Na sexta-feira, 12/06/2026, reportagem publicada pelo jornal O Globo apontou resistência de integrantes do PL da Bahia à possibilidade de engajamento automático na campanha de ACM Neto ao Governo do Estado, caso o ex-prefeito de Salvador não declare apoio ao senador Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. A tensão ocorre no contexto das articulações para as Eleições 2026, em meio à formação de palanques estaduais e nacionais, à pré-candidatura à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues e ao esforço da direita para organizar uma estratégia comum contra o PT na Bahia.
Resistência no PL baiano expõe disputa por palanque presidencial
Segundo a publicação, integrantes do PL baiano avaliam que não devem pedir voto para ACM Neto, filiado ao União Brasil, se não houver reciprocidade política do ex-prefeito em favor de Flávio Bolsonaro na corrida ao Palácio do Planalto. O ponto de atrito está na decisão de ACM Neto de manter proximidade com Ronaldo Caiado, nome do PSD na disputa presidencial.
Nos bastidores, ainda conforme a apuração citada, haveria um entendimento entre a equipe de ACM Neto e dirigentes do PL sobre a eleição estadual. Pelo arranjo discutido, o ex-prefeito apoiaria Caiado no primeiro turno, mas poderia se unir a Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A equação, no entanto, não pacificou a base bolsonarista na Bahia. Uma ala do PL pressiona para que ACM Neto apoie Flávio Bolsonaro já no primeiro turno, sob o argumento de que a militância de direita não deve entrar em uma campanha estadual sem contrapartida clara no plano nacional.
Direita baiana cobra diálogo de ACM Neto
A médica Raíssa Soares, que disputou o Senado em 2022 e aparece como pré-candidata à Câmara dos Deputados, afirmou que o apoio da direita a ACM Neto “não é automático”. Conhecida nacionalmente pela defesa do chamado tratamento precoce durante a pandemia de Covid-19, ela defende que a oposição ao PT na Bahia depende de diálogo direto com a base bolsonarista.
Para Raíssa Soares, a passagem de Flávio Bolsonaro pelo estado demonstrou a existência de uma direita mobilizada e disposta a participar da disputa. A declaração reforça a tentativa de setores do PL de condicionar o apoio estadual à construção de um palanque presidencial alinhado ao senador.
O deputado estadual Diego Castro, também do PL, adotou linha semelhante. Para ele, a agenda de Flávio Bolsonaro na Bahia teria enviado o recado de que existe uma direita organizada no Nordeste, com disposição para enfrentar o PT. O parlamentar avalia que ACM Neto deve considerar o grau de mobilização dessa base antes de consolidar a estratégia eleitoral.
João Roma defende apoio a ACM Neto
Em sentido oposto, o presidente estadual do PL, João Roma, sustenta o apoio à candidatura de ACM Neto na atual configuração política. Ex-ministro da Cidadania no governo Jair Bolsonaro, Roma integra a chapa do ex-prefeito de Salvador como pré-candidato ao Senado.
A posição de João Roma indica que a direção formal do partido busca preservar o acordo estadual, mesmo diante de resistências internas. A divergência revela uma tensão recorrente nas eleições majoritárias: a conciliação entre interesses locais, palanques nacionais e expectativas de militância.
A situação é delicada porque ACM Neto depende da unidade da oposição para disputar o governo baiano em cenário competitivo contra Jerônimo Rodrigues. Ao mesmo tempo, parte do eleitorado bolsonarista exige sinalização política explícita em favor de Flávio Bolsonaro, o que pode dificultar uma estratégia mais ampla de composição ao centro.
Ausência de ACM Neto na Bahia Farm Show ampliou ruídos
A tensão ganhou novo capítulo na terça-feira, 09/06/2026, durante a participação de Flávio Bolsonaro na Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães, no oeste baiano. O evento, um dos principais encontros do agronegócio nas regiões Norte e Nordeste, não contou com a presença de ACM Neto.
No discurso, Flávio Bolsonaro criticou o governo Lula e afirmou que o agronegócio não deveria ser tratado como inimigo político. A fala buscou aproximar o senador de produtores rurais e lideranças empresariais do oeste baiano, região estratégica para a direita pela força econômica do setor agropecuário.
A ausência de ACM Neto foi interpretada por aliados de Flávio como mais um sinal de cautela do ex-prefeito em relação ao palanque presidencial. Para seus defensores, porém, a escolha de não comparecer pode ser lida como tentativa de evitar uma vinculação prematura e preservar margem de negociação no campo oposicionista.
Disputa baiana ocorre em cenário de equilíbrio
A movimentação ocorre em um ambiente eleitoral considerado competitivo. Pesquisas recentes indicaram quadro de empate técnico entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto, o que aumenta o peso das alianças partidárias, do tempo de campanha, da capilaridade municipal e da mobilização de segmentos sociais organizados.
Na Bahia, o PT governa o estado desde 2007, com sucessivas vitórias em eleições estaduais. ACM Neto, por sua vez, tenta reorganizar a oposição após ter sido derrotado por Jerônimo Rodrigues em 2022, em uma disputa marcada pela nacionalização do debate entre lulismo e bolsonarismo.
A formação do palanque de 2026 tende a ser decisiva. Para ACM Neto, o desafio é reunir forças de centro, direita e bolsonarismo sem perder a capacidade de dialogar com eleitores moderados. Para o PL, a prioridade é fortalecer Flávio Bolsonaro nacionalmente e impedir que a estrutura partidária estadual seja utilizada sem contrapartida presidencial.
Pressão interna desafia acordo entre União Brasil e PL
O impasse mostra que o apoio formal de um partido não significa, necessariamente, adesão integral de sua militância, lideranças intermediárias e pré-candidatos proporcionais. Em eleições majoritárias, especialmente em estados politicamente polarizados, bases ideológicas tendem a cobrar coerência entre o palanque estadual e o nacional.
No caso baiano, o PL precisa equilibrar dois objetivos. O primeiro é participar de uma chapa competitiva contra o PT no governo estadual. O segundo é assegurar que a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro tenha visibilidade, estrutura e defesa pública no estado.
ACM Neto, por sua vez, enfrenta a necessidade de evitar isolamento à direita sem se tornar refém de um único campo nacional. A proximidade com Caiado sugere a tentativa de construir uma alternativa conservadora ou de centro-direita menos dependente do bolsonarismo, mas essa escolha cobra preço político entre aliados do PL.









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