Deputado Rosemberg defende Rodovia BA-649 após retirada de placa por Leandro de Jesus e destaca obra de R$ 410 milhões no Sul da Bahia

O deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), líder do Governo Jerônimo Rodrigues na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), afirmou nesta terça-feira, 14/07/2026, que a retirada da placa de inauguração da primeira etapa do Sistema Viário da BA-649, atribuída ao deputado estadual Leandro de Jesus (PL), não reduz a importância da intervenção para a mobilidade, a economia e a integração entre Ilhéus e Itabuna, no Sul da Bahia. Orçada em aproximadamente R$ 410 milhões, a obra compreende 18 quilômetros da Rodovia Gabriela, pontes, duplicações e acessos urbanos, enquanto o episódio envolvendo a placa passou a ser analisado pela Polícia Civil, pela Procuradoria-Geral do Estado e pelo Conselho de Ética da Alba.

“Podem arrancar uma placa, mas não conseguem arrancar do mapa uma obra dessa grandeza nem apagar o futuro que ela abre para o Sul da Bahia.”

A declaração foi apresentada por Rosemberg ao comentar o vídeo divulgado por Leandro de Jesus nas redes sociais. Nas imagens, o parlamentar da oposição aparece retirando uma placa relacionada à entrega da primeira etapa da BA-649, realizada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) em 03/07/2026.

A ação ampliou a disputa política em torno da rodovia. Representantes do Governo da Bahia classificaram a retirada como uma intervenção indevida sobre um bem vinculado à obra pública. Leandro, por sua vez, sustentou que o protesto buscava denunciar o que chamou de inauguração de um sistema viário ainda não integralmente concluído.

Primeira etapa da BA-649 foi liberada ao tráfego

A primeira etapa do Sistema Viário da BA-649 compreende aproximadamente 18 quilômetros de uma nova ligação entre Itabuna e Ilhéus. O trecho, denominado Rodovia Gabriela, foi concebido como alternativa à BR-415, corredor que historicamente concentra grande parte do tráfego entre os dois principais centros urbanos do Sul da Bahia.

A intervenção inclui as pontes Dona Flor e Jubiabá, além de acessos e trechos duplicados nas margens do Rio Cachoeira. Segundo as informações divulgadas pela Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra), as estruturas concluídas foram liberadas ao tráfego e já estão sendo utilizadas pelos motoristas.

Também integram a etapa entregue a duplicação de 2,3 quilômetros entre a Avenida Juracy Magalhães e a Ponte Dona Flor, na margem esquerda do Rio Cachoeira, e a duplicação de 5,1 quilômetros entre a ponte e as imediações da Câmara Municipal de Itabuna, na margem direita.

O investimento total informado para o conjunto de intervenções é de aproximadamente R$ 410 milhões. O projeto abrange, além da nova rodovia, quatro pontes, duplicações urbanas, acessos viários e outras estruturas destinadas a reorganizar a circulação regional.

Rosemberg associa rodovia ao desenvolvimento regional

Para Rosemberg Pinto, a relevância da BA-649 ultrapassa a implantação física de uma estrada. O parlamentar considera que a intervenção poderá modificar a dinâmica de deslocamento entre Ilhéus e Itabuna, municípios que já mantêm relações integradas nos setores de comércio, serviços, saúde, educação, turismo e logística.

O deputado argumenta que a existência de dois corredores viários poderá reduzir a dependência histórica da BR-415, distribuir melhor o fluxo de veículos e aumentar a previsibilidade do transporte de passageiros e cargas.

A nova ligação atende a uma região marcada pelo deslocamento diário de trabalhadores, estudantes, pacientes, turistas, prestadores de serviços e veículos responsáveis pelo abastecimento das duas cidades. Ilhéus e Itabuna formam um dos principais eixos urbanos e econômicos do interior baiano.

“Essa obra revela uma visão de futuro que não nasceu de uma decisão improvisada nem da preocupação com a próxima eleição. É resultado de um projeto político que pensa a Bahia no longo prazo, atravessa governos e encontra agora, na liderança do governador Jerônimo Rodrigues, a capacidade de sair do papel e se transformar em estrada, pontes, mobilidade, emprego e desenvolvimento”, afirmou Rosemberg.

A avaliação do líder governista insere a BA-649 em uma estratégia estadual de expansão da infraestrutura e da integração territorial. Em sua manifestação, ele relacionou a rodovia a outros investimentos do Governo da Bahia em mobilidade, saúde, educação e logística.

Parlamentar cita Ponte Salvador-Itaparica e investimentos sociais

Entre as intervenções mencionadas por Rosemberg está o Sistema Rodoviário Ponte Salvador-Itaparica, empreendimento apresentado pelo Governo do Estado como uma das principais obras de infraestrutura em desenvolvimento na Bahia.

O deputado também citou a ampliação da rede hospitalar, os investimentos em corredores de mobilidade e a implantação de escolas de tempo integral nas diferentes regiões do território baiano.

“Não são obras soltas. Quando se constrói uma estrada como a BA-649, uma ponte como a Salvador-Itaparica, um hospital regional ou uma escola de tempo integral, está sendo construída uma nova infraestrutura econômica e social para a Bahia.”

Segundo Rosemberg, investimentos articulados em transporte, saúde e educação podem ampliar a capacidade de atração de empresas, reduzir distâncias, melhorar a qualificação profissional e criar oportunidades econômicas fora dos grandes centros metropolitanos.

A declaração representa a posição política do líder governista sobre o modelo de desenvolvimento adotado pelo Executivo estadual. Os resultados econômicos e sociais projetados dependerão, contudo, da conclusão integral das intervenções, da manutenção da infraestrutura e da articulação da rodovia com os acessos urbanos e federais existentes.

Obra atravessou governos e enfrentou impasses

A implantação da BA-649 passou por diferentes fases administrativas e atravessou mais de um governo estadual. A primeira etapa foi entregue em julho de 2026 sob a gestão de Jerônimo Rodrigues, após um período prolongado de obras e alterações no projeto.

Aliados do Governo da Bahia afirmam que o empreendimento enfrentou dificuldades relacionadas ao financiamento e à cooperação com o Governo Federal durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador Jaques Wagner declarou que recursos inicialmente vinculados ao projeto foram interrompidos e que o Estado precisou devolver R$ 12 milhões à União. A afirmação integra a versão política apresentada pelo senador sobre o histórico financeiro do empreendimento.

Rosemberg sustenta que a continuidade da intervenção demonstra a importância de políticas públicas planejadas para ultrapassar mandatos e disputas eleitorais.

“A BA-649 não pertence a um governador, a um partido ou a uma administração. Ela é do povo baiano. A nossa responsabilidade foi ter a visão, tomar as decisões e trabalhar para que ela se tornasse realidade. Governos passam; a estrada, as pontes e os benefícios ficam.”

O argumento destaca a natureza pública do investimento, financiado com recursos estatais e destinado ao uso coletivo. A efetividade dessa concepção dependerá da conclusão das etapas restantes, da transparência na aplicação dos recursos e da capacidade do sistema de produzir os benefícios anunciados.

Leandro de Jesus questionou entrega antes da conclusão integral

Ao divulgar o vídeo da retirada da placa, Leandro de Jesus afirmou que o Sistema Viário da BA-649 teria sido inaugurado antes da conclusão de todas as estruturas previstas. O deputado classificou a cerimônia promovida pelo Governo da Bahia como uma “inauguração fake”.

O parlamentar mencionou especialmente um viaduto que, segundo ele, ainda não estaria conectado ao conjunto viário. Em sua versão, a placa poderia induzir os usuários a acreditar que todo o complexo já estava finalizado.

A Seinfra contestou essa interpretação e informou que a entrega realizada em 3 de julho se referia expressamente à primeira etapa do empreendimento. A secretaria declarou que os trechos concluídos estavam aptos ao tráfego e que a implantação do sistema foi dividida em fases.

O questionamento sobre a conclusão integral da obra constitui tema legítimo de fiscalização parlamentar. A controvérsia institucional passou a envolver, entretanto, o método utilizado no protesto, uma vez que a placa foi fisicamente retirada do local e o ato foi registrado e difundido pelo próprio deputado nas redes sociais.

Segunda etapa prevê duas pontes e viaduto sobre a BR-415

A segunda etapa do Sistema Viário da BA-649 prevê a construção das pontes intermediárias identificadas como 02 e 03, além de um viaduto sobre a BR-415.

De acordo com a Seinfra, o viaduto não integrava o projeto original apresentado ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). A estrutura teria sido posteriormente incluída para melhorar a operação e a integração do sistema viário.

A conclusão dessa fase deverá permitir a implantação definitiva do modelo concebido para distribuir a circulação entre a BA-649 e a BR-415. A expectativa é que os dois corredores reduzam a concentração de veículos em uma única via e melhorem os deslocamentos regionais.

O desempenho efetivo do novo sistema, entretanto, deverá ser avaliado com base em indicadores objetivos, como tempo médio de viagem, volume de tráfego, redução de congestionamentos, segurança viária e impacto sobre os acessos urbanos de Ilhéus e Itabuna.

Seinfra registrou boletim de ocorrência em Itabuna

Após a retirada da placa, representantes da Seinfra e da empresa SVC Construções, responsável pela execução das obras, registraram um boletim de ocorrência na Delegacia Territorial de Itabuna.

A secretaria apresentou o episódio à Polícia Civil como possível furto de um bem instalado em área vinculada à obra pública. No relato encaminhado à autoridade policial, a ação foi atribuída a Leandro de Jesus e ao empresário Francisco França.

As informações sobre as circunstâncias do episódio, incluindo alegações de entrada em área interditada e intimidação de trabalhadores ou vigilantes, constituem a versão apresentada pela Seinfra no registro policial. Caberá à investigação verificar a materialidade, a dinâmica dos acontecimentos e a eventual responsabilidade individual dos envolvidos.

A existência do boletim de ocorrência não representa condenação nem comprovação definitiva de crime. Qualquer responsabilização criminal depende da apuração conduzida pela Polícia Civil, da análise do Ministério Público e, eventualmente, de decisão do Poder Judiciário, com respeito ao contraditório e à ampla defesa.

Caso foi encaminhado à PGE e ao Conselho de Ética

Rosemberg Pinto também encaminhou o episódio à Procuradoria-Geral do Estado da Bahia (PGE) e ao Conselho de Ética da Assembleia Legislativa.

A PGE poderá examinar eventuais consequências administrativas, patrimoniais ou judiciais relacionadas ao bem removido. O Conselho de Ética, por sua vez, deverá avaliar se a conduta atribuída ao parlamentar apresenta alguma incompatibilidade com as normas de decoro da Casa.

O encaminhamento aos órgãos competentes não antecipa qualquer julgamento. A análise deverá considerar a natureza do objeto, a titularidade do bem, a existência de dano material, a motivação alegada pelo parlamentar e as normas aplicáveis à atuação de deputados estaduais.

“Fiscalizar é obrigação de qualquer parlamentar. Destruir ou retirar patrimônio público para produzir vídeo em rede social é outra coisa”, declarou Rosemberg.

O líder governista afirmou ainda que a população do Sul da Bahia esperou durante décadas por uma alternativa à BR-415 e classificou a retirada da placa como uma tentativa de transformar uma obra de infraestrutura em instrumento de confronto político.

A expressão “vandalismo”, utilizada por Rosemberg e por outros integrantes do Governo da Bahia, representa uma avaliação política dos autores das críticas. A caracterização jurídica do episódio dependerá exclusivamente das instituições responsáveis pela apuração.

Imagem aérea de trecho da Rodovia BA-649.
Imagem aérea de trecho da Rodovia BA-649.

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