Presidente Donald Trump defende Jair Bolsonaro, critica STF e provoca reação institucional de Lula e ministros: crise diplomática entre Brasil e EUA se agrava

Declarações de presidente Donald Trump em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro geram crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos.

Nesta segunda-feira (07/07/2025), em um movimento que provocou forte repercussão diplomática e política, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em publicação na plataforma Truth Social que o Brasil estaria promovendo uma “coisa horrível” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta tentativa de golpe de Estado. Trump classificou o julgamento como uma “caça às bruxas”, sugerindo que o processo tem motivação política e representa uma perseguição contra um adversário ideológico do governo brasileiro.

A mensagem, amplamente divulgada por lideranças bolsonaristas, ocorre em meio a uma campanha de pressão organizada por aliados de Bolsonaro nos EUA para que o governo Trump aplique sanções ao ministro Alexandre de Moraes, relator das ações que envolvem o ex-presidente no STF.

Lula afirma que Brasil não aceitará “tutela estrangeira” e responde diretamente a Trump

A resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi imediata. Em nota oficial, o mandatário afirmou que a defesa da democracia no Brasil é uma responsabilidade dos brasileiros e que o país “não aceita interferência ou tutela de quem quer que seja”. Lula enfatizou a independência e solidez das instituições nacionais: “Somos um país soberano. Ninguém está acima da lei, sobretudo os que atentam contra a liberdade e o Estado de Direito.”

Durante coletiva de imprensa ao final da Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro, Lula reforçou sua posição, afirmando que tinha “coisas mais importantes para comentar”, mas concluiu com uma crítica direta: “Este país tem leis, tem regras e tem dono: o povo brasileiro. Portanto, [Trump], dê palpite na sua vida e não na nossa.”

Ofensiva internacional bolsonarista mira Alexandre de Moraes

As falas de Trump refletem um movimento coordenado por lideranças da direita brasileira nos Estados Unidos, com destaque para Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, que está licenciado do mandato parlamentar e fixado nos EUA. Durante entrevista ao ex-estrategista de Trump, Steve Bannon, Eduardo declarou esperar que Trump aplique sanções contra Moraes, alegando que o ministro estaria censurando cidadãos americanos e perseguindo a oposição.

Segundo o deputado, as medidas judiciais tomadas por Moraes representam ameaças à liberdade de expressão e à atuação política da direita. Eduardo afirmou: “Trump não joga palavras ao vento. Se ele disse que algo vai acontecer, é porque está se movimentando para isso”.

A articulação inclui parlamentares republicanos como Chris Smith, que enviou carta ao secretário de Estado Marco Rubio e à Casa Branca solicitando sanções ao ministro. O documento cita supostas violações de direitos humanos e censura de conteúdo nos EUA por determinação do STF.

STF minimiza declaração e mantém foco institucional

Ministros do Supremo Tribunal Federal avaliaram, sob condição de anonimato, que a declaração de Trump não terá efeito jurídico ou institucional concreto e que a corte seguirá julgando com base na Constituição. A análise interna é de que se trata de “retórica política externa” sem consequência imediata, embora represente um grave precedente de tentativa de ingerência estrangeira no Judiciário brasileiro.

Em ocasiões anteriores, o ministro Alexandre de Moraes já havia se manifestado sobre ameaças externas à soberania brasileira. Em fevereiro, após críticas de políticos norte-americanos à sua atuação, afirmou em plenário que o Brasil deixou de ser colônia em 1822 e reafirmou os princípios constitucionais de autodeterminação dos povos, não intervenção e independência entre os poderes.

Reações do governo e da base aliada

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), afirmou que Trump está “muito equivocado” e que a subserviência aos EUA foi característica da gestão Bolsonaro, ao contrário da atual. A ministra declarou: “Hoje ele responde pelos crimes que cometeu contra a democracia e o processo eleitoral. Não se pode falar em perseguição quando o Estado de Direito está em vigor.”

O advogado-geral da União, Jorge Messias, reforçou a posição institucional do governo: “Soberania não se negocia. Qualquer tentativa de interferência será firmemente rechaçada. O Judiciário brasileiro é independente e respeitado internacionalmente.”

Tarcísio e aliados endossam Trump e contestam julgamento

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), compartilhou a publicação de Trump e escreveu que Bolsonaro “deve ser julgado pelo povo nas urnas, não por tribunais”. O posicionamento foi interpretado como sinal de alinhamento com a base bolsonarista, embora Tarcísio mantenha relação institucional com o STF.

Parlamentares do PL e influenciadores bolsonaristas comemoraram a fala de Trump como “reconhecimento internacional da perseguição política no Brasil”. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou que “a verdade está vindo à tona”, enquanto a deputada Bia Kicis (PL-DF) afirmou que “Trump disse verdades e defendeu nosso presidente Jair Bolsonaro”.

Contradições diplomáticas: Lula também opinou sobre outros países

A fala de Lula condenando interferência externa foi criticada por opositores, que relembraram ocasiões em que o presidente brasileiro opinou publicamente sobre temas políticos de outros países. Em 2024, Lula declarou apoio à reeleição de Joe Biden, rival de Trump. Também manifestou apoio à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, condenada judicialmente, posando com cartaz que pedia sua liberdade.

Além disso, Lula minimizou questionamentos à legitimidade do regime venezuelano, afirmando que “a democracia é um conceito relativo”, ao comentar as eleições presidenciais de Nicolás Maduro, amplamente contestadas pela comunidade internacional.

Disputa eleitoral e uso político do Judiciário

A crise entre os governos do Brasil e dos EUA, ampliada pelas declarações de Trump, ocorre em um contexto de alta polarização política e disputa pela narrativa em torno da legalidade das ações do STF. Bolsonaro está inelegível até 2030, mas lidera cenários de segundo turno em pesquisas recentes. Seus aliados, como Eduardo Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, aparecem tecnicamente empatados com Lula.

Na avaliação da oposição, o Judiciário age para inviabilizar a candidatura da direita, tese rejeitada pelo governo, que sustenta a legalidade das condenações por atos antidemocráticos, desinformação e incitação à violência institucional.

*Com informações da Folha de S.Paulo, Veja e Poder360.


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