Fernando Dantas Torres, conhecido como Fernando Torres, nascido em 28 de dezembro de 1968, em Feira de Santana, Bahia, é um exemplo de figura pública que ascendeu gradualmente na política local e estadual, para concluir, em 2024, o mandato de vereador em queda. Oriundo do setor empresarial, com atuação na construção civil e no ramo de combustíveis, Torres iniciou sua trajetória política no ano 2000, quando foi eleito vereador de Feira de Santana pelo Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB). Seu primeiro mandato como vereador, de 2001 a 2004, serviu como trampolim para a sua inserção em cargos de maior visibilidade na política feirense e baiana, cuja trajetória conturbada é apresentada nesta reportagem do Jornal Grande Bahia.
Em 2006, Fernando Torres ampliou sua atuação ao conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia como deputado estadual pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB). Durante seu mandato, de 2007 a 2010, atuou em comissões importantes e participou ativamente de debates que focavam em questões de desenvolvimento econômico e social no estado. No entanto, foi em 2010 que deu um salto na carreira política ao ser eleito deputado federal pela Bahia, desta vez representando o Partido Democratas (DEM).
Na Câmara dos Deputados, durante o mandato de 2011 a 2015, Fernando Torres se destacou por integrar comissões estratégicas, como a de Minas e Energia e a de Desenvolvimento Econômico, além de comissões especiais voltadas para a análise de proposições relacionadas a direitos trabalhistas e infraestrutura. Sua atuação foi pautada pela busca de recursos e melhorias para o estado da Bahia, especialmente no que se refere ao desenvolvimento urbano e à infraestrutura básica de municípios carentes. Contudo, seu tempo na Câmara Federal foi marcado por uma postura política pragmática, que lhe rendeu tanto apoio quanto críticas dentro e fora de seu partido.
No âmbito político, Torres seguiu trajetória ascendente e transitou por diferentes partidos, como o Partido Social Democrático (PSD), ao qual se filiou em 2014. Em 2015, reassumiu o mandato de deputado federal como suplente, e em 2017, após a renúncia de Moema Gramacho, se efetivou no cargo. No mesmo ano, foi convidado pelo governador Rui Costa (PT) para assumir a Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia (SEDUR). À frente da pasta, Torres teve a missão de comandar projetos que visavam à melhoria da infraestrutura urbana, saneamento e mobilidade nas regiões mais carentes do estado. No entanto, marcada pela ineficiência, sua gestão foi breve e logo retornou à Câmara dos Deputados para concluir o mandato até o final de 2018.
Em 2020, com a experiência acumulada e uma base eleitoral consolidada, Fernando Torres retornou ao cenário político municipal e foi eleito vereador de Feira de Santana pelo PSD, com 3.179 votos. Além de ocupar a vaga na Câmara Municipal, assumiu a presidência do legislativo, onde adotou um estilo de gestão centralizador e linguagem vulgar contra o gestor municipal, prefeito Colbert Martins Filho (MDB), além de outros membros da política e da comunidade. Sua liderança gerou conflitos com outros vereadores, além de tensões com a imprensa local, que o acusou de falta de transparência em algumas ações administrativas. Em meio a um ambiente político cada vez mais polarizado e desgastante, sua gestão à frente da Câmara culminou em uma série de atritos internos, que mancharam sua popularidade entre seus pares e eleitores.
Em 1º de agosto de 2024, possivelmente antecipando a perda do mandato, Fernando Torres afastou-se da função de vereado para tratar de interesses pessoais. Com sua saída, Ismael Bastos (PL) assumiu a vaga. Em 2020, Ismael foi eleito suplente pelo PSD com 2.096 votos e, em 2024, ampliou sua votação para 4.968 votos, garantindo o mandato de vereador de 2025 a 2028. A decisão que afeta Fernando Torres, também atinge Ismael Bastos, em decorrência de ser referente ao pleito de 2020, com efeitos para o mandato de 2021 a 2024.
Na sequência, a trajetória de Fernando Torres sofreu um golpe definitivo em 2024, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu pela cassação de todos os votos do PSD em Feira de Santana nas eleições de 2020. A decisão foi motivada pela constatação de fraude à cota de gênero, um mecanismo destinado a garantir a participação feminina nas candidaturas eleitorais. Segundo a investigação, o partido registrou candidaturas fictícias de mulheres para cumprir a cota exigida por lei. A cassação marcou uma queda abrupta na carreira política de Torres, que havia optado por não concorrer à reeleição em 2024, sinalizando uma possível pausa na vida pública.
Embora seja improvável que a perda de mandato se concretize de imediato após a decisão de quinta-feira (17/10/2024), devido à possibilidade de recursos judiciais que podem adiar o desfecho, o julgamento do TSE marca o encerramento de um capítulo turbulento na trajetória do político feirense. Conhecido por declarações polêmicas, ele admitiu em plenário da Câmara Municipal de Feira de Santana ter sido usuário de drogas e chegou a desafiar um colega e um advogado para resolver divergências por meio de confronto físico, além de ter proferido palavras impublicáveis contra o prefeito e médico Colbert Martins (MDB).
Ao longo de sua trajetória, Fernando Torres foi filiado a diversas legendas, transitando por siglas como PTdoB, PRTB, DEM e PSD, o que reflete seu perfil pragmático e sua capacidade de adaptação ao cenário político. Mesmo com o revés político, ele continua sendo uma figura influente na cidade de Feira de Santana, tanto pelo seu histórico de mandatos quanto por sua atuação no setor empresarial.
Na vida pessoal, Fernando Torres é casado com Alessandra Carneiro Roriz Torres e tem três filhos e uma filha: Fernando Henrique, Fernando Segundo, Fernando Rodrigo e Fernanda. Seus negócios no ramo da construção civil e combustíveis permanecem como parte central de suas atividades fora do cenário político.
Síntese sobre o perfil de Fernando Dantas Torres
Informações Pessoais:
- Nome completo: Fernando Dantas Torres
- Data de nascimento: 28 de dezembro de 1968
- Naturalidade: Feira de Santana, Bahia
- Profissão: Empresário (Construção civil e combustíveis)
- Estado civil: Casado com Alessandra Carneiro Roriz Torres
- Filhos: Fernando Henrique, Fernando Segundo e Fernando Rodrigo
Carreira Política:
- Vereador de Feira de Santana: 2001-2004, reeleito em 2020 (PSD)
- Deputado Estadual da Bahia: 2007-2010 (PRTB)
- Deputado Federal pela Bahia: 2011-2015 (DEM), suplente em 2015, efetivo em 2017-2018 (PSD)
- Secretário de Desenvolvimento Urbano da Bahia: 2017 (convidado pelo governador Rui Costa)
Filiações Partidárias:
- PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil)
- PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro)
- DEM (Democratas)
- PSD (Partido Social Democrático)
Atuação Legislativa:
- Participação em comissões na Câmara dos Deputados:
- Comissão de Minas e Energia
- Comissão de Desenvolvimento Econômico
- Comissões especiais relacionadas a direitos trabalhistas e infraestrutura
Controvérsias:
- Tensão política na Câmara de Vereadores de Feira de Santana: Presidente da Câmara, gestão centralizadora, conflito com outros vereadores e imprensa local
- Cassação do mandato de vereador (2024): Tribunal Superior Eleitoral cassou os votos do PSD por fraude à cota de gênero nas eleições de 2020
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