O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, participaram nesta quarta-feira, 01/07/2026, em Vera Cruz, do ato que marcou o início da fase de obras da Ponte Salvador-Itaparica, empreendimento estimado em R$ 11,6 bilhões, integrado ao Novo PAC e executado por meio de articulação entre Governo da Bahia, Governo Federal e iniciativa privada. A intervenção, planejada para ligar Salvador à Ilha de Itaparica, é apresentada pelo governo estadual como uma das principais obras de infraestrutura em curso no estado, com impacto previsto sobre mobilidade, logística, turismo, geração de empregos e integração econômica entre a capital, o Recôncavo, o Baixo Sul e outras regiões baianas.
Obra entra em nova fase após anos de debate público
O ato realizado em Vera Cruz representou a passagem da Ponte Salvador-Itaparica de uma etapa marcada por estudos, articulações institucionais, licenciamento, mobilização de canteiros e disputas políticas para uma fase de maior visibilidade física. A cerimônia reuniu representantes do consórcio chinês responsável pela construção, lideranças políticas baianas e autoridades vinculadas aos governos estadual e federal.
A ponte terá 12,4 quilômetros de extensão sobre a Baía de Todos-os-Santos e integra o Sistema Rodoviário Ponte Salvador-Ilha de Itaparica. Além da estrutura principal, o projeto prevê acessos viários, via expressa na Ilha de Itaparica e intervenções na BA-001, com o objetivo de criar uma nova conexão entre Salvador, a Ilha, o Recôncavo e o sul da Bahia.
Jerônimo Rodrigues afirmou que o início das obras transforma em intervenção concreta um projeto discutido há anos. Na avaliação do governo estadual, a ponte deixa de ser apenas uma promessa de planejamento urbano e passa a compor a agenda efetiva de infraestrutura da Bahia, com repercussões administrativas, econômicas e políticas.
Lula reforça dimensão federal do empreendimento
A presença de Lula conferiu peso institucional ao ato e reforçou a participação do Governo Federal no projeto. A Ponte Salvador-Itaparica está vinculada ao Novo PAC, programa federal de investimentos em infraestrutura, e é tratada pelas gestões estadual e federal como obra estruturante para reorganizar fluxos regionais e ampliar a capacidade logística da Bahia.
O governo estadual sustenta que a nova ligação rodoviária deve reduzir distâncias, facilitar deslocamentos e ampliar a conectividade entre áreas produtivas, turísticas e urbanas. A obra também é apresentada como vetor de desenvolvimento para municípios do entorno da Baía de Todos-os-Santos, do Baixo Sul e do Recôncavo.
Durante a solenidade, a dimensão simbólica do projeto foi destacada por autoridades e aliados do governo. Para o Palácio de Ondina, o início da construção representa a consolidação de uma agenda de infraestrutura de longo prazo, com potencial de alterar a relação entre Salvador, Ilha de Itaparica e interior do estado.
Consórcio chinês e parceria institucional sustentam execução
A execução da Ponte Salvador-Itaparica envolve a participação de um consórcio chinês responsável pela construção, em modelo de parceria com o poder público. O empreendimento depende de coordenação entre concessionária, Governo da Bahia, Governo Federal, órgãos ambientais, instituições de controle e estruturas administrativas responsáveis por licenças, desapropriações e autorizações.
A presença de representantes do consórcio no ato reforçou a natureza empresarial e internacional do projeto. A obra é acompanhada como um dos principais investimentos de infraestrutura da Bahia, tanto pelo volume financeiro quanto pela complexidade técnica de implantação sobre a Baía de Todos-os-Santos.
Também participaram da agenda lideranças políticas como os senadores Jaques Wagner e Otto Alencar, além do ex-governador Rui Costa, entre outras autoridades. A composição do ato evidenciou o esforço do grupo governista de associar a ponte a uma agenda de entregas administrativas e de continuidade política.
Disputa política acompanha avanço da construção
A retomada do projeto também se converteu em resposta política a adversários que vinham questionando a viabilidade da ponte. O ex-prefeito de Salvador ACM Neto afirmou, em críticas anteriores, que o empreendimento existia apenas no papel e colocou em dúvida a capacidade do governo estadual de transformar a promessa em realidade.
Com o início dos trabalhos, aliados de Jerônimo passaram a sustentar que a execução física da obra é a principal resposta às críticas. O deputado estadual Robinson Almeida afirmou que adversários “não fazem nem propõem nada, mas torcem contra o progresso da Bahia”, em declaração de caráter político dirigida à oposição.
O deputado Bobô também reagiu às críticas e disse que o início das obras “silencia as aves de agouro” que desacreditavam do projeto. As declarações reforçam o ambiente de disputa narrativa em torno da ponte, tema que reúne infraestrutura, desenvolvimento regional e cálculo político no cenário baiano.
Ponte deve impactar mobilidade, turismo e economia regional
A Ponte Salvador-Itaparica é apresentada pelo governo como obra capaz de alterar a mobilidade entre Salvador e a Ilha de Itaparica, reduzindo a dependência de travessias marítimas e de rotas rodoviárias mais longas. A nova ligação tende a modificar fluxos de pessoas, mercadorias e serviços entre a capital e regiões do interior.
Do ponto de vista econômico, o empreendimento é associado à atração de investimentos, geração de empregos e dinamização de cadeias produtivas ligadas ao turismo, à construção civil, à logística e ao comércio. A expectativa oficial é que a ponte amplie oportunidades em municípios historicamente dependentes de conexões viárias limitadas.
A dimensão regional é um dos principais argumentos do governo. O projeto é defendido como instrumento de integração de aproximadamente 250 municípios, especialmente em áreas do Recôncavo, Baixo Sul e Região Metropolitana de Salvador, com possíveis efeitos sobre desenvolvimento urbano, circulação turística e valorização imobiliária.O início da Ponte Salvador-Itaparica representa um marco relevante para a infraestrutura baiana porque desloca o projeto do campo das promessas para o terreno da execução. Essa mudança tem peso administrativo e político, sobretudo em uma obra que atravessou anos de debates, dúvidas, críticas e expectativas regionais.








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