Nesta segunda-feira (21/09/2026), documentos e mensagens extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelados pela colunista Andreza Matais, do Metrópoles, ampliaram o escrutínio sobre a atuação jurídica em processos de precatórios do setor sucroalcooleiro: um contrato firmado com o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, do qual é sócia Camilla Ramos, esposa do desembargador federal Newton Ramos, previa honorários de êxito equivalentes a 5% dos valores que o banco recebesse em 12 processos, montante que poderia alcançar aproximadamente R$ 427 milhões diante de créditos estimados em R$ 8,5 bilhões. Conversas atribuídas a assessores de Vorcaro empregavam a expressão “Turma do KN” ao se referir a Newton e Camilla e, segundo a reportagem, associavam as iniciais “KN” ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Não há, nos elementos divulgados, comprovação de que os R$ 427 milhões tenham sido efetivamente pagos nem, por si só, demonstração de favorecimento judicial.
Contrato previa 5% sobre valores recebidos pelo Banco Master
O documento divulgado prevê que o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia atuaria em causas relacionadas ao setor sucroalcooleiro. O Banco Master aparece nos documentos como credor ou cessionário dos créditos discutidos judicialmente. A remuneração contratual corresponderia a 5% líquidos sobre os valores efetivamente recebidos pelo banco em caso de sucesso nos processos.
Considerando o valor de face atribuído aos 12 processos, estimado em aproximadamente R$ 8,5 bilhões, os honorários potenciais chegariam a cerca de R$ 427 milhões. O acordo alcançava também recursos e incidentes processuais derivados das ações e estipulava pagamento dos honorários em até cinco dias após a obtenção dos recursos. A banca também estaria autorizada a receber diretamente da União a parcela correspondente aos honorários e a inscrever precatórios em nome próprio.
A cifra de R$ 427 milhões, portanto, deve ser compreendida como remuneração condicionada ao êxito, e não como transferência financeira já demonstrada. Até o momento, o material publicamente divulgado não estabelece que esse montante tenha sido recebido pelo escritório, por Camilla Ramos, por Newton Ramos, por Nunes Marques ou por qualquer outra pessoa citada nas mensagens.
Quem é a chamada “Turma do KN”
Segundo a reportagem do Metrópoles, assessores de Vorcaro empregavam a expressão “Turma do KN” para identificar demandas relacionadas ao desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), e a sua esposa, Camilla Ramos. Em diferentes diálogos, pedidos atribuídos ao grupo eram submetidos ao aval do então controlador do Master.
As conversas incluem solicitações de reservas de hospedagem, inclusão de convidados em camarotes e outras providências logísticas. Em uma das mensagens reproduzidas pela reportagem, um pedido atribuído a Newton envolvia hospedagem no Fasano para uma pessoa identificada como “KN”. Em outra comunicação, a referência aparece vinculada nominalmente ao ministro Kassio Nunes Marques, segundo o conteúdo divulgado. Vorcaro teria autorizado que uma hospedagem fosse colocada em sua conta.
A existência dessas mensagens comprova que os interlocutores utilizaram determinadas expressões e registraram solicitações ou autorizações. Não comprova automaticamente que todos os pedidos tenham sido executados, que os beneficiários conhecessem a origem dos pagamentos ou que tenha existido contrapartida funcional. A determinação de eventual relevância criminal, disciplinar ou administrativa depende da reconstrução financeira e documental de cada episódio.
Newton Ramos e Camilla Ramos aparecem no núcleo das mensagens
Newton Pereira Ramos Neto integra o TRF-1 como desembargador federal desde 10/05/2023. Sua trajetória oficial registra ingresso na magistratura federal em 2005 e atuação anterior como juiz auxiliar em órgãos administrativos do tribunal. Atualmente, integra órgãos julgadores da Corte Federal da 1ª Região.
Camilla Ramos é sócia nominal do escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos, banca que informa atuar desde 2010 e possuir unidades em Brasília, Goiânia, São Luís, João Pessoa e São Paulo. O próprio escritório apresenta entre suas áreas de atuação serviços destinados a bancos e instituições financeiras.
Em manifestação publicada junto à reportagem sobre os novos documentos, Newton Ramos afirmou manter relação pessoal anterior com Vorcaro e disse que consultas ao empresário envolvendo imóveis e transportes estavam relacionadas à participação deste na empresa Prime You e a situações privadas. O desembargador declarou: “nunca julguei qualquer causa de interesse do Banco Master”.
Escritório já havia aparecido em controvérsia sobre precatórios do Master
A contratação de familiares de Newton Ramos pelo Banco Master já havia sido objeto de reportagens meses antes. Em abril de 2026, informações publicadas pelo Estadão e reproduzidas pelo Jornal de Brasília apontaram que Camilla Ramos e Gabriel Ramos, respectivamente esposa e filho do desembargador, foram contratados para atuar em processos relacionados à tentativa de liberação de aproximadamente R$ 1,6 bilhão em precatórios da União.
Na ocasião, Camilla e Gabriel afirmaram possuir qualificação e experiência para atuar nas causas. A nota sustentou que o escritório trabalhava em processos empresariais e no setor sucroalcooleiro e informou que Newton Ramos se declara impedido nos processos envolvendo os familiares.
É necessário distinguir aquela controvérsia do novo contrato de R$ 427 milhões: embora envolvam a mesma banca, o Banco Master e créditos do setor sucroalcooleiro, o material divulgado nesta segunda-feira descreve um instrumento relacionado a 12 processos e R$ 8,5 bilhões em valores de face. Os documentos públicos disponíveis não autorizam tratar automaticamente todas essas causas como um único conjunto processual.
Precatórios têm origem em disputa histórica sobre controle de preços
As ações mencionadas no contrato decorrem de litígios envolvendo indenizações reclamadas por empresas do setor de açúcar e álcool em razão de políticas governamentais de controle de preços adotadas pelo antigo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). O debate sobre a responsabilidade da União por prejuízos provocados pela fixação de preços abaixo dos custos de produção chegou ao Supremo há décadas.
Em 18/08/2020, ao julgar o Tema 826 da repercussão geral, o plenário do STF estabeleceu que o reconhecimento da responsabilidade civil da União nesses casos exige comprovação de efetivo prejuízo econômico mediante perícia técnica em cada processo concreto. A tese transitou em julgado em 31/03/2023.
Essa exigência é relevante porque demonstra que o direito ao recebimento não decorre apenas da existência histórica do controle de preços: o STF fixou a necessidade de prova individualizada do dano. O valor efetivamente exigível, portanto, pode depender da situação processual, dos títulos judiciais existentes e da forma como o prejuízo foi apurado em cada causa.
Caso da Destilaria Alcídia aparece nas mensagens
Entre os processos que ganharam relevância nas mensagens está o ARE 1.327.995, em que a União figura como recorrente e a Destilaria Alcídia S.A. como recorrida. O processo, relatado pelo ministro Edson Fachin, discutiu a execução de indenização ligada ao setor sucroalcooleiro e à aplicação da jurisprudência construída pelo STF.
Na sessão virtual encerrada em 20/02/2024, Fachin e Dias Toffoli votaram por rejeitar o recurso da União, enquanto André Mendonça e Gilmar Mendes divergiram. O julgamento ficou empatado porque Nunes Marques aparecia inicialmente como impedido. Em 07/03/2024, o ministro proferiu despacho afastando o impedimento registrado no sistema e declarou-se habilitado a votar.
O processo voltou a julgamento e, em 17/09/2024, Nunes Marques pediu vista. Ele devolveu os autos em 25/09/2024. Em 01/10/2024, a Segunda Turma, por maioria, negou provimento ao agravo da União. Ficaram vencidos Gilmar Mendes e André Mendonça; a posição vencedora reuniu Edson Fachin, Dias Toffoli e Nunes Marques.
Posteriormente, a União apresentou embargos de declaração. Em 03/06/2025, a Segunda Turma rejeitou esses embargos também por maioria, novamente com Gilmar Mendes e André Mendonça vencidos. O processo transitou em julgado em 10/10/2025.
Mensagens registraram comemoração do resultado
Mensagens posteriormente extraídas do telefone de Vorcaro registraram integrantes do círculo do banqueiro comemorando o desfecho favorável à Destilaria Alcídia. A existência desses diálogos e a relevância econômica atribuída pelo Master aos créditos do setor já haviam sido noticiadas antes da revelação do contrato de R$ 427 milhões.
O material divulgado nesta segunda-feira acrescenta que Camilla Ramos também comentou favoravelmente o voto de Nunes Marques, destacando a distinção feita pelo ministro entre diferentes situações envolvendo a definição dos critérios de indenização.
A coincidência entre interesse econômico do banco, atuação do escritório e acompanhamento dos julgamentos constitui elemento relevante para investigação e transparência institucional, mas não demonstra isoladamente que a decisão judicial tenha sido condicionada ao contrato ou a benefícios privados. Para estabelecer nexo dessa natureza seriam necessários elementos adicionais sobre conhecimento, intenção, comunicações, pagamentos e eventual contrapartida.
Nunes Marques nega atuação em benefício do Master
O gabinete de Kassio Nunes Marques rejeitou a interpretação de que o ministro tenha atuado em favor de Vorcaro ou do Banco Master. Em manifestação divulgada pelo Metrópoles, afirmou que o magistrado “nunca votou a favor de Daniel Vorcaro ou do Banco Master”, negou troca de mensagens entre ambos e sustentou que Nunes Marques nunca autorizou terceiros a falar em seu nome.
Sobre o ARE envolvendo a Destilaria Alcídia, a defesa do ministro afirmou que a anotação inicial de impedimento ocorreu porque Nunes Marques havia participado de questão relacionada quando era vice-presidente do TRF-1, mas que posteriormente concluiu não existir impedimento técnico porque o julgamento tratava de tese mais ampla. O andamento oficial do STF confirma que o ministro afastou formalmente o impedimento em 07/03/2024.
O gabinete também sustentou que o caso não era uma ação movida pelo Banco Master e que o entendimento jurídico poderia repercutir sobre diferentes empresas. Essa distinção é factual: no ARE 1.327.995, as partes formalmente registradas são União e Destilaria Alcídia S.A., embora reportagens e mensagens indiquem interesse econômico do Master em créditos vinculados ao setor.
Relações privadas e benefícios aparecem em outras mensagens
O novo material se soma a uma sequência de reportagens sobre relações entre pessoas próximas ao Banco Master, Camilla e Newton Ramos e Nunes Marques. Em setembro, mensagens atribuídas ao celular de Vorcaro indicaram a organização de hospedagem durante o Carnaval de 2025 para um “ministro KN” e Newton Ramos em uma residência no Joá, no Rio de Janeiro. Segundo a apuração publicada pelo Metrópoles, investigadores da Polícia Federal identificaram “KN” como referência a Nunes Marques. O ministro respondeu que nunca trocou mensagens com Vorcaro nem lhe fez pedidos.
Outro episódio já tornado público envolve viagem realizada em 14/11/2025, de Brasília para Maceió, para a festa de aniversário de Camilla Ramos. O gabinete do ministro confirmou que Nunes Marques e a esposa participaram da viagem e declarou que Camilla ficou responsável pelo voo e pelos detalhes do deslocamento. A aeronave era operada pela Prime Aviation, vinculada à estrutura empresarial da Prime You.
Esses registros ampliam a necessidade de esclarecimento sobre quem efetivamente pagou cada despesa, quem tinha conhecimento da origem dos recursos e se alguma relação privada coincidiu com atos jurisdicionais de interesse econômico de pessoas ou empresas envolvidas. Os fatos divulgados, contudo, devem ser examinados individualmente e não permitem presumir ilicitude apenas pela existência de relações sociais ou profissionais.
Filho de Nunes Marques também foi citado em mensagens
Em 15/09/2026, mensagens extraídas do celular de Vorcaro reveladas pelo Metrópoles relacionaram o nome e o telefone do advogado Kevin Marques, filho de Nunes Marques, à expressão “500 mil mês” em uma conversa entre o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, e Vorcaro. O próprio material não comprovou que esse valor tenha sido efetivamente pago.
Kevin Marques afirmou ter prestado serviços jurídicos especializados à empresa Consult Inteligência Tributária, da qual recebeu R$ 281,6 mil, e negou vínculo profissional com Vorcaro ou com o Banco Master. Nunes Marques também negou que o filho tenha recebido pagamentos do banco.
Essa distinção permanece essencial: uma mensagem interna atribuindo determinado valor a uma pessoa constitui evidência documental da conversa, mas não substitui comprovantes bancários, contratos, notas fiscais, registros contábeis ou outros elementos capazes de demonstrar se a operação ocorreu e qual foi sua finalidade.
Documentos integram acervo entregue à investigação do Caso Master
Segundo o Metrópoles, o contrato e as mensagens fazem parte do HD encaminhado pela Polícia Federal, em julho de 2026, ao gabinete do ministro André Mendonça, relator de procedimentos relacionados ao Caso Master. A circulação e o tratamento desse acervo se tornaram objeto de disputa interna no Supremo diante da existência de referências a diferentes integrantes da Corte.
Em setembro, o STF passou a discutir formalmente a tramitação de petições originadas de relatórios produzidos a partir de informações extraídas do telefone de Vorcaro. Na sessão de 15/09/2026, o ministro Flávio Dino pediu vista da Petição 16.662, interrompendo a análise de uma questão de ordem sobre possível reunião do processo com a Petição 16.704. O Supremo informou expressamente que o mérito das petições não havia sido examinado.
Na mesma sessão, o registro oficial do STF informa que Nunes Marques estava impedido e Dias Toffoli declarou suspeição. A questão de ordem também tratava da possibilidade de identificação e manifestação de magistrados mencionados no caso Master sobre os quais existissem indícios relacionados a recebimento indevido de valores.
Precatórios já haviam provocado intervenção do CNJ
O contexto dos créditos adquiridos pelo Master também se insere em uma discussão mais ampla sobre a regularidade de precatórios federais. Em 04/06/2025, a Corregedoria Nacional de Justiça informou ter suspendido a expedição de 35 precatórios pelo TRF-1 diante da ausência de comprovação do trânsito em julgado. A medida decorreu de Pedido de Providências apresentado pela Advocacia-Geral da União.
Depois da decisão, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o próprio TRF-1 realizou levantamento e suspendeu outros 4.525 precatórios, que somavam mais de R$ 20,5 bilhões. A Resolução CNJ 303/2019 exige comprovação do trânsito em julgado da fase executiva para a expedição do precatório.
Reportagem de abril de 2026 apontou que o Master havia adquirido créditos de três usinas que somavam aproximadamente R$ 1,6 bilhão e tentava obter a liberação dos valores. Esses casos ajudam a compreender a estratégia de aquisição de direitos creditórios do setor, mas não devem ser automaticamente confundidos com todos os 12 processos relacionados ao contrato de honorários agora revelado.
Banco Master foi liquidado em novembro de 2025
O Banco Central decretou em 18/11/2025 a liquidação extrajudicial do Banco Master S.A., do Banco Master de Investimento, do Letsbank e da corretora do conglomerado. Segundo o BC, a medida decorreu de grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.
Em 17/03/2026, o Banco Central também transformou em liquidação extrajudicial o regime especial que ainda alcançava o Banco Master Múltiplo. As instituições do conglomerado permanecem entre aquelas submetidas a regime de resolução pela autoridade monetária.
Paralelamente, a Polícia Federal mantém a Operação Compliance Zero. Em 09/07/2026, a corporação deflagrou a décima fase da operação e informou investigar, entre outros pontos, possível organização criminosa, crimes contra o sistema financeiro, embaraço a investigações e obtenção indevida de informações sigilosas. As imputações continuam sujeitas à apuração e ao devido processo legal.
O que os documentos comprovam — e o que permanece em aberto
Os elementos disponíveis permitem afirmar que existe um contrato prevendo honorários de êxito de 5% relacionados a 12 processos, que o valor potencial foi calculado em aproximadamente R$ 427 milhões, que o Master aparece como credor ou cessionário de créditos e que mensagens do círculo de Vorcaro utilizavam a expressão “Turma do KN” ao tratar de Newton e Camilla Ramos. Também está documentado que Nunes Marques participou do julgamento da Destilaria Alcídia após afastar impedimento inicialmente registrado.
Permanece sem comprovação pública, porém, se os R$ 427 milhões chegaram a ser pagos; quanto dos R$ 8,5 bilhões foi efetivamente recuperado; quais dos 12 processos produziram resultado financeiro; se despesas mencionadas nas mensagens foram integralmente custeadas por Vorcaro; quem conhecia a origem desses recursos; e se existiu qualquer relação causal entre benefícios privados e atos jurisdicionais.
Também exige esclarecimento a extensão da atuação de cada advogado, a cronologia entre contratação, contatos, julgamentos e eventuais pagamentos, além da identificação de todas as pessoas mencionadas nas conversas. Essas respostas dependem de documentos financeiros, contratos integrais, registros de viagem, notas fiscais, dados bancários, manifestações formais das partes e decisões das autoridades competentes.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 18/08/2020 — STF fixa o Tema 826: o Supremo estabelece que indenizações decorrentes da política de preços do setor sucroalcooleiro dependem de comprovação de prejuízo econômico mediante perícia técnica em cada caso. A tese se torna referência para litígios posteriores.
- 21/02/2024 — julgamento da Destilaria Alcídia fica empatado: Fachin e Toffoli formam uma corrente; André Mendonça e Gilmar Mendes divergem. Nunes Marques aparece como impedido.
- 07/03/2024 — Nunes Marques afasta o impedimento: o ministro registra formalmente que estava habilitado a votar no ARE 1.327.995.
- 11/04/2024 — audiência sobre causa sucroalcooleira: Gilmar Mendes posteriormente confirmou ter recebido Vorcaro e advogados do Master em audiência institucional no STF para tratar do ARE 1.327.995. O ministro votaria contra a posição economicamente defendida pelo banco.
- 17/09/2024 — Nunes Marques pede vista: a análise do processo da Destilaria Alcídia é novamente interrompida.
- 01/10/2024 — Segunda Turma decide por 3 a 2: prevalece a corrente formada por Fachin, Toffoli e Nunes Marques; Gilmar Mendes e André Mendonça ficam vencidos. Mensagens do círculo de Vorcaro registram comemoração do resultado.
- Dezembro de 2024 — contratação de familiares de Newton Ramos é situada em reportagens anteriores: Camilla e Gabriel Ramos passam a atuar em demandas relacionadas a precatórios de interesse econômico do Master, segundo reportagem publicada posteriormente.
- 04/06/2025 — CNJ intervém em precatórios do TRF-1: a Corregedoria Nacional suspende 35 requisições sem comprovação de trânsito em julgado; levantamento posterior identifica outros 4.525 precatórios, superiores a R$ 20,5 bilhões.
- 03/06/2025 — STF rejeita embargos no caso Alcídia: a maioria mantém o resultado anterior; Gilmar Mendes e André Mendonça ficam vencidos.
- 14/11/2025 — viagem para aniversário de Camilla Ramos: Nunes Marques e a esposa viajam a Maceió; o gabinete afirma que a advogada organizou e custeou o deslocamento.
- 18/11/2025 — Banco Central decreta liquidação do Master: a autoridade monetária aponta crise de liquidez, comprometimento econômico-financeiro e graves violações regulatórias.
- 10/10/2025 — ARE 1.327.995 transita em julgado: o processo da Destilaria Alcídia encerra sua tramitação no STF.
- Julho de 2026 — acervo do celular de Vorcaro chega ao gabinete de André Mendonça: segundo o Metrópoles, um HD contendo mensagens e documentos integra o material encaminhado pela PF.
- 15/09/2026 — novas mensagens envolvendo Nunes Marques vêm a público: diálogos citam Kevin Marques e valores atribuídos a pagamentos mensais; pai e filho negam vínculo financeiro com o Master nos termos sugeridos pelas mensagens.
- 15/09/2026 — STF suspende análise de petições do Caso Master: Flávio Dino pede vista; o mérito não é apreciado. Nunes Marques aparece impedido e Toffoli declara suspeição.
- 17 a 18/09/2026 — mensagens sobre Carnaval de 2025 são divulgadas: reportagem aponta estrutura organizada para hospedar um ministro identificado como “KN”; Nunes Marques nega ter feito pedidos a Vorcaro.
- 21/09/2026 — contrato de R$ 427 milhões é revelado: reportagem de Andreza Matais publica detalhes do acordo de honorários envolvendo 12 processos e aproximadamente R$ 8,5 bilhões em créditos de interesse do Master.
A relevância pública dos documentos decorre menos do tamanho isolado dos honorários do que da sobreposição entre interesses econômicos bilionários, relações profissionais, vínculos pessoais e decisões judiciais. Um contrato de êxito, sozinho, não demonstra irregularidade; relações pessoais entre magistrados e advogados também não constituem prova de ilícito. O problema institucional surge quando essas relações aparecem simultaneamente em mensagens sobre processos capazes de alterar substancialmente o valor de ativos mantidos por uma instituição financeira que, posteriormente, foi liquidada e passou a ocupar o centro de extensa investigação federal.
O ponto probatório central continua sendo o nexo. Para transformar coincidências temporais, mensagens, hospedagens, viagens ou relações sociais em evidência de favorecimento indevido, será necessário demonstrar quem pagou, quem recebeu, quem sabia da origem dos recursos, quais pedidos foram atendidos e se alguma decisão funcional foi condicionada direta ou indiretamente a vantagem privada. Sem essa cadeia documental, alegações de corrupção, venda de decisão ou tráfico de influência permaneceriam conclusões não demonstradas pelos elementos publicamente disponíveis.
Ao mesmo tempo, as lacunas justificam apuração aprofundada. A investigação deve confrontar o contrato integral com extratos bancários e registros contábeis, individualizar os 12 processos, reconstruir os fluxos de titularidade dos precatórios, verificar os resultados de cada demanda e comparar as datas dos atos judiciais com contatos, viagens e pagamentos. Também é necessário delimitar se os fatos envolvendo precatórios suspensos pelo CNJ pertencem ao mesmo universo de créditos ou a operações distintas, evitando que casos juridicamente diferentes sejam indevidamente agregados.
O núcleo factual, até 21/09/2026, é que o acervo atribuído ao celular de Daniel Vorcaro contém um contrato potencial de R$ 427 milhões, vinculado a R$ 8,5 bilhões em causas do setor sucroalcooleiro, e mensagens que aproximam interlocutores do ex-controlador do Master de pessoas próximas ao ministro Kassio Nunes Marques. Caberá à Polícia Federal, ao STF, à Procuradoria-Geral da República, aos órgãos de controle do Judiciário e às partes citadas esclarecer pagamentos, responsabilidades e eventual relevância jurídica das relações reveladas, preservando simultaneamente o dever de investigação e a presunção de inocência.








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