O governador Jerônimo Rodrigues afirmou, na sexta-feira, 26/06/2026, em Barreiras, no Oeste da Bahia, que encaminhará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a proposta de implantação de uma residência estudantil na Universidade Federal do Oeste da Bahia — Ufob, após ouvir a estudante de Direito Mel Kiria Costa durante o Ato da Juventude, Cultura e Educação do Programa de Governo Participativo — PGP 2026, Encontros para o Futuro. O encontro reuniu jovens da Bacia do Rio Grande e incorporou demandas ligadas à permanência estudantil, educação, cultura, inclusão de pessoas com deficiência e participação social ao processo de formulação do próximo programa de governo.
Pedido por permanência estudantil marca ato da juventude em Barreiras
A reivindicação por melhores condições de acesso e permanência no ensino superior foi o eixo central da intervenção de Mel Kiria Costa, estudante de Direito da Ufob. Filha de pescador e de professora, ela afirmou representar uma geração de jovens do interior que conseguiu chegar à universidade por meio de políticas públicas voltadas à juventude e à educação, mas que ainda enfrenta dificuldades para permanecer nos cursos.
Ao relatar sua trajetória, a estudante destacou que muitos universitários do Oeste da Bahia precisam deixar seus municípios de origem para estudar em Barreiras. Nesse contexto, a criação de uma residência universitária foi apresentada como medida capaz de acolher alunos oriundos de cidades distantes, reduzir custos familiares e ampliar as condições de permanência acadêmica.
A manifestação ocorreu durante o Ato da Juventude, Cultura e Educação do PGP 2026, iniciativa voltada à escuta de estudantes, lideranças juvenis, representantes culturais e segmentos sociais dos territórios de identidade da Bahia. Em Barreiras, as propostas apresentadas pelos jovens da Bacia do Rio Grande passaram a compor o processo de construção programática do governo estadual para o próximo ciclo político.
Jerônimo promete encaminhar proposta ao Governo Federal
Ao responder ao pedido, o governador Jerônimo Rodrigues afirmou que levará a proposta ao presidente Lula e defendeu uma articulação entre Governo Federal, Governo do Estado e prefeituras para viabilizar a residência estudantil. Segundo ele, a responsabilidade pela permanência universitária deve ser tratada como compromisso público compartilhado, especialmente em regiões onde a distância entre municípios dificulta o acesso regular às instituições de ensino superior.
“Se não der para fazer a residência agora, a gente se junta. O Governo Federal coloca uma parte, o Estado coloca outra, os prefeitos ajudam e a gente garante a residência estudantil, porque isso é obrigação nossa”, afirmou Jerônimo durante o ato.
A declaração tem relevância administrativa porque desloca o debate da simples ampliação de vagas para a agenda da permanência estudantil, ponto decisivo para estudantes de baixa renda, jovens do campo, moradores de comunidades tradicionais e alunos que dependem de apoio público para manter vínculo com a universidade. No caso da Ufob, sediada em uma região estratégica do interior baiano, a demanda também envolve integração territorial, mobilidade regional e redução de desigualdades educacionais.
Estudante relata trajetória ligada a políticas públicas
Mel Kiria Costa afirmou ser resultado direto de políticas públicas voltadas à juventude e à educação. “Sou filha de pescador, filha de professora e hoje sou estudante de Direito da Ufob. Muitos jovens do Oeste precisam deixar suas cidades para estudar e a residência universitária pode acolher estudantes que vêm de municípios distantes e precisam permanecer na universidade”, declarou.
A estudante também relatou que conheceu o governador durante a Conferência Estadual de Juventude e que participou do programa Deputado Jovem Baiano, experiência que, segundo ela, contribuiu para sua aproximação com espaços institucionais de participação política e formação cidadã.
O depoimento reforçou uma das linhas centrais do ato: a juventude do interior não reivindica apenas acesso formal à educação, mas condições materiais para que esse acesso produza resultados concretos. Transporte, moradia, acolhimento, acessibilidade, cultura, formação profissional e participação social apareceram como dimensões complementares de uma política pública voltada à inclusão educacional.
Inclusão de pessoas com deficiência será incorporada ao programa
Além da residência estudantil, Jerônimo Rodrigues afirmou que propostas relacionadas ao fortalecimento da política de atenção às pessoas com deficiência serão incorporadas ao programa de governo. O governador declarou que fará questão de garantir a implementação de medidas voltadas a esse público, em resposta às manifestações apresentadas durante o encontro.
“Faço questão de garantir que vamos implementar a política de atenção às pessoas com deficiência”, disse o chefe do Executivo estadual.
A inclusão desse tema no debate amplia o alcance do PGP 2026 para além da pauta universitária. A atenção a pessoas com deficiência envolve acessibilidade física, atendimento especializado, transporte adaptado, inclusão educacional, formação profissional e participação social, exigindo planejamento intersetorial entre educação, assistência social, saúde, cultura, mobilidade e gestão pública.
PGP 2026 reúne propostas nos territórios de identidade da Bahia
O Programa de Governo Participativo 2026 — Encontros para o Futuro percorre os territórios de identidade da Bahia com o objetivo de reunir contribuições da população para a formulação do próximo programa de governo. A metodologia busca organizar demandas regionais, ouvir segmentos sociais e consolidar propostas em áreas como infraestrutura, educação, saúde, cultura, juventude, desenvolvimento econômico, inclusão e direitos sociais.
Em Barreiras, o encontro teve recorte específico voltado à juventude, à cultura e à educação, com atenção às necessidades do Oeste baiano. A região possui papel relevante na dinâmica econômica estadual, mas também apresenta desafios associados à interiorização do ensino superior, à permanência estudantil, à mobilidade entre municípios e à oferta de serviços públicos adaptados às distâncias territoriais.
As propostas apresentadas no ato passam a integrar a base de contribuições do PGP 2026. A efetiva transformação dessas demandas em políticas públicas dependerá, contudo, de definição orçamentária, articulação federativa, elaboração técnica de projetos e pactuação institucional entre os entes responsáveis.
Permanência universitária, inclusão e responsabilidade pública exigem acompanhamento
A fala de Jerônimo Rodrigues dá centralidade a uma pauta estrutural: a universidade pública no interior só cumpre plenamente sua função social quando o estudante consegue ingressar, permanecer e concluir a formação. A proposta de residência estudantil na Ufob, caso avance, poderá reduzir desigualdades territoriais e favorecer jovens de municípios distantes, mas ainda depende de formalização, estudo de viabilidade, fontes de financiamento e cronograma público.
Do ponto de vista institucional, a promessa feita em ambiente de escuta participativa deve ser acompanhada com rigor. Há diferença entre acolher uma proposta em evento político-programático e convertê-la em obra, política permanente ou convênio efetivo. O interesse público exige transparência sobre responsabilidades, custos estimados, participação da União, contrapartida estadual, eventual adesão dos municípios e critérios de atendimento aos estudantes.
O episódio é relevante porque reúne juventude, educação superior, inclusão social e planejamento regional em uma mesma agenda pública. Os próximos passos dependerão da capacidade de articulação entre o Governo da Bahia, o Governo Federal, a Ufob e os municípios do Oeste baiano, além da incorporação formal das propostas ao PGP 2026.









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