‘Dark Horse’: PF investiga financiamento de Vorcaro, atuação de Flávio Bolsonaro e orientação de Eduardo sobre recursos nos EUA

Neste sábado (12/09/2026), documentos tornados públicos no âmbito do Caso Banco Master consolidaram “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, como uma das principais frentes políticas e financeiras da investigação conduzida pela Polícia Federal. O procedimento tem Flávio Bolsonaro formalmente investigado por suspeitas que incluem lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, examina recursos negociados com Daniel Vorcaro para financiar a produção e contém mensagens nas quais Eduardo Bolsonaro, segundo relatório policial, teria indicado formas de administrar valores destinados ao projeto nos Estados Unidos. As pessoas citadas negam irregularidades.

Flávio Bolsonaro aparece como interlocutor do financiamento

A documentação indica que Flávio Bolsonaro atuou diretamente nas conversas destinadas a obter recursos de Vorcaro para a realização do filme.

Em 22/07/2026, Mendonça autorizou formalmente a investigação do senador. A condição de investigado tornou-se pública em setembro, depois da ampliação da publicidade dos procedimentos relacionados ao Master.

A apuração envolve operações financeiras nacionais e internacionais. Registros anteriores citados pelo Jornal Grande Bahia também apontaram transferência de aproximadamente US$ 1,6 milhão de Vorcaro ao fundo Havengate, estrutura associada ao financiamento do filme, em setembro de 2025.

Eduardo Bolsonaro aparece em mensagens sobre os EUA

Outro núcleo da investigação envolve Eduardo Bolsonaro.

Segundo a PF, mensagens de março de 2025 indicam que ele teria orientado Thiago Miranda, intermediário ligado ao projeto, sobre formas de administrar recursos destinados à produção nos Estados Unidos.

A existência dessas mensagens não demonstra, isoladamente, que os recursos tenham origem ilícita ou que Eduardo tenha praticado crime. O material é analisado no contexto mais amplo das transferências internacionais e da estrutura financeira da produção.

Valores e versões estão sob confronto

As cifras atribuídas ao projeto variam de acordo com a fonte documental examinada.

Informações da investigação citam negociação de financiamento de pelo menos US$ 24 milhões, enquanto levantamentos anteriores identificaram parcelas efetivamente transferidas em montantes inferiores.

Uma perícia privada apresentada pela produtora sustentou que a parte brasileira da produção custou R$ 20,9 milhões. A PF, entretanto, trabalha com registros financeiros e dados do Coaf que apresentam outra composição de entradas e despesas.

Essa divergência torna necessária a reconstrução integral do fluxo de dinheiro antes de qualquer conclusão definitiva sobre origem, aplicação ou eventual desvio dos recursos.

Investigação também alcança emendas e estruturas privadas

Outra frente, conduzida separadamente, investiga possíveis relações entre recursos de emendas parlamentares destinadas pelo deputado Mário Frias e organizações vinculadas a pessoas posteriormente envolvidas na produção cinematográfica.

A existência simultânea de recursos privados fornecidos por Vorcaro e verbas públicas destinadas a entidades relacionadas a agentes do projeto não prova que os dois fluxos tenham sido misturados.

A hipótese policial depende da demonstração de conexões financeiras específicas, datas, beneficiários e operações capazes de vincular os circuitos.

Filme ganhou dimensão eleitoral

“Dark Horse” passou a produzir impacto além da investigação financeira porque Flávio Bolsonaro disputa a Presidência da República.

O senador afirmou que considera positiva a retirada do sigilo e sustenta que os documentos demonstrarão sua inocência.

A distribuidora Europa Filmes também negou neste sábado informações divulgadas nas redes sobre uma suposta pré-estreia em 30 de setembro, afirmando que o longa não possui data oficial de lançamento e não será lançado antes ou durante o período eleitoral.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • Janeiro de 2025 — Comunicações investigadas indicam que o financiamento de “Dark Horse” já integrava as prioridades discutidas com Vorcaro.
  • Março de 2025 — PF identifica mensagens atribuídas a Eduardo Bolsonaro com orientações sobre gestão de recursos nos Estados Unidos.
  • Setembro de 2025 — Relatório do Coaf registra aproximadamente US$ 1,6 milhão transferido por Vorcaro ao fundo Havengate.
  • 22/07/2026 — André Mendonça autoriza investigação que inclui Flávio Bolsonaro.
  • 11/09/2026 — A retirada do sigilo torna pública a condição de Flávio como investigado.
  • 12/09/2026 — Novos documentos e divergências financeiras permanecem sob análise pública e policial.

A relevância do caso “Dark Horse” decorre da convergência de três dimensões: financiamento privado de alto valor, circulação internacional de recursos e participação de agentes políticos diretamente ligados ao personagem retratado no filme.

Nenhuma dessas circunstâncias, isoladamente, comprova lavagem, corrupção ou evasão de divisas. A investigação precisará demonstrar a origem dos recursos, sua destinação efetiva, os responsáveis pelas decisões financeiras e o cumprimento das obrigações legais relativas às transferências internacionais.

A proximidade das eleições aumenta o risco de instrumentalização política da investigação. Por isso, documentos bancários, contratos e registros de transferências deverão prevalecer sobre interpretações partidárias de acusação ou defesa.

A Polícia Federal, a PGR e o STF terão a responsabilidade de esclarecer se o financiamento do projeto foi uma operação privada regular ou se parte da estrutura serviu a práticas ilícitas. A dimensão pública do caso decorre tanto dos valores envolvidos quanto da condição eleitoral dos personagens centrais.


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