Neste domingo (05/04/2026), o avanço das investigações sobre o escândalo do Banco Master enfrenta um cenário de estagnação no Congresso Nacional, onde pedidos de criação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), embora com assinaturas suficientes, permanecem sem instalação. A proximidade das eleições e a atuação de lideranças parlamentares e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contribuíram para o recuo político, enquanto parlamentares passam a concentrar expectativas na possível delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro.
Há pelo menos quatro requerimentos de CPIs relacionados ao caso Master — dois no Senado, um na Câmara e um de natureza mista — que atendem aos critérios formais para instalação. Entre os autores estão parlamentares de diferentes espectros políticos, evidenciando que o tema ultrapassa divisões partidárias.
Apesar disso, a instalação dos colegiados não avançou. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, atuaram para conter o andamento das investigações parlamentares. Esse movimento foi reforçado por decisões judiciais no STF.
O ministro Cristiano Zanin rejeitou pedido do deputado Rodrigo Rollemberg para obrigar a Câmara a instalar a CPI. Em paralelo, um mandado de segurança apresentado por senadores, sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, ainda aguarda decisão. Na prática, o impasse jurídico contribui para manter o caso fora da arena investigativa do Legislativo.
Mudança de estratégia e cálculo eleitoral
A conjuntura política mudou de forma significativa desde novembro de 2025, quando a prisão de Daniel Vorcaro impulsionou uma série de iniciativas para investigação parlamentar. Com a aproximação das eleições, parlamentares passaram a reavaliar os custos políticos de conduzir uma CPI de grande escala.
A condução de uma comissão dessa natureza exige exposição pública, enfrentamento político e potencial desgaste — fatores que se tornam ainda mais sensíveis em período eleitoral. O receio de que revelações possam atingir aliados ou serem exploradas por adversários contribui para o esvaziamento do apoio às CPIs.
Parlamentares da base governista, em especial, demonstram maior resistência. A experiência recente com a CPMI do INSS, na qual a oposição assumiu posições estratégicas no comando do colegiado, é citada como precedente relevante. O controle da pauta — incluindo convocações e quebras de sigilo — é visto como elemento central na definição da narrativa política.
Delação de Vorcaro torna-se eixo central das investigações
Diante da paralisia no Congresso, cresce a expectativa em torno de um acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Parlamentares avaliam que a colaboração pode oferecer um caminho mais direto e abrangente para esclarecimento dos fatos.
Há a percepção de que a delação poderá implicar figuras relevantes do cenário político, incluindo lideranças partidárias que mantiveram relações com o banqueiro. Vazamentos anteriores de mensagens do celular de Vorcaro já indicaram conexões com nomes influentes, ampliando o potencial impacto político das revelações.
Nesse contexto, a investigação migra, na prática, do campo legislativo para o âmbito judicial e investigativo, com protagonismo de órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público.
Questionamentos sobre relação entre magistrado e caso Master
Paralelamente às disputas políticas, o caso também alcança o Judiciário. O ministro Kassio Nunes Marques confirmou ter participado de uma viagem em novembro de 2025 a convite da advogada Camilla Ewerton Ramos, ligada à defesa do Banco Master.
A viagem ocorreu em aeronave vinculada à empresa Prime You, que teve Daniel Vorcaro como sócio até setembro de 2025. Segundo nota da defesa da advogada, o voo foi de caráter privado e custeado pessoalmente.
O episódio gerou questionamentos devido ao papel de Nunes Marques como relator de ação no STF relacionada à eventual instalação de CPI sobre o caso Master. A situação amplia o debate sobre eventuais conflitos de interesse e a necessidade de transparência institucional.
*Com informações da Revista Veja.







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