O que é o Novo Programa de Aceleração do Crescimento lançado pelo presidente Lula; Novo PAC prevê investimento de R$ 1,7 trilhão até 2026

O Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) é uma iniciativa do Governo Lula que objetiva aumentar os investimentos públicos e privados em infraestrutura, desenvolvimento social e sustentabilidade no Brasil. Ele foi lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (11/08/2023), no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. O programa é coordenado por Rui Costa, pelo ministro da Casa Civil e prevê, até 2026, investimento total de R$ 1,7 trilhão, sendo que, destes, R$ 119,4 bilhões serão investidos na Bahia.

O programa foi desenvolvido para ocorrer por meio de parceria entre o governo federal, estados, municípios, movimentos sociais e setor privado. Dentre os investimentos previstos existem recursos do Orçamento Geral da União (OGU) que somam R$ 371 bilhões; empresas estatais, R$ 343 bilhões; financiamentos, R$ 362 bilhões; e setor privado, R$ 612 bilhões. 

Para criação do programa foram assinados pelo presidente Lula três decretos, eles instituem:

  • O Novo PAC,
  •  A comissão interministerial de inovações e aquisições do PAC, e
  • A comissão interministerial de qualificação profissional, emprego, e inclusão socioeconômica do PAC.

Metas do Novo PAC

Estão entre principais metas do programa a geração de emprego e renda, redução das desigualdades sociais e regionais em um esforço comum e comprometido com:

  • crescimento com inclusão social,
  • neoindustrialização,
  • sustentabilidade ambiental, e
  • transição ecológica.

Medidas Institucionais e Eixos de Investimento

O Novo PAC está organizado em Medidas Institucionais, subdivididas em 5 grupos, que conta com 10 Eixos de Investimento. 

As Medidas Institucionais formam conjunto articulado de atos normativos de gestão e de planejamento que contribuem para a expansão sustentada de investimentos públicos e privados no Brasil. São cinco grandes grupos, divididos em: 

  1. Alinhamento ao Plano de Transição Ecológica
  2. Aperfeiçoamento do Ambiente Regulatório e do Licenciamento Ambiental
  3. Aprimoramento dos Mecanismos de Concessão e PPPs
  4. Expansão do Crédito e Incentivos Econômicos
  5. Planejamento, Gestão e Compras Públicas

Os 10 Eixos de Investimento abrangem as seguintes áreas

  1. Água para Todos,
  2. Cidades Sustentáveis e Resilientes,
  3. Defesa e Segurança Nacional,
  4. Educação para o Futuro,
  5. Governança e Gestão,
  6. Inclusão Digital e Conectividade,
  7. Infraestrutura Social e Inclusiva,
  8. Saúde para Todos,
  9. Transição e Segurança Energética, e
  10. Transporte Eficiente e Sustentável.

Os 10 Eixos de Investimento apresentam os seguintes conceitos e objetivos:

  1. Água para Todos: busca garantir o acesso universal à água potável e ao esgotamento sanitário, além de promover a segurança hídrica, a revitalização de bacias hidrográficas e a irrigação agrícola.
  2. Cidades Sustentáveis e Resilientes: visa melhorar a qualidade de vida nas áreas urbanas, com ações de mobilidade, saneamento, habitação, iluminação pública, gestão de resíduos e adaptação às mudanças climáticas.
  3. Defesa: envolve projetos estratégicos das Forças Armadas, como o submarino nuclear, o caça Gripen, o satélite geoestacionário, o sistema integrado de monitoramento de fronteiras e a base de lançamento de foguetes de Alcântara.
  4. Desenvolvimento Regional: abrange iniciativas voltadas para reduzir as desigualdades regionais e promover o desenvolvimento sustentável das diferentes regiões do país, como o semiárido nordestino, a Amazônia Legal e o Centro-Oeste.
  5. Governança e Gestão: engloba medidas para melhorar a eficiência, a transparência e a participação social na execução do programa, como o uso de plataformas digitais, o controle social e a simplificação administrativa.
  6. Inclusão digital e conectividade: tem como objetivo ampliar a cobertura e a velocidade da internet banda larga no país, especialmente nas áreas rurais e remotas, bem como fomentar a inovação tecnológica e a transformação digital dos serviços públicos.
  7. Infraestrutura social: contempla investimentos em saúde, educação, cultura, esporte, turismo e assistência social, com o propósito de ampliar o acesso e a qualidade dos serviços públicos nessas áreas.
  8. Saúde para Todos: compromisso com a saúde através da construção de novas unidades básicas, políclínicas e maternidades, bem como o reforço no fornecimento de vacinas e hemoderivados. A introdução da telessaúde visa aprimorar o acesso a cuidados de saúde em todos os níveis, tornando o sistema mais eficiente e acessível.
  9. Transição e Segurança Energética: pretende diversificar e expandir a matriz energética brasileira, com ênfase nas fontes renováveis e de baixa emissão de carbono, além de reforçar a infraestrutura de transmissão e distribuição de energia elétrica.
  10. Transporte Eficiente e Sustentável: prevê a ampliação e modernização da malha rodoviária, ferroviária, hidroviária, portuária e aeroportuária do país, com foco na integração regional e na redução dos custos logísticos.

1ª Fase, seleção de projetos

A seleção de projetos prioritários nos estados e municípios para serem executadas na primeira fase do Novo PAC conta com R$ 136 bilhões, a serem licitados em setembro de 2023 e ocorrem nas seguintes áreas:

  • cidades (urbanização de favelas, abastecimento de água, esgotamento sanitário, resíduos sólidos, mobilidade urbana e prevenção a desastres naturais),
  • cultura (CEUs da cultura e projetos de patrimônio histórico),
  • educação (creches, escolas e ônibus escolares),
  • esporte (espaços esportivos comunitários), e
  • saúde (UBSs, policlínicas e maternidades).

Geração de emprego e renda, desenvolvimento da economia e projeção política

O Governo Lula afirma que o programa pode gerar até 4,5 milhões de empregos diretos e indiretos e que terá como prioridade fazer investimentos por meio de parcerias público-privadas. O governo também diz que o PAC será sustentável do ponto de vista ambiental e que será criterioso nas análises de licenciamento ambiental1.

O Novo PAC é considerado uma das principais iniciativas do Governo Lula para impulsionar o crescimento econômico do país, que enfrenta uma crise sanitária, social e fiscal agravada pela pandemia da Covid-19.

O programa também é visto como uma forma de fortalecer a imagem do presidente Lula perante a população e os investidores, além de consolidar a liderança política no cenário nacional e internacional.

Críticas

No entanto, o Novo PAC também enfrenta críticas e desafios, como a falta de recursos orçamentários, a burocracia, as resistências políticas, os entraves jurídicos, as suspeitas de corrupção e os impactos ambientais negativos. Além disso, o programa depende da aprovação do Congresso Nacional e da adesão dos estados e municípios para sua implementação efetiva.

Reedição

O Novo PAC é uma reedição do Programa de Aceleração do Crescimento que marcou o segundo mandato de Lula, entre 2007 e 2010, foi mantido no Governo de Dilma Rousseff e descontinuado pelos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Histórico do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)

Em 28 de janeiro de 2007, durante o Segundo Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi lançado o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O objetivo principal do PAC era promover investimentos em infraestrutura e desenvolvimento econômico em todo o país. O programa envolvia projetos nas áreas de transporte, energia, saneamento básico, habitação, recursos hídricos, entre outras.

O PAC buscava impulsionar o crescimento econômico e a redução das desigualdades regionais por meio de investimentos em obras de grande porte e de impacto nacional. Os projetos eram selecionados de acordo com critérios de relevância, urgência e viabilidade técnica e financeira.

O programa foi dividido em diferentes modalidades, como o PAC Infraestrutura, que abrangia obras de transportes, energia, saneamento básico e recursos hídricos; o PAC Cidades, voltado para a melhoria da infraestrutura urbana e ações de urbanização; e o PAC Social, que visava investir em programas sociais e de inclusão produtiva.

O PAC teve um papel importante no aumento dos investimentos públicos e no impulsionamento da economia brasileira durante seu período de vigência. No entanto, ao longo do tempo, o programa enfrentou desafios relacionados à execução e conclusão de alguns projetos, além de questões orçamentárias e de governança.


Síntese sobre o Novo PAC

O Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) objetiva incrementar investimento, garantir infraestrutura econômica, social e urbana, melhorar a competitividade do país e gerar emprego e renda para todos os brasileiros. Para criação do programa, 3 decretos foram assinados. Eles instituem:

  • O Novo PAC,
  •  A comissão interministerial de inovações e aquisições do PAC, e
  • A comissão interministerial de qualificação profissional, emprego, e inclusão socioeconômica do PAC.

Estão entre principais metas do programa a geração de emprego e renda, redução das desigualdades sociais e regionais em um esforço comum e comprometido com:

  • crescimento com inclusão social,
  • neoindustrialização,
  • sustentabilidade ambiental, e
  • transição ecológica.

O programa organizado em Medidas Institucionais, subdivididas em 5 grupos, que conta com 9 Eixos de Investimento.

Os 5 grandes grupos Medidas Institucionais são:

  1. Alinhamento ao Plano de Transição Ecológica
  2. Aperfeiçoamento do Ambiente Regulatório e do Licenciamento Ambiental
  3. Aprimoramento dos Mecanismos de Concessão e PPPs
  4. Expansão do Crédito e Incentivos Econômicos
  5. Planejamento, Gestão e Compras Públicas

A estimativa é que ocorra, entre 2024 e 2026, R$ 1,7 trilhão em investimentos públicos e privados, e geração de cerca de 4,5 milhões de empregos, através dos seguintes Eixos de Investimento:

  1. Água para todos,
  2. Cidades sustentáveis e resilientes,
  3. Defesa,
  4. Desenvolvimento regional,
  5. Governança e gestão,
  6. Inclusão digital e conectividade,
  7. Infraestrutura social,
  8. Transição e segurança energética, e
  9. Transportes.

Leia +

Governo Lula anuncia R$ 136 bilhões em licitações para o Novo PAC a partir de setembro de 2023


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