O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Feira de Santana (SINDESP) promoveu, na tarde desta sexta-feira (08/09/2026), uma reunião com mais de 200 professores da rede municipal para discutir os próximos encaminhamentos relacionados aos precatórios do Fundef, com foco nas parcelas previstas para 2027 e 2028, na possibilidade de antecipação dos créditos por meio de cessão a fundo de investimento e na ação judicial movida pela entidade para cobrar os juros incidentes sobre os valores destinados aos educadores.
O encontro foi realizado no auditório da Lucidata e teve como objetivo atualizar os professores sobre as tratativas envolvendo os valores futuros dos precatórios do Fundef. A reunião também serviu para esclarecer dúvidas sobre os procedimentos jurídicos e financeiros relacionados à eventual negociação das parcelas ainda não pagas.
Durante a reunião, o presidente licenciado do SINDESP, Hamilton Ramos, fez uma exposição sobre a atuação da entidade nos últimos dois anos em defesa dos direitos dos professores contemplados pelo precatório. Segundo o sindicato, o acompanhamento jurídico e institucional tem buscado assegurar transparência, segurança e regularidade no processo.
Hamilton Ramos ressaltou que a condução do tema exige cautela, pois envolve valores expressivos, decisões judiciais e interesses diretos dos profissionais da educação. A entidade informou que continuará prestando orientações aos beneficiários antes de qualquer deliberação definitiva sobre a cessão dos créditos futuros.
Fundo de investimento apresenta proposta de aquisição de créditos
Um dos principais pontos da reunião foi a participação ao vivo de representantes de um fundo de investimento de São Paulo, interessado na aquisição dos créditos referentes às parcelas dos precatórios previstas para 2027 e 2028. A operação apresentada prevê a antecipação dos valores mediante deságio, mecanismo pelo qual o beneficiário recebe antes do prazo, mas com desconto sobre o montante futuro.
A apresentação contou com a participação de Newton Lins de Noronha, que explicou aos professores o funcionamento da possível operação financeira. Ele detalhou os critérios gerais da cessão de crédito, os procedimentos necessários para a adesão e os aspectos envolvidos na negociação com o fundo.
Durante a exposição, os professores puderam apresentar questionamentos sobre prazos, valores, segurança jurídica e impactos financeiros da antecipação. A proposta despertou interesse entre os presentes, especialmente pela possibilidade de acesso antecipado a recursos que, em princípio, seriam pagos apenas nos próximos exercícios.
Aspectos jurídicos da cessão de crédito foram explicados aos professores
O advogado Danilo Freitas participou do encontro para apresentar os fundamentos jurídicos da possível negociação. Segundo ele, o processo está amparado por decisão da Justiça Federal, que autorizou o desbloqueio e a livre negociação da parte pertencente aos professores.
De acordo com a exposição jurídica, a cessão de crédito deverá seguir os procedimentos legais aplicáveis, com formalização individual e observância das condições pactuadas entre cada beneficiário e o fundo interessado. A orientação apresentada foi a de que os professores avaliem os termos da proposta com atenção antes de aderir.
O advogado também explicou que a operação não elimina o direito dos professores sobre os créditos, mas transforma a forma de recebimento, mediante transferência do crédito futuro ao fundo em troca de pagamento antecipado. Por envolver deságio, a decisão exige análise individual de conveniência financeira.
SINDESP judicializa cobrança de juros dos precatórios
Outro tema relevante tratado no encontro foi a ação judicial movida pelo SINDESP para garantir o pagamento dos juros incidentes sobre os precatórios do Fundef. A entidade sustenta que os professores têm direito não apenas ao valor principal da parcela que lhes cabe, mas também à incidência de juros e correções sobre esse montante.
Segundo Danilo Freitas, o entendimento do sindicato é que, se os valores principais sofrem atualização em favor do município, os profissionais da educação também devem receber os acréscimos proporcionais sobre a parcela de 60% do montante total destinada aos professores.
A ação judicial, conforme apresentado na reunião, busca assegurar que os educadores sejam contemplados de forma integral com os valores que a entidade entende serem devidos. O tema permanece em discussão no âmbito jurídico e deverá ser acompanhado pelo sindicato nos próximos encaminhamentos.
Professores demonstram interesse na antecipação dos valores
A reunião foi marcada por ampla participação dos professores, que apresentaram dúvidas sobre os riscos, vantagens e condições da operação financeira proposta. De acordo com o SINDESP, o ambiente foi de tranquilidade e expectativa positiva.
Durante consulta realizada no encontro, os participantes manifestaram posicionamento favorável à proposta de cessão dos créditos das parcelas futuras, mediante negociação com o fundo de investimento. A manifestação, contudo, foi apresentada como etapa preliminar, dependente da análise detalhada da proposta.
Ao final da reunião, professores relataram satisfação com os esclarecimentos prestados pelo sindicato, pelo advogado Danilo Freitas e pelo representante do fundo. A possibilidade de ouvir diretamente os responsáveis pela proposta foi apontada pelos participantes como fator importante para reduzir dúvidas sobre o processo.
Próximos passos serão definidos após relatório detalhado
O SINDESP informou que deverá apresentar, na próxima semana, um relatório detalhado sobre a proposta do fundo de investimento. O documento deverá reunir as condições da operação, os critérios de adesão, os percentuais envolvidos, os prazos e os procedimentos necessários para eventual concretização da cessão de crédito.
A partir desse relatório, a entidade deverá definir os próximos passos para orientar os professores interessados na antecipação das parcelas de 2027 e 2028. O sindicato também deverá manter o acompanhamento da ação judicial relacionada aos juros dos precatórios.
A discussão envolve duas frentes principais: a possibilidade de antecipação dos valores futuros, com desconto, e a busca judicial por acréscimos financeiros sobre a parcela dos professores. Ambas exigem acompanhamento técnico, pois tratam de direitos patrimoniais vinculados a decisões judiciais e recursos públicos da educação.
Leia +








Deixe um comentário