Na quarta-feira, 15/04/2026, informações revelam que o Banco Central (BC) inicialmente rejeitou e posteriormente aprovou a entrada de Daniel Vorcaro no controle do Banco Máxima — instituição que deu origem ao atual Banco Master — após mudanças na comprovação de capacidade econômica e na origem dos recursos apresentados pelo investidor.
A operação envolvendo Vorcaro passou por duas análises distintas entre 2017 e 2019, ambas decididas por unanimidade pela diretoria colegiada do Banco Central. Na primeira tentativa, ainda sob a presidência de Ilan Goldfajn, o pedido foi rejeitado devido a dúvidas sobre a origem dos recursos e inconsistências na comprovação da capacidade financeira do investidor.
Posteriormente, já na gestão de Roberto Campos Neto, o BC aprovou a operação em 14 de outubro de 2019, após o banqueiro apresentar documentação revisada e considerada suficiente para comprovar sua condição econômica.
Durante o processo, Vorcaro submeteu ao menos duas versões da chamada “declaração de propósito”, instrumento exigido para aquisição de participação relevante em instituições financeiras. À época, ele já possuía cerca de 15% do capital do banco, condição que o classificava como participante qualificado.
Questionamentos sobre origem de recursos e risco de “circularização”
A principal barreira identificada na primeira análise técnica do BC foi a suspeita de “circularização de recursos”, hipótese na qual o próprio banco poderia estar financiando sua aquisição — prática vedada pelas normas prudenciais do sistema financeiro.
Entre os elementos apresentados por Vorcaro estavam ativos da empresa Viking Participações, incluindo aeronaves, terrenos e fundos de investimento. Ainda assim, técnicos do BC consideraram que a origem dos recursos não estava suficientemente clara, o que inviabilizou a aprovação naquele momento.
Diante dessa inconsistência, a autoridade monetária sequer avançou para avaliar critérios adicionais, como a exigência de “reputação ilibada”, outro requisito essencial para controladores de instituições financeiras.
Contexto financeiro do Banco Máxima e decisão regulatória
O Banco Máxima, então controlado por Saul Dutra Sabbá, enfrentava dificuldades financeiras significativas, incluindo desenquadramento de regras prudenciais, o que o colocava sob risco de liquidação pelo próprio Banco Central.
Nesse cenário, a entrada de Vorcaro era vista como uma alternativa de mercado para evitar a quebra da instituição, fator que também pesou na análise regulatória.
Apesar disso, fontes indicam que não há evidências de interferência direta da área de fiscalização na decisão final, embora essa diretoria tenha sido consultada durante o processo.
Investigações e suspeitas envolvendo ex-diretor do BC
O caso ganhou novos contornos com investigações envolvendo Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC, suspeito de manter relações informais com Vorcaro.
Apurações apontam indícios de que o ex-diretor teria participado de operações simuladas para ocultar recebimento de propina, incluindo a suposta venda fictícia de um imóvel. Além disso, mensagens encontradas pela Polícia Federal sugerem que Vorcaro buscava apoio para viabilizar a aprovação do negócio após sucessivas recusas.
A defesa de Paulo Sérgio afirmou não se recordar do contexto das mensagens, mas confirmou que havia, de fato, problemas relacionados à comprovação da capacidade econômica na operação inicial.
Estrutura decisória e autonomia técnica
O Banco Central destacou que, embora a área de fiscalização contribua tecnicamente, a decisão final sobre transferências de controle cabe à Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução (Diorf), responsável por encaminhar os votos à deliberação colegiada.
Esse modelo reforça a estrutura institucional do BC, baseada em análise técnica e decisões colegiadas, ainda que o caso revele tensões e controvérsias nos bastidores do processo regulatório.








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