Presidentes Donald Trump e Lula ensaiam reaproximação na ONU em meio a crise diplomática e tarifaço dos EUA contra o Brasil, comenta Joaci Góes

Na quinta-feira (25/09/2025), um encontro inesperado entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral da ONU abriu espaço para uma possível reaproximação entre Brasil e Estados Unidos, após semanas de forte tensão diplomática provocada pelo tarifaço norte-americano de 50% sobre produtos brasileiros. O episódio foi analisado em artigo de Joaci Góes, intitulado “Uma janela para a paz”, publicado na Tribuna da Bahia em Salvador, na mesma data.

Segundo Góes, a reunião surpreendeu observadores internacionais, pois transformou um cenário de confronto em uma cena de cordialidade. “Os dois chefes de Estado saíram como amigos cordiais, aptos a porem fim a um grave conflito diplomático”, escreveu o autor.

Contexto da crise diplomática

O artigo lembra que Lula, criticado por sua postura no cenário internacional e isolado até mesmo de parceiros históricos da América do Sul, encontrou em Trump uma oportunidade inesperada de recompor sua imagem. Góes observa que o presidente brasileiro havia se tornado “um pária da diplomacia internacional”, contando apenas com o apoio de regimes aliados como Cuba, Venezuela e Nicarágua.

O pano de fundo da crise é o tarifaço imposto por Trump, que, na prática, bloqueou a entrada de produtos brasileiros no mercado norte-americano. Para o autor, a medida foi motivada pela “indecorosa perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro e alguns dos seus auxiliares, movida pelo STF, travestido de partido político, em criminoso desvio de finalidade”. Góes menciona ainda o voto do ministro Luiz Fux, com 14 horas de duração, como marco ao contestar juridicamente as condenações relacionadas aos atos de 8 de Janeiro.

Eduardo Bolsonaro e a geopolítica das Américas

Em resposta a análises que apontam o deputado Eduardo Bolsonaro como responsável pelo endurecimento de Trump, Góes sustenta que ele é apenas “o móvel” da reação, mas não a causa. O ponto central, segundo o articulista, está na estratégia geopolítica do ex-presidente norte-americano.

Trump enxerga o mundo dividido em três grandes áreas de influência — China, Rússia e América —, cabendo ao Brasil um papel de destaque ao lado do Canadá, sob a liderança dos Estados Unidos. Nesse contexto, Góes afirma que Trump estaria disposto a acelerar o processo de retirada do poder do regime de Nicolás Maduro, na Venezuela, reforçando a hegemonia americana no continente.

Anistia e pacificação política no Brasil

Outro ponto abordado por Joaci Góes é a discussão sobre a anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Para ele, trata-se de uma questão de tempo, considerando que líderes políticos de diferentes correntes — como Michel Temer, Aldo Rebelo, Aécio Neves, Espiridião Amin e Sérgio Moro — vêm defendendo a medida como caminho para restaurar a paz social.

Há sinais, aponta o autor, de que ministros do STF já cogitam a anistia como forma de reduzir tensões e permitir que magistrados voltem a circular em espaços públicos sem hostilidade. Caso contrário, ironiza Góes, seria preciso acrescentar uma nova categoria às já discriminadas no sistema carcerário brasileiro: “os patriotas”.

*Joaci Góes é advogado, jornalista, escritor, empresário e político brasileiro, nascido em Ipirá (BA), em 1938. Figura de destaque na vida intelectual e pública da Bahia, ele preside o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) — instituição fundada em 1894 e considerada a mais antiga e uma das mais relevantes entidades culturais do estado, com sede em Salvador. Sua trajetória combina atuação nas áreas jurídica, política, empresarial e literária, refletindo uma vida dedicada ao pensamento crítico, à defesa da cultura baiana e ao fortalecimento das instituições democráticas.


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