Professor Antonio Magalhães Ribeiro endossa críticas à UEFS; Instituição possui um servidor para cada cinco alunos

Em nota encaminhada nesta quarta-feira (01/06/2022) ao Jornal Grande Bahia (JGB), o professor doutor Antonio Silva Magalhães Ribeiro endossou a análise crítica apresentada pelo veículo de imprensa na matéria ‘25 mil alunos se formaram pela UEFS em 46 anos; Média anual é de pouco mais de 500 estudantes e custo é estimado em R$ 470 mil por formando’, nos seguintes termos: 

— Sr. editor,

— Inicialmente, quero parabenizá-lo pela matéria em referência. Os problemas de gestão vivenciados na UEFS são por demais recorrentes e graves para permanecerem sem o necessário conhecimento por parte da sociedade.

— Quando contestados, internamente, o grupo que domina a Universidade, há aproximadamente 15 anos, reage de forma a intimidar os que se opõem às práticas que colidem com o princípio da eficiência previsto no artigo 37 da Constituição, além de outras disfunções ali praticadas.

— Tenho 30 anos de docência nesta instituição, nas áreas de administração e finanças, e já tive oportunidade de manifestar, através de artigos na imprensa, sobre esta questão, particularmente através do jornal A Tarde, do qual sou colaborador articulista, há 30 anos.

Antonio S. Magalhães Ribeiro possui Graduação em Administração de Empresas pela Universidade Católica do Salvador, especialização em Finanças Públicas pela Universidade Católica do Salvador, Mestrado em Administração pela Universidade Federal da Bahia e Doutorando em Sociologia Económica e das Organizações pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa (ISEG). Ele é administrador na Secretaria do Planejamento do Estado da Bahia e professor assistente na UEFS.


Professor Antônio Magalhães Ribeiro requisitou, por meio de nota envida via WhatsApp, às 17 horas desta quinta-feira (02/06), que fosse feito o seguinte esclarecimento:

— Sr. Carlos Augusto,

— Tendo em vista que a matéria publicada, nesta data, sobre a UEFS, gerou interpretações equivocadas a meu respeito, até porque foi publicado meu currículo junto à mesma, sem que eu tivesse conhecimento dessa iniciativa, solicito que V. S. deixasse bem claro, no mesmo espaço, que eu não tive qualquer participação na matéria publicada no dia 01/06/22, a qual discorreu sobre servidores, etc. daquela instituição.

— Esse esclarecimento é de suma importância para resgatar a verdade dos fatos e evitar desconfortos e avaliações indevidas a meu respeito. E que, fora disto, o nosso diálogo se deu em caráter privado.

— Confiante no pronto atendimento à presente, atenciosamente,

— Antônio S M Ribeiro

O Jornal Grande Bahia (JGB) esclarece que com relação a matéria ‘25 mil alunos se formaram pela UEFS em 46 anos; Média anual é de pouco mais de 500 estudantes e custo é estimado em R$ 470 mil por formando’, publicada em terça-feira (01/06/2022), o professor Antônio Magalhães Ribeiro não teve qualquer participação na elaboração da mesma.


Números apontam falhas da UEFS

Com cerca de 10 mil estudantes matriculados e com quadro de 2 mil servidores, a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), apresenta a relação de 5 estudantes para cada servidor contratado. 

Para além disso, ao longo dos 46 anos, vestibulares foram anulados por conta das greves e paralisações de servidores e, até, anos letivos foram cancelados, como forma de regular o calendário de atividades da instituição que foi severamente afetada pelas paralisações, fato que reduziu o número de estudantes que poderiam ter ingressado na universidade ao longo dos anos.

Com estabilidade no emprego, os servidores da UEFS deixam de cumprir as atividades em diferentes momentos, desta forma, seguranças, corpo técnico e professores, em distintos momentos, não cumprem o dever pelo trabalho pago pela sociedade e o resultado disto é a perda da qualidade do ensino.

Em síntese, existe uma relação direta entre ensino regular e execução do planejamento anual, que é afetada pelas recorrentes interrupções das aulas. 

Estudo do Banco Mundial revela ineficiência do Estado Brasileiro 

A UEFS não é a única a falhar com a missão institucional. No relatório ‘Um Ajuste Justo: análise da eficiência e equidade do gasto público no Brasil’, o Banco Mundial  informa que:

— A massa salarial do funcionalismo público pode ser reduzida significativamente. Embora o funcionalismo público brasileiro não seja grande para padrões internacionais, o nível dos salários dos servidores públicos federais é, em média, 67% superior aos do setor privado, mesmo após levar em consideração o nível de educação e outras características dos trabalhadores como idade e experiência. Este prêmio salarial do setor público é atípico em relação a padrões internacionais. A remuneração dos servidores estaduais também é muito alta e, na média, é mais de 30% superior àquela oferecida a trabalhadores equivalentes no setor privado. Em termos relativos, o hiato salarial aparenta ser particularmente amplo nos poderes Judiciário e Legislativo, bem como nas ocupações de menor qualificação do Executivo.

Em síntese, o Estado Brasileiro paga elevados salários a um número reduzido de servidores, que retribuem com a baixa qualidade e produtividade no desempenho das funções. Este cenário é observado nos indicadores de desempenho das funções públicas exercidas no país e no cotidiano do cidadão que, atônito, verifica a forma desrespeitosa com a qual é tratado nas distintas instituições de Estado. Em um quadro de anomia estatal severa. 

Reveja análise crítica com relação a UEFS e o serviço público do Brasil 

Os dados objetivos demonstram que a patrimonialização do setor público por servidores promove o atraso econômico, social e político do Brasil. 

Mesmo com remuneração de 5 a 20 vezes o que é pago para a mesma função no setor privado do país, os servidores apresentam baixo desempenho e qualidade insatisfatória na prestação de serviços à população. Esse dado consta em relatório do Banco Mundial, que aferiu os gastos públicos com servidores, quantificando o Brasil como um dos que pagam os mais elevados salários do mundo aos funcionários públicos e um dos que menos emprega. 

Certamente, a UEFS tem o que comemorar, afinal, a trajetória de uma instituição não pode ser apenas medida pelo fracasso. Mas, observa-se que o alto custo financeiro pago pela sociedade não representou a formação de número substantivo de alunos, haja vista que ao dividir 25 mil alunos graduados nos 46 anos de atuação da UEFS, o resultado é de cerca de 550 alunos formados por ano, ao custo anual de cerca de R$ 260 milhões (Orçamento Anual da UEFS). 

Em síntese, sem atualizações financeiras e projeção de mudança quantitativa ano a ano do número de alunos, mas levando em consideração o custo por aluno formado na média dos 46 anos, pode-se inferir que que cada um custou R$ 470 mil do orçamento destinado à UEFS, em valores atuais.

Dados sobre educação superior no Brasil 

O Censo da Educação Superior 2019, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e divulgado em 23 de outubro de 2020, apresenta a seguinte síntese:

  • A cada quatro estudantes de graduação no Brasil, três frequentam estabelecimentos privados; 
  • Existem no país 2.608 instituições de educação superior. Dessas, 2.306 são privadas e 302 públicas;
  • Do total de matrículas na educação superior (8.604.526), a maior parte, 6.524.108, está na rede privada.
  • Em 2019, a matrícula, na rede pública, cresceu 0,1% e, na rede privada, 2,4;
  • Em 2019, das 16.425.302 vagas ofertadas no nível superior, 10.395.600, foram na modalidade a distância;
  • Em 2019, quase metade dos alunos matriculados na rede privada (45,6%) conta com algum tipo de financiamento ou bolsa, como o Programa Universidade Para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies); 
  • A pesquisa também aponta que, das 2.608 instituições de educação superior no Brasil, 2.076 são faculdades, 294 centros universitários, 198 universidades e 40 Institutos Federais de Educação e Centros Federais de Educação Tecnológica; 
  • Em 2019, do total de alunos matriculados em cursos presenciais, a maior parte, 57,6%, estudava à noite; 
  • O Brasil conta com 17.539 estudantes estrangeiros em cursos de graduação que são de 177 diferentes nacionalidades; 
  • Em relação aos professores, são 386.073 que atuam na educação superior no Brasil. Desses, 37,5% possuem mestrado e 45,9%, doutorado; e
  • Em 2019, os cursos de bacharelado concentraram a maioria dos ingressantes da educação superior (66%), seguidos pelos de licenciatura (19,7%, equivalente a 1,7 milhão) e tecnológico (14,3%), que são os cursos de curta duração que oferecem o grau superior tecnólogo.

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