Deputado afirma que explicação de ACM Neto para pagamento do Banco Master virou “chacota nacional”

O deputado estadual Marcelino Galo (PT) afirmou nesta quinta-feira (12/03/2026) que a justificativa apresentada pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto para os R$ 3,6 milhões recebidos por uma empresa de consultoria vinculada ao político do Banco Master e da Reag Investimentos tornou-se alvo de críticas no debate público nacional. Segundo o parlamentar, as explicações divulgadas por Neto após a revelação das movimentações financeiras registradas em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) não teriam esclarecido pontos centrais do caso.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, a empresa A&M Consultoria Ltda., ligada ao ex-prefeito, recebeu transferências das duas instituições financeiras entre 2023 e 2024, totalizando cerca de R$ 3,6 milhões. Os pagamentos teriam sido realizados por serviços de consultoria relacionados à análise de cenários políticos e econômicos, atividade que Neto afirma ter exercido após deixar cargos públicos.

Em declarações públicas, ACM Neto afirmou que os contratos foram firmados de maneira regular, com emissão de notas fiscais, pagamento de tributos e formalização contratual, argumentando que a prestação de serviços ocorreu em período no qual não ocupava função pública. Segundo o ex-prefeito, no momento da contratação não havia questionamentos públicos relevantes sobre a atuação das empresas no sistema financeiro.

Questionamentos sobre a natureza da consultoria

Para Marcelino Galo, entretanto, a discussão não se limita à regularidade documental dos contratos. O parlamentar sustenta que o debate central envolve compreender qual foi o conteúdo efetivo da consultoria e qual retorno concreto as instituições financeiras obtiveram com o serviço contratado.

Na avaliação do deputado, a explicação apresentada por Neto não responde à pergunta principal levantada após a divulgação das movimentações financeiras: por que instituições financeiras posteriormente envolvidas em um grande escândalo financeiro teriam pago valores milionários por análises político-econômicas elaboradas por um ex-prefeito baiano.

Galo citou ainda críticas feitas por comentaristas políticos que classificaram os pagamentos como pouco esclarecidos. Para o parlamentar, o episódio exige uma explicação mais detalhada sobre o objeto do contrato, os estudos produzidos e a utilidade prática das análises entregues.

Comparação com grandes bancos gera reação

Outro ponto mencionado pelo deputado foi a declaração de ACM Neto de que, no momento da contratação, o Banco Master e a Reag Investimentos figuravam entre instituições relevantes do sistema financeiro nacional. Durante sua defesa pública, o ex-prefeito comparou as empresas a grandes bancos tradicionais, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú e Bradesco.

Segundo Marcelino Galo, essa comparação não corresponde à realidade do mercado financeiro brasileiro. O parlamentar argumenta que a expansão acelerada das duas instituições já despertava atenção de analistas e autoridades regulatórias, especialmente diante do crescimento expressivo de operações financeiras em curto período.

Para críticos do ex-prefeito, essa declaração evidenciaria uma tentativa de justificar retrospectivamente a relação profissional mantida com as empresas. Já aliados de Neto sustentam que consultorias privadas prestadas por agentes políticos fora de mandato são atividades legítimas, desde que realizadas dentro da legalidade tributária e contratual.

Caso ocorre em meio ao colapso do Banco Master

A repercussão política do episódio foi amplificada pelo contexto envolvendo o Banco Master, cuja liquidação pelo Banco Central ocorreu após dificuldades financeiras e investigações relacionadas à gestão da instituição. A situação também afetou a Reag Investimentos, que passou a enfrentar questionamentos no sistema financeiro.

Esse cenário fez com que qualquer relação financeira com as empresas envolvidas passasse a ser analisada com maior rigor pela opinião pública e por adversários políticos, ampliando a dimensão política do caso.

No ambiente político baiano, o episódio ganhou relevância adicional por envolver uma das principais lideranças da oposição no estado. ACM Neto permanece como figura central do debate político regional e frequentemente é apontado como nome influente em disputas eleitorais futuras.


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