Nesta quinta-feira (10/09/2026), a crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) e as investigações relacionadas ao Banco Master ganhou novos desdobramentos: o ministro André Mendonça apura se outros três integrantes da Corte também foram objeto de levantamentos da PF; o presidente do Supremo, Edson Fachin, cancelou pela segunda vez consecutiva uma sessão plenária; Alexandre de Moraes marcou e posteriormente cancelou um pronunciamento; e o Partido dos Trabalhadores (PT) pediu aos ministros Mendonça e Flávio Dino a retirada do sigilo de investigações relacionadas ao banco. Os movimentos ocorrem enquanto a Presidência do STF tenta centralizar os procedimentos que envolvem integrantes da própria Corte e prepara uma sessão extraordinária para 15/09/2026.
O novo ponto relacionado a Mendonça amplia uma controvérsia surgida após a divulgação de documentos de inteligência produzidos pela Polícia Federal. Segundo o conteúdo disponível, o ministro passou a verificar se outros três ministros do STF também teriam sido objeto de levantamentos semelhantes. Os nomes desses magistrados não constam das informações fornecidas, o que impede identificá-los sem documentação adicional.
A apuração precisa ser considerada dentro de um cenário processual alterado pelas decisões tomadas por Fachin na quarta-feira (09/09/2026). O presidente do STF determinou que procedimentos destinados a investigar integrantes da Corte sejam submetidos previamente à Presidência, suspendeu medidas conflitantes adotadas por Mendonça e Dino e centralizou a condução institucional da crise.
Relatórios da PF estão no centro da disputa institucional
A controvérsia ganhou dimensão pública depois que surgiram relatórios de inteligência da Polícia Federal sobre a atuação de André Mendonça nas operações Compliance Zero, relacionada ao Banco Master, e Sem Desconto, referente às fraudes investigadas no INSS. Os documentos analisavam decisões, procedimentos e relações institucionais do ministro, além de apresentarem hipóteses sobre a condução de investigações.
Mendonça afirmou que pelo menos seis relatórios de inteligência, produzidos entre 03 e 31 de agosto de 2026, acompanharam sua atuação e sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias. Para o ministro, houve um “monitoramento sistemático” realizado sem fundamento jurídico adequado. A Polícia Federal, por sua vez, sustentou em diferentes manifestações que sua atuação ocorreu no contexto das investigações sob análise institucional.
Os documentos divulgados apresentam uma particularidade relevante para a avaliação de seu alcance: parte deles trabalha com hipóteses de inteligência, graus reduzidos ou moderados de confiança e ressalvas quanto à utilização das análises como prova. Essa circunstância passou a integrar a disputa jurídica sobre a regularidade da produção e do uso dos relatórios.
Mendonça afastou direção da PF e Fachin suspendeu decisões
Na terça-feira (08/09/2026), Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. Segundo o ministro, a permanência dos dois nos cargos poderia interferir na apuração sobre a origem, produção e circulação dos relatórios.
A Segunda Turma do STF iniciou julgamento virtual da medida. Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques votaram pelo afastamento, formando maioria, mas Gilmar Mendes pediu vista e interrompeu a conclusão do julgamento.
No dia seguinte, Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada. Dino argumentou, entre outros pontos, que questões envolvendo a regularidade dos relatórios já estavam sendo analisadas pela Presidência do Supremo e questionou a competência de Mendonça para afastar a direção da corporação em procedimento no qual o próprio ministro se apresentava como atingido pelos documentos.
Fachin assume controle dos procedimentos e retira Moraes do Inquérito 4.781
Diante das decisões contraditórias, Edson Fachin interveio na quarta-feira (09/09/2026). O presidente do STF suspendeu tanto a determinação de Mendonça quanto a decisão posterior de Dino. Na prática, Andrei Rodrigues permaneceu na direção-geral da Polícia Federal, uma vez que a ordem que determinava seu afastamento deixou de produzir efeitos.
Fachin também retirou Alexandre de Moraes da relatoria do Inquérito 4.781, conhecido como Inquérito das Fake News, preservando os atos anteriormente praticados pelo ministro. Procedimentos ainda pendentes retornaram à Presidência do Supremo, responsável por avaliar sua tramitação.
A Presidência justificou sua intervenção pela existência de “conflitos e sobreposições processuais” capazes de provocar decisões contraditórias. Fachin já havia aberto, em 03/09/2026, procedimento para colher esclarecimentos de Alexandre de Moraes, André Mendonça, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de Andrei Rodrigues sobre a atuação das autoridades nas investigações. O STF ressaltou que essa instrução não representa antecipação de julgamento sobre a regularidade das condutas questionadas.
Fachin cancela segunda sessão consecutiva do STF
Nesta quinta-feira (10/09/2026), Fachin cancelou pela segunda vez consecutiva uma sessão do plenário do Supremo. A sessão da quarta-feira (09/09) também havia sido suspensa durante a escalada do conflito envolvendo Mendonça, Dino, Moraes e a direção da Polícia Federal.
A assessoria da Presidência do STF não informou oficialmente o motivo do cancelamento desta quinta-feira. Por isso, embora a interrupção dos trabalhos ocorra em meio ao esforço para conter as divergências internas, não há base documental disponível para afirmar que Fachin formalmente cancelou a sessão “para evitar atritos”. Essa interpretação decorre do contexto político e institucional, e não de justificativa pública apresentada pela Corte.
Permanece prevista uma sessão extraordinária para terça-feira (15/09/2026). O plenário deverá examinar questões relacionadas aos relatórios policiais, à possibilidade de investigação envolvendo Moraes e às controvérsias processuais acumuladas durante a crise.
Moraes marca e depois cancela pronunciamento
Outro movimento registrado nesta quinta-feira envolveu Alexandre de Moraes. O ministro inicialmente informou que faria um pronunciamento, mas a manifestação foi cancelada horas depois. A assessoria do STF indicou que a fala deverá ser remarcada.
O assunto do pronunciamento não foi oficialmente informado. Reportagens publicadas nesta quinta-feira indicam, com base em interlocutores, que Moraes preparava uma manifestação para responder às controvérsias que passaram a envolvê-lo e à disputa institucional com Mendonça. Essa informação, porém, deriva de apuração jornalística e não de comunicado oficial do ministro.
O episódio ocorre depois de Fachin retirar Moraes da condução do Inquérito das Fake News e determinar que procedimentos envolvendo ministros da Corte sejam submetidos à Presidência. A reorganização transfere para o colegiado e para o comando institucional do STF decisões que vinham sendo tomadas em processos conduzidos separadamente por diferentes gabinetes.
Caso Master originou sucessão de questionamentos dentro do STF
Parte central da crise deriva das investigações sobre o Banco Master e dos materiais apreendidos relacionados ao ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro. Em 01/09/2026, Mendonça determinou verificações sobre referências existentes no material a Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, encaminhou informações à Procuradoria-Geral da República e retirou o sigilo de peças relacionadas às mensagens analisadas.
Posteriormente, a PGR questionou a validade de procedimentos adotados na obtenção e tratamento das informações. A controvérsia passou a envolver não apenas o conteúdo encontrado nos dispositivos apreendidos, mas também os limites da atuação da PF, do ministro relator, da Procuradoria-Geral da República e do próprio Supremo quando investigações alcançam autoridades detentoras de foro.
Alexandre de Moraes também encaminhou a Fachin documentos e relatórios policiais e apontou possíveis irregularidades na condução das investigações por Mendonça. As alegações incluem referências a abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade, mas permanecem como imputações sujeitas à análise, ao contraditório e a eventual decisão institucional.
PT pede retirada do sigilo de investigações do Banco Master
Em outra frente, o Partido dos Trabalhadores protocolou pedidos para que investigações relacionadas ao Banco Master sejam tornadas públicas. As petições foram encaminhadas na noite de quarta-feira (09/09/2026) aos ministros André Mendonça e Flávio Dino, relatores de procedimentos que possuem vínculos com os fatos investigados.
Segundo o partido, a circulação de informações fragmentadas ou obtidas por canais não institucionais poderia comprometer a compreensão integral das investigações e produzir repercussões sobre a disputa eleitoral de 2026. O PT argumenta que a publicidade dos autos permitiria tratamento uniforme das informações disponíveis. Essas alegações constituem a posição jurídica e política da legenda e ainda dependem de decisão dos ministros responsáveis pelos processos.
A iniciativa ocorreu depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defender publicamente a retirada completa do sigilo. Na quarta-feira, Lula afirmou ser urgente divulgar as investigações de todos os envolvidos e declarou: “O Brasil precisa saber a verdade”. Também criticou o que classificou como vazamentos seletivos com impacto sobre a disputa eleitoral.
Transparência disputa espaço com preservação das investigações
O pedido de levantamento integral do sigilo introduz uma questão adicional na crise. De um lado, há demanda política e institucional por publicidade de documentos capazes de esclarecer referências a autoridades públicas; de outro, investigações criminais podem conter diligências em andamento, dados pessoais, informações protegidas e elementos cuja divulgação antecipada pode comprometer procedimentos investigativos.
A decisão sobre a publicidade, portanto, pertence às autoridades judiciais responsáveis pelos processos e deverá considerar os requisitos legais aplicáveis a cada peça. O fato de parte dos autos já ter sido divulgada não implica automaticamente que todo o conteúdo possa ser tornado público.
Esse ponto se torna especialmente relevante porque diferentes documentos relacionados ao caso possuem natureza distinta. Relatórios de inteligência, elementos produzidos como prova, mensagens apreendidas, manifestações da PGR e decisões judiciais não possuem necessariamente o mesmo regime jurídico nem o mesmo valor probatório.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 01/09/2026 — André Mendonça determina à PF verificações sobre referências a Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues no material ligado ao caso Banco Master, encaminha informações à PGR e retira o sigilo de peças do procedimento; a medida amplia o escrutínio sobre autoridades citadas nas mensagens.
- 03/09/2026 — Edson Fachin abre procedimento na Presidência do STF e solicita esclarecimentos de Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues sobre a condução das investigações e os documentos policiais.
- 03/09/2026 — Alexandre de Moraes encaminha relatórios e documentos a Fachin e aponta possíveis irregularidades atribuídas à atuação de Mendonça; as imputações ficam sujeitas a contraditório e análise institucional.
- 08/09/2026 — Mendonça afirma ter sido submetido a monitoramento sistemático da inteligência da PF, baseado em pelo menos seis relatórios produzidos entre 03 e 31 de agosto, e determina o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e Leandro Almada.
- 08/09/2026 — A Segunda Turma forma maioria com Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques favoráveis à medida; Gilmar Mendes pede vista, interrompendo a conclusão do julgamento.
- 09/09/2026 — Flávio Dino determina a reintegração dos dois dirigentes da PF e questiona aspectos processuais e de competência relacionados à decisão de Mendonça.
- 09/09/2026 — Fachin suspende as decisões conflitantes de Mendonça e Dino, mantém Andrei Rodrigues no cargo, centraliza procedimentos envolvendo ministros e retira Moraes da relatoria do Inquérito das Fake News.
- 09/09/2026 — O presidente Lula pede a retirada completa do sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master e critica vazamentos seletivos.
- Noite de 09/09/2026 — O PT encaminha petições a Mendonça e Dino solicitando o levantamento do sigilo de investigações relacionadas ao Banco Master.
- 10/09/2026 — O conteúdo disponível informa que Mendonça apura se outros três ministros do STF também foram objeto de levantamentos da Polícia Federal; os nomes não foram apresentados.
- 10/09/2026 — Fachin cancela pela segunda vez consecutiva uma sessão plenária; a Presidência não informa oficialmente a razão do cancelamento.
- 10/09/2026 — Alexandre de Moraes anuncia e posteriormente cancela um pronunciamento; o tema da manifestação não é informado oficialmente.
- 15/09/2026 — O STF prevê realizar sessão extraordinária para analisar questões relacionadas aos relatórios da PF e aos procedimentos envolvendo integrantes da Corte.
A sucessão de decisões evidencia que a questão deixou de se restringir às investigações financeiras relacionadas ao Banco Master. O centro da controvérsia passou a incluir quem pode investigar integrantes do STF, quais procedimentos devem ser observados, como relatórios de inteligência podem ser utilizados e qual autoridade deve resolver conflitos entre ministros quando os próprios magistrados aparecem simultaneamente como responsáveis por processos, autores de decisões ou pessoas mencionadas em documentos. A decisão de Fachin de concentrar essas questões na Presidência e levá-las ao plenário procura substituir comandos individuais e concorrentes por uma resposta colegiada.
A documentação disponível também exige distinção entre diferentes categorias de informação. A existência dos relatórios da PF e das decisões judiciais que os mencionam é verificável; as avaliações feitas dentro desses documentos, entretanto, incluem hipóteses, inferências e graus variados de confiança. Da mesma forma, as acusações formuladas por Moraes contra Mendonça e as afirmações de Mendonça sobre monitoramento ilegal ainda precisam ser submetidas aos procedimentos institucionais adequados. Transformar essas alegações em responsabilidades definitivamente estabelecidas anteciparia conclusões que os órgãos competentes ainda não produziram.
O pedido do PT pelo fim do sigilo adiciona à discussão uma dimensão de transparência pública e eleitoral, mas não elimina os limites jurídicos relacionados à proteção de diligências, dados pessoais e elementos ainda submetidos à investigação. A decisão sobre quanto do material poderá ser divulgado deverá demonstrar critérios uniformes e juridicamente fundamentados, especialmente porque a circulação parcial de documentos alimenta acusações de seletividade provenientes de diferentes campos políticos.
O núcleo factual da crise permanece, portanto, concentrado na relação entre STF, Polícia Federal, PGR e investigações do Banco Master. A sessão prevista para 15/09/2026 deverá assumir relevância para definir os limites processuais das apurações, a situação dos documentos produzidos pela PF e o tratamento das controvérsias envolvendo ministros da própria Corte. Caberá ao plenário do Supremo, à Presidência do Tribunal, à Procuradoria-Geral da República e às instâncias competentes da Polícia Federal estabelecer os próximos passos com observância do contraditório, da competência legal e da integridade das provas.








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