O senador Jaques Wagner (PT-BA) repudiou, nesta sexta-feira, 10/07/2026, durante entrevista à Rádio Band FM de Vitória da Conquista, a atitude do deputado estadual Leandro de Jesus (PL-BA), que retirou a placa de inauguração da primeira etapa da BA-649, denominada Rodovia Gabriela, entre Itabuna e Ilhéus. Wagner classificou o parlamentar como “valentão”, defendeu o debate político sem violência e atribuiu ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro parte dos entraves financeiros enfrentados pela obra.
Durante a entrevista, Jaques Wagner afirmou que divergências sobre obras públicas e decisões administrativas devem ser tratadas por meio da fiscalização parlamentar e do debate de ideias. Para o senador, a retirada da placa ultrapassou os limites da contestação política e contribuiu para ampliar a hostilidade no ambiente público.
“Parem de depredar a política, ela não é lugar de ódio”, declarou Wagner. Em seguida, dirigiu críticas pessoais ao deputado estadual: “Mas, como o senhor deputado não tem nada na cabeça, vai lá, acha que é valentão e quebra tudo”.
O episódio ocorreu após Leandro de Jesus divulgar um vídeo no qual aparece retirando a placa instalada na BA-649. O parlamentar sustentou que a intervenção havia sido inaugurada antes da conclusão integral do sistema viário e classificou a cerimônia realizada pelo Governo da Bahia como uma “inauguração fake”.
Deputado questionou conclusão integral da rodovia
No vídeo publicado nas redes sociais, Leandro de Jesus afirmou que um dos viadutos ainda não estava conectado à pista e que a placa poderia levar os motoristas a acreditar que todo o complexo viário já se encontrava concluído. O parlamentar disse ter retirado o objeto como forma de protesto contra o que considerou uma divulgação enganosa da obra.
A Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra) contestou essa interpretação e informou que o Sistema Viário da BA-649 foi planejado para ser entregue em duas etapas. Segundo a pasta, a primeira fase compreende 18 quilômetros da Rodovia Gabriela, as pontes Dona Flor e Jubiabá e trechos de duplicação e implantação viária nas margens do Rio Cachoeira. Os segmentos concluídos foram liberados ao tráfego.
A segunda etapa contempla as pontes intermediárias 2 e 3 e um viaduto sobre a BR-415. A Seinfra sustenta que essa estrutura não integrava o projeto original apresentado ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e foi posteriormente incluída para ampliar a eficiência do sistema. As informações sobre as fases do empreendimento foram detalhadas em reportagem do Jornal Grande Bahia sobre a ocorrência registrada pela Seinfra.
Wagner atribui entraves ao governo Bolsonaro
Ao comentar a manifestação do deputado, Jaques Wagner afirmou que Leandro de Jesus desconheceria a trajetória administrativa e financeira da BA-649. Segundo o senador, o convênio inicial para a execução da rodovia foi firmado durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, mas os recursos federais teriam sido posteriormente retirados pela gestão de Jair Bolsonaro.
Wagner declarou que a decisão teria relação com a disputa política entre o governo federal e a administração baiana, então comandada por Rui Costa (PT). De acordo com o senador, além da interrupção dos repasses, o Estado da Bahia teria sido obrigado a devolver R$ 12 milhões à União.
“Só porque o governador da Bahia se chamava, na época, Rui Costa, do PT, o ex-presidente, que não colocou um prego na Bahia, não apenas retirou o dinheiro, como ainda nos fez devolver R$ 12 milhões”, afirmou.
Senador cobra pedido de desculpas
Wagner também afirmou que o deputado deveria reconhecer a importância da rodovia para a população regional e apresentar desculpas aos moradores dos dois municípios diretamente atendidos pela intervenção.
“O deputado precisa tomar vergonha na cara e parar de ‘mimimi’. O senhor deveria pedir desculpas ao povo de Itabuna, de Ilhéus e da Bahia, porque o seu presidente foi quem empacou a obra e proibiu que ela fosse feita”, declarou.
A primeira etapa da BA-649 foi entregue pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) em 03/07/2026. A nova ligação foi apresentada pelo Executivo estadual como alternativa de mobilidade entre Ilhéus e Itabuna, dois dos principais centros urbanos e econômicos do sul da Bahia. A via atende ao deslocamento de trabalhadores, estudantes, turistas, veículos de carga e usuários de serviços públicos. A trajetória da intervenção foi abordada pelo JGB na reportagem sobre a entrega da Rodovia Gabriela e os entraves atribuídos ao governo federal anterior.
Seinfra registrou ocorrência policial
Após a retirada da placa, representantes da Seinfra e da empresa SVC Construções, responsável pelas obras, registraram um boletim de ocorrência na Delegacia Territorial de Itabuna. A secretaria classificou o caso como furto de bem vinculado à obra pública e atribuiu a retirada ao parlamentar e ao empresário Francisco França.
As circunstâncias relatadas pelo órgão estadual, o eventual dano ao patrimônio e qualquer responsabilidade administrativa, civil ou criminal ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes. A existência do registro policial não representa conclusão antecipada sobre crime ou culpabilidade.
Caso de Marielle Franco foi mencionado durante entrevista
Durante o programa, também foi lembrado o episódio envolvendo placas com o nome da vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro em março de 2018. Em setembro daquele ano, dois então candidatos a deputado quebraram uma placa de rua criada em homenagem à parlamentar durante uma manifestação política na capital fluminense.
A referência foi apresentada no contexto de uma crítica à transformação da destruição de símbolos públicos em instrumento de mobilização política. Embora os episódios possuam circunstâncias distintas, a menção procurou estabelecer uma relação entre gestos de força, exposição nas redes sociais e radicalização do debate.
Wagner encerrou sua manifestação afirmando que integrantes da oposição recorrem a ataques e depredações quando não dispõem, na avaliação dele, de propostas ou serviços para apresentar.
“Quem não tem nada para oferecer, não tem serviço prestado nem uma boa ideia para apresentar ao Brasil, fica xingando e depredando. É um grupo de depredadores”, concluiu.








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