O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, participou, na noite de quinta-feira (09/07/2026), de uma plenária territorial do Programa de Governo Participativo — PGP 2026: Encontros para o Futuro, realizada no Jequié Tênis Clube, em Jequié, onde apresentou um balanço de 299 ações e investimentos próximos de R$ 1 bilhão no Território de Identidade Médio Rio de Contas desde 2023, ouviu reivindicações de representantes da agricultura familiar e dos povos indígenas e reforçou, ao lado de ministros, parlamentares, prefeitos e movimentos sociais, a estratégia de formular o próximo programa de governo por meio de consultas regionais.
Segundo estimativa divulgada pela organização, aproximadamente 10 mil pessoas participaram da atividade. O encontro reuniu moradores e lideranças dos municípios que integram o território, além do senador Jaques Wagner, do ministro da Casa Civil, Rui Costa, do vice-governador Geraldo Júnior, de deputados, prefeitos, vereadores e representantes de organizações sociais. A estimativa de público também foi citada por participantes do evento, mas não passou por verificação independente. Rio de Contas é formado por 16 municípios: Aiquara, Apuarema, Barra do Rocha, Boa Nova, Dário Meira, Gongogi, Ibirataia, Ipiaú, Itagi, Itagibá, Itamari, Jequié, Jitaúna, Manoel Vitorino, Nova Ibiá e Ubatã. A organização territorial é utilizada pelo Estado para planejamento, participação social e distribuição regional de políticas públicas. no apresenta balanço de 299 ações no Médio Rio de Contas
Durante a plenária, Jerônimo Rodrigues afirmou que o território recebeu 299 ações entre o início de sua gestão, em janeiro de 2023, e julho de 2026. O volume financeiro informado se aproxima de R$ 1 bilhão, abrangendo iniciativas nas áreas de infraestrutura, educação, saúde, abastecimento de água, desenvolvimento rural e fortalecimento da agricultura familiar.
Jequié concentra aproximadamente 53,6% do conjunto de ações e aportes estaduais destinados ao Médio Rio de Contas. A centralidade decorre, entre outros fatores, da condição do município como principal polo urbano, econômico, educacional e de prestação de serviços da região.
Jerônimo defende modelo de participação popular
Em seu pronunciamento, Jerônimo Rodrigues definiu o PGP como instrumento de escuta popular e afirmou que o próximo programa de governo deverá incorporar propostas apresentadas pelos territórios. O governador relacionou o método participativo ao modelo político-administrativo adotado pelo grupo que governa a Bahia desde 2007.
Ao retornar a Jequié, cidade onde estudou durante a juventude, o chefe do Executivo estadual também utilizou o discurso para estabelecer diferenças entre seu grupo e os adversários políticos. Sem citar nominalmente um opositor no trecho divulgado, declarou que “esse papo de ‘vou te humilhar’ não cabe na nossa política”.
Jerônimo acrescentou que “o chicote já arrebentou em 2006”, em referência ao marco eleitoral que levou Jaques Wagner ao Governo da Bahia. O governador criticou práticas que classificou como política da pressão, da compra de apoio, da mentira e da disseminação de notícias falsas.
As declarações deram ao encontro uma dimensão que ultrapassou a consulta programática. Além de receber propostas, a plenária funcionou como espaço de mobilização do grupo governista em um ano eleitoral, reunindo lideranças estaduais, gestores municipais, movimentos sociais e representantes de setores historicamente vinculados às administrações petistas.
Agricultura familiar relata impacto de políticas públicas
A participação da agricultora Thaís Lima Santos, da comunidade das Pombas, em Manoel Vitorino, foi utilizada para demonstrar os efeitos de programas estaduais de permanência estudantil e desenvolvimento rural.
Representando a agricultura familiar, ela relatou que concluiu a graduação na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia — Uesb com apoio do programa Mais Futuro. Após a formação universitária, passou a atuar na assistência técnica e na implantação de tecnologias sociais voltadas às comunidades rurais.
Entre as ações mencionadas estão a instalação de cisternas de produção e de cisternas escolares, equipamentos destinados a ampliar a segurança hídrica, apoiar atividades produtivas e melhorar as condições de funcionamento das unidades de ensino situadas em áreas rurais.
“Hoje eu tenho muito orgulho de dizer que estou levando políticas públicas para a minha família e para tantas outras comunidades. Vocês mudaram a minha vida”, declarou Thaís durante a plenária.
O relato evidencia a articulação entre políticas educacionais e desenvolvimento rural. A permanência de estudantes de baixa renda nas universidades públicas pode produzir resultados que ultrapassam o benefício individual, especialmente quando os profissionais formados retornam às comunidades de origem e passam a atuar em programas de assistência técnica, produção agrícola e segurança hídrica.
Povos indígenas reivindicam reparação e reconhecimento
A cacica Ana Paula Tupinambá apresentou demandas relacionadas ao reconhecimento das comunidades indígenas do Médio Rio de Contas e à ampliação da participação desses povos na formulação das políticas estaduais.
Em sua intervenção, ela reconheceu avanços no diálogo com o Governo da Bahia, mas defendeu a adoção de medidas de reparação histórica, proteção territorial, valorização cultural e reconhecimento institucional das comunidades indígenas existentes na região.
Encontros percorrem os territórios de identidade da Bahia
A plenária de Jequié integra a programação do PGP 2026: Encontros para o Futuro, iniciativa que percorre os 27 territórios de identidade da Bahia com o objetivo de reunir sugestões para o próximo programa político-administrativo do grupo liderado por Jerônimo Rodrigues.
As etapas anteriores foram realizadas em diferentes regiões do estado, incluindo plenárias com representantes da juventude, movimentos sociais, agricultores familiares, pessoas com deficiência, gestores municipais e lideranças comunitárias.
Em Juazeiro, por exemplo, uma plenária do PGP abordou demandas do Sertão do São Francisco e apresentou um balanço de investimentos estaduais. Em Itapetinga, a iniciativa reuniu lideranças do Médio Sudoeste para discutir prioridades regionais. ma também mantém uma plataforma digital destinada ao envio de propostas e ao acompanhamento das plenárias. O instrumento amplia a possibilidade de participação, embora a qualidade do processo dependa da divulgação posterior dos critérios de seleção e consolidação das sugestões. ostas deverão orientar documento político para 2026
As contribuições recebidas nos encontros serão reunidas para a elaboração do programa de governo a ser apresentado pelo grupo governista nas eleições de 2026. O documento deverá estabelecer compromissos, prioridades e metas para um eventual novo mandato.
O processo ocorre em meio à mobilização da base política de Jerônimo Rodrigues, que reúne o Partido dos Trabalhadores e legendas aliadas. A presença de Jaques Wagner, Rui Costa e Geraldo Júnior reforçou a demonstração de unidade entre lideranças que ocuparam ou ocupam posições centrais nos governos estadual e federal.
Durante o encontro, Wagner também mencionou resultados do ciclo anterior do PGP e defendeu a continuidade das administrações de Lula e Jerônimo. As afirmações integram o discurso político da base governista e devem ser confrontadas com indicadores oficiais e documentos de execução das propostas assumidas anteriormente. se crítica: participação social exige metas verificáveis e transparência
A realização de plenárias territoriais oferece uma oportunidade concreta de aproximar o planejamento político das necessidades dos municípios, especialmente em regiões onde comunidades rurais, povos indígenas e cidades de menor porte encontram dificuldades para acessar os centros de decisão. A presença numerosa do público revela capacidade de mobilização, mas a qualidade do processo não pode ser medida apenas pelo tamanho dos encontros ou pela quantidade de propostas recebidas.
O balanço de 299 ações e quase R$ 1 bilhão atribuído ao Médio Rio de Contas representa um dado relevante para avaliar a atuação estadual.







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