O secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, Augusto Vasconcelos, afirmou na quarta-feira, 17/06/2026, durante a inauguração da Estação Calçada, primeira estação entregue do VLT de Salvador e Região Metropolitana, que os investimentos conduzidos pelo Governo da Bahia, em parceria com o Governo Federal, representam contraponto à política municipal de transporte da capital, marcada, segundo ele, por tarifa elevada e precariedade no serviço de ônibus. A entrega da estação integra o projeto estadual de mobilidade urbana, que prevê cerca de 44 quilômetros de extensão, 50 paradas e integração com o metrô em pontos estratégicos da cidade.
Secretário critica gestão municipal do transporte em Salvador
Presente à cerimônia de inauguração do VLT, Augusto Vasconcelos associou a situação do transporte por ônibus em Salvador à atuação da Prefeitura, administrada por grupo político vinculado a ACM Neto. Para o secretário, a política municipal de reajuste tarifário amplia a exclusão de usuários do sistema e agrava a crise do transporte público.
“Enquanto a Prefeitura de Salvador aumenta a tarifa de ônibus e exclui mais pessoas do sistema, agravando a crise do transporte público na cidade, o Governo do Estado investe em modais que garantem o acesso com eficiência para que as pessoas possam se deslocar na nossa capital”, declarou.
A crítica ocorre em meio ao debate sobre o custo do transporte coletivo em Salvador. Em janeiro de 2026, a Prefeitura anunciou que a tarifa de ônibus passaria a R$ 5,90, válida para ônibus convencionais, BRT e STEC, mantendo a integração tarifária com até três modais e o metrô por meio do Salvador Card. A gestão municipal também informou contrato de R$ 264 milhões com o BNDES para aquisição de 300 ônibus com tecnologia Euro VI.
VLT é apresentado como eixo de integração metropolitana
Na avaliação de Vasconcelos, o VLT de Salvador deve alterar a lógica de deslocamento da capital ao conectar áreas historicamente periféricas a regiões de maior concentração de serviços, emprego, educação e saúde. O secretário afirmou que o modal poderá permitir deslocamentos do Subúrbio Ferroviário até áreas próximas à Orla Atlântica, passando por corredores como Comércio, Estrada do Derba, Avenida Orlando Gomes e Avenida 29 de Março.
“O VLT, que vai ligar tudo, vai se conectar também com o metrô, uma das maiores obras viárias do Brasil, com um investimento que significa a junção do governador Jerônimo com o presidente Lula numa parceria que dá resultados”, disse.
Segundo dados oficiais do Governo da Bahia, a Estação Calçada foi requalificada com investimento aproximado de R$ 13 milhões, em uma área de cerca de 7,5 mil metros quadrados, com recuperação de espaços de circulação, plataformas, catracas, paisagismo, iluminação cênica e preservação de elementos arquitetônicos ligados à memória ferroviária da cidade.
Projeto inclui três trechos e conexão com o metrô
O projeto do VLT está estruturado em trechos que abrangem a ligação entre Ilha de São João e Calçada, a extensão Calçada–Comércio, o trecho Paripe–Águas Claras e a conexão entre Águas Claras e Piatã. O sistema terá integração física e operacional com o metrô nas estações Águas Claras e Bairro da Paz, o que, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia, deve ampliar a fluidez dos deslocamentos e reduzir o tempo de viagem dos usuários.
A entrega da Estação Calçada faz parte do Lote 1, no trecho Calçada–Ilha de São João, que já ultrapassa 64% de execução, segundo o Governo da Bahia. A etapa simboliza a retomada da centralidade da antiga estação ferroviária no sistema de transporte público da capital, com impacto direto sobre bairros do Subúrbio e áreas historicamente dependentes de deslocamentos longos e fragmentados.
Além do transporte, o projeto envolve intervenções urbanas associadas, como requalificação de áreas públicas, melhorias de acesso, contenção de encostas, pavimentação, drenagem e implantação de equipamentos de convivência. Para o governo estadual, o VLT deve combinar mobilidade, desenvolvimento urbano e valorização territorial.
Debate envolve tarifa, qualidade do serviço e disputa política
A fala de Augusto Vasconcelos insere o VLT no centro de uma disputa política e administrativa sobre o futuro da mobilidade em Salvador. De um lado, o Governo da Bahia apresenta o transporte sobre trilhos como investimento estruturante de longo prazo, articulado ao metrô e a corredores de expansão urbana. De outro, a Prefeitura defende que o reajuste da tarifa municipal ocorre em contexto de pressão nacional sobre os sistemas de ônibus e afirma manter investimentos em renovação de frota, climatização, veículos menos poluentes e novas linhas.
O ponto sensível do debate está na experiência concreta do usuário. A expansão de modais sobre trilhos tende a ter maior capacidade, previsibilidade e conforto, mas sua efetividade dependerá da integração tarifária, da operação regular, da segurança, da manutenção e da conexão eficiente com ônibus alimentadores. Já o sistema municipal de ônibus permanece essencial para capilaridade territorial, sobretudo em áreas não atendidas por trilhos.
Ao afirmar que Salvador passa por uma “revolução” na mobilidade conduzida pelo Governo do Estado, Vasconcelos reforça a narrativa estadual de que a política de transporte deve priorizar inclusão urbana e acesso a direitos. A Prefeitura, por sua vez, sustenta que a tarifa de R$ 5,90 é acompanhada de integração e de investimentos na frota.
Mobilidade urbana exige resultados mensuráveis e integração real
A inauguração da Estação Calçada fortalece o peso político do VLT de Salvador como obra estruturante, mas também eleva a responsabilidade do Governo da Bahia quanto ao cumprimento de prazos, à transparência dos contratos e à entrega efetiva de benefícios à população. A crítica de Augusto Vasconcelos à Prefeitura tem relevância pública por recolocar a tarifa, a qualidade dos ônibus e a exclusão de usuários no centro do debate.
O episódio evidencia uma questão central: mobilidade urbana não pode ser tratada apenas como serviço tarifado nem como vitrine de obra pública. Trata-se de política essencial para acesso ao trabalho, à educação, à saúde e à vida econômica da cidade.








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