PEC da Impunidade e Anistia geram protestos em 70 cidades: secretário do PT acusa direita de escolher a corrupção contra a Constituição

O secretário Nacional de Comunicação do Partido dos Trabalhadores (PT), Éden Valadares, afirmou que as recentes manifestações de rua em todo o país representam um marco de engajamento popular contra a impunidade. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, da revista Veja, nesta segunda-feira (23/09/2025), o dirigente destacou que o avanço da mobilização contrasta com a postura de políticos da direita e da extrema direita.

Segundo Valadares, a sociedade não aceita mais a conciliação entre corrupção e impunidade, reagindo às propostas que tramitam no Congresso, como a chamada PEC da Impunidade e o projeto de Anistia aos investigados do 8 de Janeiro.

Protestos em mais de 70 cidades

De acordo com o secretário, os atos recentes deram continuidade a um processo iniciado no 7 de Setembro, quando o PT e movimentos sociais organizaram manifestações como o Grito dos Excluídos. Ele destacou que, no último dia 21 de setembro, os protestos alcançaram todas as capitais brasileiras e diversas cidades do interior, totalizando mais de 70 municípios mobilizados.

“Foi uma manifestação maior, com repercussão nacional, que mostrou a capacidade de organização da sociedade em defesa da Constituição e contra medidas que fragilizam o Estado de Direito”, declarou Valadares.

Constituição versus Anistia

Na entrevista, Éden Valadares argumentou que a disputa política atual opõe a defesa da Constituição ao que chamou de tentativa de institucionalizar a impunidade. Para ele, a direita optou por se alinhar a mecanismos que visam blindar políticos de investigações.

“Infelizmente, entre a Constituição e a Anistia, a direita escolheu a impunidade. A sociedade brasileira reage, atende à convocação do PT, dos partidos de esquerda, dos movimentos sociais, da sociedade civil, de artistas e intelectuais em defesa das leis”, disse o dirigente.

Polarização crescente

As declarações de Éden Valadares refletem a estratégia do PT de posicionar-se como defensor da legalidade e da Constituição, em contraste à narrativa de setores da oposição que defendem a anistia ampla. A convocação das ruas como espaço de resistência revela também uma disputa simbólica: a de quem detém a legitimidade política para falar em nome do povo. O aumento das manifestações indica uma polarização crescente entre demandas por justiça e tentativas de preservação de privilégios, cenário que pode definir o tom da agenda legislativa e eleitoral nos próximos meses.


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