Edinho Silva defende legado do senador Jaques Wagner no PGP 2026 e afirma que urnas da Bahia avaliarão trajetória do senador

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, defendeu, na quarta-feira, 15/07/2026, durante uma plenária do Programa de Governo Participativo — PGP 2026, realizada no bairro de Cajazeiras, em Salvador, o legado político do senador Jaques Wagner para a Bahia. Diante de lideranças do campo governista, o dirigente petista afirmou que o ex-governador possui uma trajetória marcada por “dignidade e honestidade” e declarou que as urnas deverão avaliar o reconhecimento da população ao parlamentar. O encontro reuniu o governador Jerônimo Rodrigues, o ex-ministro Rui Costa, o vice-governador Geraldo Júnior e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, em meio à mobilização do grupo político para as eleições de 2026.

Edinho Silva exalta trajetória de Jaques Wagner

Durante o pronunciamento, Edinho Silva apresentou Jaques Wagner como uma liderança cuja trajetória ultrapassa os limites da política baiana e possui, segundo ele, projeção nacional.

“Tem um homem na Bahia que é motivo de orgulho para todos nós no Brasil inteiro, e esse homem é Jaques Wagner. Ele tem história e a história dele é de dignidade e honestidade.”

A declaração foi apresentada como reconhecimento ao percurso político do senador, que governou a Bahia por dois mandatos consecutivos, exerceu funções ministeriais em administrações federais e representa o estado no Senado desde 2019. A manifestação também reforçou a centralidade de Wagner na composição eleitoral defendida pelo PT para 2026.

Edinho Silva assumiu a presidência nacional do PT após vencer o Processo de Eleição Direta da legenda, realizado em julho de 2025. Desde então, participa da articulação partidária destinada à construção das candidaturas estaduais, das chapas ao Congresso Nacional e do projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Presidente do PT relaciona reconhecimento político às urnas

Ao abordar a posição de Wagner no cenário político, Edinho Silva afirmou que a avaliação definitiva sobre a trajetória de um agente público cabe aos eleitores. O dirigente partidário relacionou o reconhecimento popular à disputa eleitoral prevista para outubro.

“O tempo é o senhor da razão e as urnas da Bahia vão mostrar quem está certo e quem está errado.”

A manifestação ocorreu em um momento no qual Jaques Wagner figura entre os principais nomes da disputa pelas duas vagas da Bahia no Senado. Levantamento do Paraná Pesquisas, realizado entre 27 e 30 de junho de 2026, com 1.500 entrevistados e margem de erro de 2,6 pontos percentuais, apontou Rui Costa com 50,6% das intenções de voto e Wagner com 36,7%. João Roma apareceu com 23,2%, enquanto Angelo Coronel registrou 22,4%.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril também havia colocado Rui Costa e Jaques Wagner entre os nomes mais competitivos para o Senado. O levantamento ouviu 1.200 eleitores entre 23 e 27 de abril, possuía margem de erro de três pontos percentuais e foi registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo BA-03657/2026. Pesquisas eleitorais representam fotografias do momento em que são realizadas e não antecipam, isoladamente, o resultado das urnas.

PGP 2026 amplia mobilização em Salvador

A plenária de Cajazeiras integrou a programação do PGP 2026 — Encontros para o Futuro, iniciativa organizada pelo campo político liderado por Jerônimo Rodrigues para recolher propostas destinadas ao programa de governo da campanha pela reeleição estadual.

O ciclo de escutas em Salvador começou em junho, com uma plenária no Subúrbio Ferroviário. Na ocasião, os organizadores informaram que o programa já havia recebido mais de 10 mil propostas, apresentadas em encontros presenciais e por meios digitais. As contribuições abrangem áreas como saúde, educação, mobilidade, segurança pública, infraestrutura, cultura, juventude e desenvolvimento social.

Desde maio, o PGP percorre diferentes territórios de identidade da Bahia. Feira de Santana, Itapetinga, Juazeiro, Ipirá, Jequié, Barreiras, Bom Jesus da Lapa e municípios do Vale do Jiquiriçá estiveram entre as localidades incluídas no calendário de plenárias e reuniões temáticas.

Embora apresentado como mecanismo de escuta social e formulação programática, o PGP também possui dimensão eleitoral. A presença conjunta de Jerônimo Rodrigues, Rui Costa, Jaques Wagner e Geraldo Júnior busca demonstrar unidade interna, capacidade de mobilização territorial e continuidade da aliança que governa a Bahia desde 2007.

Ato reúne lideranças estaduais e nacionais

Além de Edinho Silva e das principais lideranças do grupo governista baiano, a plenária contou com Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, pasta responsável pela interlocução do Governo Federal com movimentos sociais e organizações da sociedade civil.

Boulos assumiu o ministério em outubro de 2025 e passou a coordenar ações relacionadas à participação social e ao diálogo institucional com entidades populares. Sua presença em Cajazeiras vinculou a programação estadual à estratégia nacional de mobilização da base política do presidente Lula.

O encontro também marcou o lançamento nacional de comitês populares voltados à mobilização política em favor da continuidade do projeto liderado pelo presidente da República. O ato reuniu representantes partidários, movimentos sociais, lideranças comunitárias e integrantes da administração estadual.

Trajetória de Jaques Wagner reúne atuação sindical, mandatos e ministérios

Nascido no Rio de Janeiro, em 1951, Jaques Wagner construiu sua carreira sindical e política na Bahia. Atuou no Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica, participou da organização do PT e da Central Única dos Trabalhadores no estado e exerceu mandatos de deputado federal.

No primeiro governo Lula, assumiu o Ministério do Trabalho, em 2003. Posteriormente, comandou o Ministério das Relações Institucionais. Em 2006, venceu a eleição para o Governo da Bahia e foi reeleito em 2010, permanecendo à frente do Executivo estadual por oito anos.

Após deixar o governo baiano, Wagner exerceu os cargos de ministro da Defesa, ministro-chefe da Casa Civil e chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República durante a gestão de Dilma Rousseff. Em 2018, foi eleito senador pela Bahia com 4,25 milhões de votos, equivalentes a 35,71% dos votos válidos destinados ao cargo, iniciando o mandato em fevereiro de 2019.

Declaração ocorre em meio à repercussão do caso Banco Master

A defesa pública feita por Edinho Silva ganhou significado político adicional por ocorrer semanas depois de Jaques Wagner ter sido alvo de uma medida de busca e apreensão autorizada pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, relacionada às investigações sobre o Banco Master.

A Polícia Federal apura suspeitas envolvendo a atuação de agentes públicos e empresários ligados à instituição financeira. A existência de investigação, entretanto, não equivale a condenação ou comprovação definitiva de responsabilidade. Parte dos procedimentos tramita sob sigilo e ainda depende de análise das provas, manifestações da Procuradoria-Geral da República e decisões judiciais.

A defesa do senador sustenta que Wagner não atuou para favorecer o Banco Master e questionou no STF a legalidade das medidas adotadas durante a operação. Após a repercussão do caso, o parlamentar anunciou, em junho, seu afastamento da liderança do Governo Lula no Senado.

Nesse contexto, as referências de Edinho Silva à “dignidade”, à “honestidade” e ao julgamento das urnas constituem uma defesa política do senador. A apuração jurídica, contudo, seguirá submetida às autoridades policiais e judiciais, independentemente da manifestação de aliados, adversários ou do desempenho do parlamentar nas pesquisas eleitorais.

Linha do tempo da trajetória política de Jaques Wagner

  • Década de 1980: participa da organização sindical dos trabalhadores petroquímicos e da estruturação do PT e da CUT na Bahia.
  • 1990: inicia sua trajetória parlamentar após ser eleito deputado federal.
  • 2003: assume o Ministério do Trabalho no primeiro governo Lula.
  • 2005: passa a comandar o Ministério das Relações Institucionais.
  • 2006: é eleito governador da Bahia.
  • 2010: conquista a reeleição e permanece no Governo do Estado até dezembro de 2014.
  • 2015: assume o Ministério da Defesa no governo Dilma Rousseff.
  • 2016: passa pela Casa Civil e pelo Gabinete Pessoal da Presidência da República.
  • 2018: é eleito senador pela Bahia com aproximadamente 4,25 milhões de votos.
  • 2019: inicia o mandato no Senado Federal.
  • Junho de 2026: é alvo de medida de busca na Operação Compliance Zero, nega favorecimento ao Banco Master e anuncia saída da liderança governista no Senado.
  • 15 de julho de 2026: recebe defesa pública de Edinho Silva durante o PGP 2026 em Cajazeiras, Salvador.

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