovia. No vídeo, ele aparece retirando a placa instalada pelo Governo da Bahia e sustenta que a intervenção ainda não estaria completamente disponível ao tráfego.
A versão do parlamentar, contudo, não elimina a necessidade de apuração sobre a legalidade do ato. Críticas a obras públicas integram o exercício fiscalizatório do mandato, mas a destruição ou remoção de material oficial instalado em área pública pode produzir consequências administrativas, civis ou criminais, a depender da avaliação das autoridades competentes.
Governo diz que obra da BA-649 foi planejada em etapas
A BA-649, também chamada de Rodovia Gabriela, é uma ligação viária entre Itabuna e Ilhéus. Reportagem anterior do Jornal Grande Bahia registrou que a obra tem cerca de 18 quilômetros e foi concebida para reduzir o tempo de deslocamento entre os municípios, com impacto sobre mobilidade, turismo, agricultura, logística e acesso regional a serviços públicos.
Em conteúdo publicado pelo Jornal Grande Bahia em 04/07/2026, a entrega da primeira etapa da BA-649 foi contextualizada como parte de uma agenda de infraestrutura do governador Jerônimo Rodrigues, com participação do senador Jaques Wagner e de outras lideranças políticas. A matéria informou que a primeira etapa liberou ao tráfego 18 quilômetros de uma nova ligação entre Ilhéus e Itabuna, considerada estratégica para trabalhadores, estudantes, turistas, cargas e serviços no sul da Bahia.
Após a polêmica, a Secretaria de Infraestrutura da Bahia informou, em nota reproduzida pela imprensa, que o sistema viário da BA-649 será entregue em duas etapas. Segundo a pasta, a primeira fase incluiu a implantação dos 18 quilômetros da rodovia, as pontes 1 e 4, a duplicação de 2,3 quilômetros do acesso a Itabuna pela BA-963 e a implantação de trecho de 5,1 quilômetros na margem do Rio Cachoeira. A segunda etapa, ainda conforme a Seinfra, envolve as pontes 2 e 3 e o viaduto, com previsão de conclusão posterior.
ALBA e Justiça são citadas como instâncias para apuração
Felipe Freitas afirmou esperar que a Justiça e a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) adotem as medidas cabíveis para investigar o episódio. O secretário defendeu que atos dessa natureza sejam examinados com rigor, a fim de impedir que condutas semelhantes se repitam no estado.









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