No sábado (11/04/2026), documentos da Receita Federal revelaram que o Banco Master declarou ao menos R$ 65,83 milhões em pagamentos realizados entre 2023 e 2025 a políticos, ex-ministros, dirigentes partidários e um ex-presidente da República, conforme levantamento obtido pelo jornal O Globo. Os valores foram informados pela própria instituição financeira no âmbito de suas obrigações fiscais e estão vinculados a contratos de consultoria, advocacia e mediação institucional. O caso ocorre no contexto das investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, preso sob suspeita de fraudes, e amplia o debate sobre relações entre setor financeiro e figuras de alto escalão da política brasileira.
Entre os principais beneficiários listados nos documentos está o ex-presidente Michel Temer, cujo escritório de advocacia teria recebido R$ 10 milhões em 2025, segundo a declaração do banco. O valor estaria relacionado à atuação do ex-presidente na tentativa de mediação da venda do Banco Master ao BRB, instituição controlada pelo governo do Distrito Federal.
Temer afirmou que sua contratação ocorreu para prestação de serviços jurídicos de mediação e sustentou que os valores efetivamente recebidos foram inferiores aos declarados, indicando R$ 5 milhões mais R$ 2,5 milhões adicionais. À época da negociação, o processo já enfrentava resistência do Banco Central, que havia rejeitado a operação inicial.
Outro nome de destaque é o do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que recebeu R$ 14 milhões por meio de empresa de consultoria, distribuídos entre R$ 6 milhões em 2024 e R$ 8 milhões em 2025. Durante o período, Mantega atuou como interlocutor entre o banco e o governo federal, tendo inclusive levado Vorcaro a uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, no fim de 2024.
Ex-ministros do STF e da Fazenda também aparecem na lista
Os documentos também apontam pagamentos ao ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, cujo escritório teria recebido R$ 5,93 milhões entre 2023 e 2025. Os valores incluem:
- R$ 530 mil em 2023
- R$ 3,1 milhões em 2024
- R$ 2,3 milhões em 2025
Segundo informações divulgadas, o contrato teria sido iniciado como consultoria institucional e, após a ida de Lewandowski para o Ministério da Justiça em 2024, os serviços teriam sido assumidos por seu filho, Enrique Lewandowski, com foco em assuntos fiscais e tributários. Em nota, o ex-ministro afirmou que suspendeu suas atividades de advocacia ao assumir cargo público, conforme determina a legislação.
Já o ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles recebeu R$ 18,4 milhões entre 2024 e 2025, vinculados a um contrato de consultoria em macroeconomia e mercado financeiro, com caráter opinativo.
Relação com governo federal e tentativa de influência institucional
A atuação de Mantega evidencia uma tentativa do Banco Master de aproximação institucional com o governo federal, especialmente em meio às negociações estratégicas conduzidas pela instituição financeira. O próprio presidente Lula declarou, em entrevista, que alertou o banqueiro de que eventuais irregularidades seriam objeto de investigação, reforçando a necessidade de observância da legalidade nas operações.
O caso também envolve menções indiretas ao Supremo Tribunal Federal, uma vez que parte dos contratos envolve figuras com passagem recente pela Corte, ampliando a sensibilidade institucional do episódio.
Outros pagamentos e abrangência dos valores declarados
Embora os nomes mais expressivos concentrem a maior parte dos valores, os documentos indicam que os R$ 65,83 milhões declarados abrangem um conjunto mais amplo de pagamentos, incluindo:
- Dirigentes partidários
- Consultores jurídicos e econômicos
- Intermediadores institucionais
A íntegra da lista detalhada não foi integralmente divulgada, mas os registros fiscais confirmam a amplitude das relações contratuais estabelecidas pelo Banco Master no período analisado.
Contexto das investigações envolvendo Daniel Vorcaro
O caso ocorre em paralelo às investigações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que foi preso sob suspeita de fraudes financeiras. As apurações buscam identificar possíveis irregularidades nas operações da instituição, incluindo movimentações financeiras, contratos e relações com agentes públicos e privados.
A revelação dos pagamentos amplia o escopo de análise das autoridades e reforça a necessidade de escrutínio sobre eventuais conflitos de interesse, influência institucional e uso de redes políticas em operações financeiras de grande porte.
*Com informações do Jornal O Globo.











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