Pesquisa Genial/Quaest de julho de 2026: Lula tem 40% contra 28% de Flávio Bolsonaro, vence quatro cenários de 2º turno e governo alcança 48% de aprovação

A 27ª rodada da pesquisa Genial/Quaest, apresentada nesta quarta-feira (15/07/2026), mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 40% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, ante 28% de Flávio Bolsonaro (PL), e à frente nos quatro confrontos diretos de segundo turno testados. O levantamento também registra equilíbrio na avaliação do governo, com 48% de aprovação e 47% de desaprovação, enquanto indicadores sobre alimentos, poder de compra e emprego revelam persistência de uma percepção econômica desfavorável. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores, entre 10 e 13 de julho, em 120 municípios brasileiros.

Pesquisa ouviu 2.004 eleitores em 120 municípios

Contratada pela Genial Investimentos, a pesquisa foi realizada pela Quaest por meio de entrevistas presenciais e domiciliares com brasileiros de 16 anos ou mais. Os questionários estruturados foram aplicados entre sexta-feira e segunda-feira, de 10 a 13/07/2026.

A margem de erro estimada para o conjunto da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Nos recortes por região, renda, idade, religião, escolaridade e posicionamento político, as margens variam e podem chegar a seis pontos percentuais.

O estudo está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026. A amostra foi distribuída por região, sexo, faixa etária, escolaridade e renda familiar, com seleção de setores censitários e pós-estratificação dos resultados.

Aprovação e desaprovação do governo ficam tecnicamente equilibradas

A aprovação do trabalho realizado por Lula alcançou 48%, enquanto a desaprovação ficou em 47%. Outros 5% não souberam ou não responderam. Como a diferença é de apenas um ponto percentual, os resultados indicam equilíbrio dentro da margem de erro.

A trajetória mostra recuperação da aprovação desde abril, quando havia atingido 43%, contra 52% de desaprovação. Em maio, a aprovação subiu para 46%; em junho, chegou a 47%; e, em julho, alcançou 48%. No mesmo período, a desaprovação recuou nove pontos, de 52% para 47%.

Na avaliação qualitativa, 36% classificaram o governo como positivo e outros 36% como negativo. A parcela que considera a administração regular permaneceu em 26%, enquanto 2% não responderam. É a primeira vez na série apresentada que as avaliações positiva e negativa aparecem no mesmo patamar.

Nordeste, baixa renda e beneficiários do Bolsa Família sustentam aprovação

O governo registra aprovação de 61% no Nordeste, contra 35% de desaprovação. No Sudeste, a relação é de 44% a 50%; no Sul, de 37% a 58%; e no agrupamento Centro-Oeste/Norte, de 46% a 49%.

Entre as mulheres, 50% aprovam e 44% desaprovam. Entre os homens, 46% aprovam e 50% desaprovam. Por idade, a aprovação chega a 51% entre pessoas com 60 anos ou mais, fica em 48% entre os eleitores de 16 a 34 anos e recua para 46% entre aqueles de 35 a 59 anos.

A escolaridade produz uma das maiores diferenças. Entre os entrevistados com ensino fundamental, 58% aprovam e 37% desaprovam. No ensino médio, a desaprovação alcança 52%, ante 43% de aprovação. Entre aqueles com ensino superior, 58% desaprovam e 37% aprovam.

Na faixa de renda familiar de até dois salários mínimos, a aprovação chega a 58%, contra 37% de desaprovação. Entre dois e cinco salários mínimos, 45% aprovam e 50% desaprovam. Acima de cinco salários mínimos, a relação é de 41% a 54%.

Entre beneficiários do Bolsa Família, 61% aprovam o governo e 32% desaprovam. Entre os não beneficiários, a aprovação cai para 45%, enquanto a desaprovação alcança 51%. No recorte religioso, Lula obtém aprovação de 53% entre católicos, mas de 37% entre evangélicos, segmento no qual a desaprovação chega a 58%.

Lula chega a 40% no primeiro turno e Flávio Bolsonaro recua para 28%

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 40%, o maior resultado da série iniciada em fevereiro de 2026. Flávio Bolsonaro registra 28%, após marcar 33% em maio e 29% em junho. A vantagem do petista passou de seis pontos em maio para 12 pontos em julho.

Os demais nomes permanecem distantes dos dois primeiros colocados:

  • Ronaldo Caiado (PSD): 4%;
  • Renan Santos (Missão): 3%;
  • Romeu Zema (Novo): 2%;
  • Cabo Daciolo (Mobiliza): 1%;
  • Augusto Cury (Avante): 1%;
  • Joaquim Barbosa (DC): 1%;
  • Samara Martins (UP): 1%;
  • Edmilson Costa (PCB), Heró Bezerra (PRTB) e Hertz Dias (PSTU): 0%.

Os indecisos representam 11%, enquanto votos brancos, nulos ou eleitores que afirmam não votar somam 8%.

Lula lidera no Nordeste; Flávio fica à frente no Sul

Lula alcança 55% no Nordeste, contra 24% de Flávio Bolsonaro. No Sudeste, o presidente tem 35% e o adversário, 28%. No Centro-Oeste/Norte, Lula marca 39%, Flávio 24% e Caiado obtém seu melhor desempenho regional, com 13%.

O Sul é a única região na qual Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente: 37% contra 29% de Lula. O resultado confirma a divisão regional observada nos índices de aprovação do governo.

Entre as mulheres, Lula tem 38% e Flávio, 25%. Entre os homens, os percentuais são de 42% e 30%, respectivamente. Por idade, Lula registra 34% entre os eleitores de 16 a 34 anos, 40% entre aqueles de 35 a 59 anos e 48% entre os entrevistados com 60 anos ou mais.

No eleitorado com ensino fundamental, Lula chega a 51%, ante 22% de Flávio. No ensino médio e superior, o resultado é mais equilibrado: Lula tem 34% e Flávio, 31% em ambos os segmentos.

A renda e a religião também evidenciam bases eleitorais distintas. Lula obtém 49% entre famílias com renda de até dois salários mínimos, ante 23% de Flávio. Acima de cinco salários mínimos, os índices são de 36% e 30%. Entre católicos, Lula lidera por 49% a 24%; entre evangélicos, Flávio aparece à frente por 39% a 26%.

Voto espontâneo cresce, mas 54% ainda não indicam candidato

Na pergunta espontânea, em que os nomes não são apresentados previamente, Lula alcança 26%, ante 14% de Flávio Bolsonaro. Outros nomes somam 5%, enquanto Jair Bolsonaro é mencionado por 1%.

Apesar do crescimento das manifestações espontâneas, 54% permanecem indecisos ou não indicam candidato. Em julho de 2025, essa parcela era de 68%, o que demonstra redução gradual da indefinição ao longo de um ano, mas ainda preserva espaço relevante para mudanças.

Entre os eleitores que já manifestam uma escolha, 65% afirmam que o voto é definitivo e 35% admitem que podem mudar até a eleição. Em março, somente 56% consideravam a decisão consolidada.

A firmeza é maior entre os eleitores de Lula: 77% dizem que a escolha é definitiva e 23% admitem mudança. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, 62% consideram o voto definitivo e 37% dizem que ainda podem rever a decisão.

Nas candidaturas menores, o grau de volatilidade é superior. O voto é considerado definitivo por 43% dos eleitores de Caiado, 35% dos apoiadores de Renan Santos e 30% dos que indicam Zema. Esses recortes, contudo, possuem bases amostrais menores e devem ser interpretados com cautela.

Lula vence os quatro cenários de segundo turno

A pesquisa testou quatro confrontos diretos. Em todos, Lula aparece numericamente à frente, com percentuais que variam de 45% contra 33% a 45% contra 37%.

Lula contra Flávio Bolsonaro

No confronto mais competitivo, Lula registra 45%, ante 37% de Flávio Bolsonaro. Brancos, nulos ou eleitores que não votariam somam 14%, enquanto 4% permanecem indecisos.

Em junho, o placar era de 44% a 38%. A vantagem do presidente, portanto, passou de seis para oito pontos percentuais.

Lula contra Ronaldo Caiado

Lula alcança 45%, contra 36% de Caiado. Outros 15% declararam voto branco, nulo ou ausência, e 4% não souberam responder.

Lula contra Romeu Zema

No confronto com Zema, Lula também obtém 45%, enquanto o adversário registra 35%. Votos brancos, nulos ou abstenções declaradas somam 16%, e os indecisos representam 4%.

Lula contra Renan Santos

A maior vantagem ocorre diante de Renan Santos: 45% a 33%. Nesse cenário, 18% votariam em branco, anulariam ou não compareceriam, enquanto 4% não indicaram preferência.

Os quatro cenários mostram que o desempenho de Lula permanece estável, em 45%, independentemente do adversário. A principal variação ocorre na capacidade dos candidatos oposicionistas de atrair os eleitores que rejeitam o presidente.

Lula tem maior potencial de voto; Flávio registra rejeição de 57%

Quando questionados sobre conhecimento, possibilidade de voto e rejeição, 47% dizem conhecer Lula e admitirem votar nele. Outros 50% afirmam conhecê-lo, mas não votariam, enquanto 3% declaram não conhecê-lo.

Flávio Bolsonaro tem potencial de voto de 38% e rejeição de 57%. Outros 5% afirmam não conhecê-lo. Entre junho e julho, a parcela que admite votar em Flávio recuou de 39% para 38%, enquanto a rejeição aumentou de 56% para 57%.

Caiado possui potencial de voto de 22%, rejeição de 34% e desconhecimento de 44%. Zema registra 19% de potencial, 31% de rejeição e 50% de desconhecimento.

Os demais nomes enfrentam níveis ainda mais elevados de desconhecimento. Joaquim Barbosa é desconhecido por 73%; Augusto Cury, por 76%; Cabo Daciolo, por 66%; e Renan Santos, por 77%. O quadro limita, neste momento, a capacidade dessas candidaturas de competir nacionalmente com Lula e Flávio Bolsonaro.

Percepção econômica permanece desfavorável

Apesar da recuperação política do governo, a percepção da população sobre a economia continua predominantemente negativa. Para 43%, a economia brasileira piorou nos últimos 12 meses. Outros 33% afirmam que ficou quase igual, enquanto apenas 20% dizem que melhorou. Não souberam responder 4%.

A percepção sobre alimentos é ainda mais crítica. 66% afirmam que os preços subiram no último mês, 23% dizem que ficaram iguais e somente 9% perceberam queda. Outros 2% não responderam.

Em relação ao poder de compra, 68% declaram que conseguem comprar menos do que há um ano. Para 21%, a capacidade de consumo permaneceu igual, e apenas 10% dizem conseguir comprar mais.

O mercado de trabalho também é percebido com cautela: 55% consideram que está mais difícil conseguir emprego do que há um ano, contra 36% que avaliam ser mais fácil. Outros 4% não percebem alteração e 5% não responderam.

Para os próximos 12 meses, entretanto, as expectativas são menos negativas. 39% esperam melhora da economia, enquanto 27% acreditam que o quadro permanecerá igual e outros 27% preveem piora. A parcela que não respondeu subiu para 7%.

Isenção do Imposto de Renda alcança 32% dos entrevistados

No bloco sobre a ampliação da isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física para rendimentos mensais de até R$ 5 mil, 32% afirmam que eles próprios ou suas famílias foram beneficiados. Outros 65% dizem não ter recebido benefício direto, e 3% não responderam.

Entre aqueles que declararam ter sido alcançados pela medida, 24% dizem que a renda aumentou significativamente e 35% relatam aumento, mas não muito. Outros 39% afirmam ainda não ter sentido diferença e 2% não responderam.

Desde fevereiro, a proporção de beneficiários que relata aumento significativo da renda passou de 15% para 24%. Paralelamente, o grupo que não percebeu diferença caiu de 50% para 39%.

Desenrola 2.0 é conhecido por 66%, mas benefício direto alcança 12%

O programa apresentado no questionário como Desenrola 2.0 é conhecido por 66% dos entrevistados, ante 34% que não haviam ouvido falar da iniciativa. Em maio, o nível de conhecimento era de 57%.

Para 55%, o programa é uma boa ideia. Outros 20% avaliam que a medida ajuda apenas um pouco, enquanto 21% a classificam como uma ideia ruim. Não souberam responder 4%.

Apesar da avaliação majoritariamente positiva, apenas 12% afirmam ter sido beneficiados diretamente, contra 87% que não receberam benefício e 1% que não respondeu.

Entre os que declararam ter participado do programa, 35% dizem que a renda aumentou significativamente, 31% relatam melhora limitada, 33% não perceberam diferença e 1% não respondeu.

Sobre endividamento, 47% afirmam ter poucas dívidas, 31% dizem não ter dívidas e 21% declaram possuir muitas. Em janeiro, 28% diziam ter muitas dívidas; o percentual recuou sete pontos até julho.

Fim da escala 6×1 tem apoio de 69%

No bloco em que o questionário apresentou o fim da escala de trabalho de seis dias por um de descanso como proposta aprovada na Câmara e encaminhada ao Senado, 75% afirmaram já conhecer o tema, enquanto 25% disseram que ainda não tinham conhecimento.

O apoio ao fim da escala 6×1 chega a 69%. Outros 22% são contrários, 4% não se posicionam nem a favor nem contra e 5% não souberam responder. O percentual favorável permanece próximo ao registrado em julho de 2025, quando era de 69%.

Metade dos entrevistados acredita que a eventual aprovação fará com que trabalhe menos horas por semana. Outros 45% não esperam redução e 5% não responderam. Entre lulistas, 65% acreditam em diminuição da jornada; na direita não bolsonarista, esse percentual cai para 41%; entre bolsonaristas, chega a 44%.

Entre aqueles que esperam trabalhar menos, 53% pretendem descansar e passar mais tempo com a família. Outros 13% procurariam trabalho adicional ou fariam horas extras; 12% utilizariam o período para estudar; 9% frequentariam igrejas ou cerimônias religiosas; 6% iriam a bares, restaurantes ou festas; e 4% viajariam.

Notícias negativas sobre o governo ainda predominam

Para 40%, as notícias divulgadas sobre o governo Lula são predominantemente negativas. Outros 33% consideram que as informações são mais positivas, 23% dizem não ter acompanhado notícias e 4% não responderam.

Em abril, 48% percebiam cobertura mais negativa e apenas 23% identificavam notícias positivas. A diferença, que era de 25 pontos, caiu para sete pontos em julho.

O movimento coincide com a recuperação da aprovação presidencial e com a redução da avaliação negativa do governo, mas a pesquisa não estabelece relação causal entre exposição noticiosa, avaliação administrativa e intenção de voto.

Divergência entre Michelle e Flávio Bolsonaro divide opiniões

O levantamento também avaliou a repercussão de vídeos atribuídos a Michelle Bolsonaro com críticas a Flávio Bolsonaro e às alianças políticas partidárias. 49% afirmaram já conhecer o episódio, enquanto 51% disseram que ainda não sabiam.

A resposta posterior de Flávio Bolsonaro, apresentada como um pedido de desculpas, teve alcance menor: 33% disseram já ter conhecimento, contra 67% que não tinham ouvido falar.

Para 45%, Michelle acertou ao tornar público o desentendimento; 38% consideram que ela errou e 17% não responderam. Quando questionados sobre a veracidade das declarações, 31% disseram que eram totalmente verdadeiras e 27%, parcialmente verdadeiras. Outros 16% as classificaram como totalmente falsas, enquanto 26% não souberam avaliar.

A principal motivação atribuída à publicação dos vídeos foi um suposto desejo de Michelle de disputar a Presidência no lugar de Flávio, alternativa apontada por 34%. Outros 25% entenderam que ela pretendia se opor a alianças políticas, e 16% disseram que teria reagido a ataques e desrespeitos.

Sobre uma eventual participação direta de Michelle na campanha, 47% avaliam que sua presença não aumentaria as chances de vitória de Flávio, enquanto 38% acreditam que haveria impacto positivo. Outros 15% não responderam.

No conflito apresentado, 42% dizem concordar mais com Michelle Bolsonaro, 18% com Flávio, 3% parcialmente com ambos e 22% com nenhum dos dois. Não souberam responder 15%.

Metade atribui impacto do caso Banco Master a todos os setores citados

Sobre o caso Banco Master, 44% afirmam estar bem informados, 25% dizem estar pouco informados e 31% declaram que não conheciam o assunto. Em junho, 42% se consideravam bem informados.

Quando questionados sobre quem teve a imagem mais prejudicada, 50% responderam que todos os setores apresentados foram afetados. Outros 14% citaram a família Bolsonaro; 8%, o governo Lula; 5%, o STF e o Judiciário; 4%, o Banco Central; e 1%, o Congresso Nacional.

Para 2%, nenhum dos setores foi atingido. Outros 16% não souberam responder. Em março, 40% atribuíam desgaste a todos os envolvidos; a proporção subiu dez pontos até julho.

Maioria desconhecia investigação envolvendo Jaques Wagner

No bloco dedicado às investigações apresentadas no questionário como envolvendo o senador Jaques Wagner e o Banco Master, 54% afirmaram que ainda não conheciam o caso. Outros 31% disseram estar bem informados e 15% declararam conhecimento limitado.

Após a apresentação do tema, 61% disseram acreditar que Wagner agiu de forma errada. Para 11%, não houve irregularidade, enquanto 28% não souberam responder.

A percepção de impacto eleitoral também é relevante: 37% avaliam que o caso prejudica muito negativamente a campanha de Lula e 25% consideram que o impacto existe, mas é limitado. Outros 22% não identificam efeito negativo, e 16% não responderam.

Para 43%, o episódio deve ser tratado como questão institucional do governo Lula. Outros 35% o consideram uma questão pessoal de Jaques Wagner, enquanto 22% não souberam se posicionar.

Os resultados medem percepções formadas a partir do enunciado apresentado aos entrevistados. Não constituem conclusão jurídica sobre responsabilidade, culpa ou eventual prática de ilícito, matérias dependentes das investigações, das manifestações das defesas e das decisões das autoridades competentes.

45% dizem que Lula merece mais quatro anos

Quando questionados independentemente da intenção de voto, 45% afirmam que Lula merece permanecer mais quatro anos na Presidência. Outros 51% discordam e 4% não responderam.

Em junho, o resultado era de 41% favoráveis à continuidade e 55% contrários. A diferença, que chegava a 14 pontos, caiu para seis pontos em julho.

A pesquisa também perguntou se Lula é mais moderado do que o PT. Para 41%, sim; 43% discordam; e 16% não responderam. Sobre Flávio Bolsonaro, 29% consideram que ele é mais moderado do que a família Bolsonaro, enquanto 54% discordam e 17% não souberam avaliar.

Volta da família Bolsonaro provoca mais temor do que reeleição de Lula

Questionados sobre qual possibilidade provoca mais medo, 46% indicaram o retorno da família Bolsonaro ao poder, enquanto 38% citaram mais um governo Lula.

Outros 8% afirmaram temer as duas alternativas, 4% não temem nenhuma e 4% não responderam. Em junho, a diferença era de seis pontos; em julho, passou para oito.

A divisão acompanha o posicionamento político. Lulistas e eleitores de esquerda concentram o temor no retorno dos Bolsonaro, enquanto bolsonaristas e integrantes da direita direcionam a preocupação à continuidade de Lula.

Violência lidera preocupações dos brasileiros

A violência é apontada como a maior preocupação nacional por 31% dos entrevistados. Saúde e economia aparecem em seguida, ambas com 15%. Corrupção soma 14%, problemas sociais, 13%, e educação, 5%. A categoria “outros” também totalizou 5%.

A violência permaneceu na liderança durante a maior parte da série, depois de atingir 38% em novembro de 2025. A economia, que chegou a 17% no início da série, perdeu espaço relativo, embora as respostas sobre preços, poder de compra e emprego permaneçam desfavoráveis.

Redes sociais superam televisão como principal fonte de informação política

As redes sociais são a principal fonte de informação política para 36% dos brasileiros, seguidas pela televisão, com 34%. Sites, blogs e portais são citados por 10%; outras fontes, por 9%; e 7% dizem não se informar sobre política. Rádio representa 1%, enquanto 3% não responderam.

A idade modifica substancialmente os hábitos. Entre pessoas de 16 a 34 anos, 52% utilizam prioritariamente redes sociais, ante 20% que recorrem à televisão. Entre 35 e 59 anos, as redes sociais somam 33% e a televisão, 34%. Entre aqueles com 60 anos ou mais, a TV alcança 55%, enquanto as redes ficam em 16%.

A renda também influencia o padrão informativo. Entre famílias com até dois salários mínimos, a televisão lidera com 37%, seguida pelas redes sociais, com 33%. Acima de cinco salários mínimos, as redes sociais alcançam 37%, a televisão fica em 29% e sites, blogs e portais chegam a 18%.

Análise da Pesquisa

Os dados revelam uma dissociação relevante entre avaliação administrativa, percepção econômica e comportamento eleitoral. Embora o governo esteja tecnicamente dividido entre aprovação e desaprovação e a maioria perceba perda de poder de compra, Lula mantém vantagem de 12 pontos no primeiro turno e lidera todos os confrontos diretos. Essa diferença decorre, em parte, da maior capacidade de retenção de sua base, do elevado desconhecimento dos candidatos alternativos e da rejeição de 57% registrada por Flávio Bolsonaro.

Os blocos sobre Michelle e Flávio Bolsonaro, Banco Master e Jaques Wagner mostram que episódios políticos e judiciais podem influenciar a disputa, mas também expõem limites de conhecimento prévio. Mais da metade desconhecia as investigações apresentadas envolvendo Wagner, e uma parcela expressiva não acompanhou a resposta de Flávio a Michelle. As respostas posteriores medem reações ao enquadramento fornecido pelo questionário e não substituem provas, manifestações das partes, apuração jornalística independente ou decisões judiciais.

O cenário permanece condicionado por três fatores centrais: a evolução concreta da renda e do custo dos alimentos, a capacidade da oposição de consolidar um candidato com menor rejeição e a repercussão institucional das investigações citadas. Governo, partidos, Justiça Eleitoral, instituições responsáveis pelas apurações e campanhas presidenciais terão papel decisivo na formação das escolhas. As próximas rodadas deverão indicar se a recuperação de Lula constitui tendência estável ou movimento sujeito às mudanças econômicas e políticas dos meses finais da disputa.


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