O vice-governador da Bahia, Geraldinho, representou nesta terça-feira (12/05/2026), em Brasília, o governador Jerônimo Rodrigues no lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, iniciativa anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ampliar a atuação integrada entre União, estados, municípios e Distrito Federal no enfrentamento a facções criminosas, milícias privadas e redes transnacionais de criminalidade. O programa prevê R$ 11,1 bilhões em investimentos, combinando recursos diretos e linha de crédito para segurança pública, com foco em inteligência, investigação financeira, modernização policial, segurança prisional, perícia científica e combate ao tráfico de armas, munições e explosivos.
Programa Brasil Contra o Crime Organizado prevê integração nacional contra facções
O Programa Brasil Contra o Crime Organizado foi apresentado pelo Governo Federal como uma estratégia nacional voltada ao enfrentamento de estruturas criminosas complexas, cuja atuação ultrapassa fronteiras municipais, estaduais e, em muitos casos, nacionais. A proposta busca organizar uma resposta coordenada do Estado brasileiro diante da expansão de facções, redes de lavagem de dinheiro, tráfico de armas e disputas territoriais associadas à violência urbana.
A iniciativa reúne um decreto presidencial, quatro portarias e investimentos previstos de R$ 11,1 bilhões. Desse total, R$ 1,06 bilhão corresponde a recursos diretos já previstos para 2026, enquanto R$ 10 bilhões serão disponibilizados por meio de linha de crédito para estados e municípios investirem em equipamentos, tecnologia, inteligência, perícia e modernização das forças de segurança.
O desenho do programa parte do reconhecimento de que o crime organizado opera de forma articulada, com ramificações financeiras, logísticas, territoriais e prisionais. Por isso, a política federal propõe o fortalecimento de ações integradas, com compartilhamento de informações, ampliação da capacidade investigativa e foco na descapitalização das organizações criminosas.
Quatro eixos estruturam a nova estratégia federal
O programa foi estruturado em quatro eixos principais, definidos pelo Governo Federal como áreas prioritárias para reduzir a capacidade operacional e financeira das organizações criminosas.
Asfixia financeira do crime organizado
O primeiro eixo trata da asfixia financeira das facções criminosas, com ampliação de operações voltadas à identificação, bloqueio e apreensão de bens, contas bancárias, imóveis, veículos e outros ativos vinculados a atividades ilícitas.
A estratégia busca atingir o núcleo econômico das organizações, reduzindo sua capacidade de financiamento, expansão territorial, compra de armamentos e cooptação de agentes públicos ou privados.
Segurança no sistema prisional
O segundo eixo prevê o fortalecimento da segurança prisional, considerado um ponto sensível no enfrentamento ao crime organizado, especialmente diante da atuação de lideranças criminosas a partir de unidades penais.
Entre as medidas anunciadas estão a implantação de equipamentos de segurança máxima em presídios estaduais, o reforço de protocolos de controle e a integração de informações entre órgãos penitenciários e forças policiais.
Investigação de homicídios
O terceiro eixo tem como objetivo ampliar a capacidade do poder público de esclarecer homicídios, com fortalecimento da investigação criminal, da perícia científica e dos bancos de dados voltados à identificação de autores e vínculos entre crimes violentos.
A medida busca enfrentar um dos principais gargalos da segurança pública brasileira: a baixa taxa de elucidação de crimes letais, problema que compromete a responsabilização penal e alimenta ciclos de impunidade.
Combate ao tráfico de armas, munições e explosivos
O quarto eixo concentra ações contra o tráfico de armas, munições e explosivos, com foco em rotas de abastecimento, redes interestaduais e conexões internacionais utilizadas por organizações criminosas.
O objetivo é reduzir o poder bélico das facções, especialmente em territórios onde grupos armados disputam controle territorial, rotas de drogas, comércio ilegal e atividades de extorsão.
Geraldinho afirma que Bahia atua em sintonia com estratégia nacional
Durante o lançamento, o vice-governador Geraldinho afirmou que a Bahia já desenvolve ações alinhadas aos princípios do novo programa, especialmente na integração entre forças estaduais e federais, no uso de inteligência policial e no combate ao patrimônio das facções criminosas.
Segundo ele, a iniciativa federal reforça a necessidade de cooperação entre os entes federativos para enfrentar organizações que atuam de forma interestadual e transnacional. Geraldinho afirmou que o presidente Lula “dá mais uma demonstração de compromisso com a segurança pública” ao liderar uma política baseada em inteligência, integração e investimento.
O vice-governador também destacou que a Bahia tem avançado no enfrentamento ao crime organizado por meio de operações integradas, uso de tecnologia e ações de descapitalização de facções. Para ele, o programa amplia a capacidade dos estados de responder a grupos criminosos que operam com estrutura econômica, logística e territorial sofisticada.
Bahia registra mais de 700 operações integradas entre 2025 e 2026
Geraldinho citou dados recentes da segurança pública da Bahia para sustentar a posição do governo estadual no tema. Segundo o vice-governador, somente em 2025, o estado realizou mais de 500 operações integradas. Em 2026, já foram registradas cerca de 200 ações policiais.
As operações resultaram, conforme os dados apresentados, na apreensão de aproximadamente R$ 6,8 bilhões em contas bancárias, imóveis e veículos ligados ao crime organizado. O vice-governador também mencionou a captura de lideranças criminosas em outros estados e países, o que reforça o caráter interestadual e transnacional das investigações.
Os números foram apresentados como exemplo da estratégia estadual voltada à repressão qualificada, com foco não apenas na prisão de integrantes de facções, mas também na redução da capacidade econômica e operacional dessas organizações.
Redução de mortes violentas é destacada pelo governo baiano
Outro dado mencionado por Geraldinho foi a redução de 23% nas mortes violentas em abril de 2026 na Bahia. Segundo o vice-governador, o resultado representa o menor índice dos últimos 14 anos para o período.
Além da queda nos crimes violentos, ele citou a redução nos crimes contra o patrimônio e o fortalecimento do efetivo das forças de segurança estaduais como componentes da política de segurança pública em curso no estado.
A apresentação desses indicadores ocorre em um momento em que a segurança pública permanece como uma das principais demandas da população e como um dos temas centrais da agenda institucional dos governos estaduais e federal.
Governo Federal anuncia criação da FICCO Nacional
Entre as medidas anunciadas no lançamento do programa está a criação da FICCO Nacional, estrutura voltada à integração das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado. A medida busca ampliar a coordenação entre órgãos federais e estaduais em investigações de maior complexidade.
Também foram anunciadas ações para ampliar operações de investigação financeira, fortalecer a perícia científica, expandir bancos de perfis genéticos e intensificar o combate ao tráfico de armas e munições em todo o país.
A proposta federal aponta para uma política de segurança pública que combina repressão qualificada, inteligência, tecnologia, cooperação federativa e modernização institucional. O desafio, contudo, será transformar os anúncios em resultados permanentes, especialmente em estados com alta incidência de crimes violentos e presença consolidada de facções.
Autoridades baianas e federais participaram do lançamento
Além de Geraldinho, participaram do ato o senador Jaques Wagner, o subsecretário de Segurança Pública da Bahia, Marcel de Oliveira, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, Aloísio Mascarenhas, e o diretor-geral do Departamento de Polícia Técnica da Bahia, Osvaldo Silva.
A presença de representantes da segurança pública baiana reforçou o alinhamento institucional entre o governo estadual e a política federal anunciada em Brasília.
O lançamento também sinaliza uma tentativa do Governo Federal de assumir papel mais ativo na coordenação nacional da segurança pública, área historicamente marcada por competências compartilhadas, dificuldades de integração e desigualdades estruturais entre os estados.








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