Flávio Bolsonaro promete cortar 10 ministérios e manter salário mínimo acima da inflação; sabatina aborda STF, 8 de Janeiro e Banco Master

Na sexta-feira (16/10/2026), a nove dias do segundo turno da eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, em entrevista ao vivo da TV Globo conduzida por Renata Lo Prete, que, se eleito presidente, pretende extinguir pelo menos dez ministérios, manter reajustes do salário mínimo acima da inflação, preservar a vinculação das aposentadorias ao mínimo e os pisos constitucionais de saúde e educação, respeitar o fim da escala 6×1, não disputar a reeleição e aceitar o resultado das urnas.

A sabatina, realizada nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e exibida após o Jornal Nacional, também concentrou questionamentos sobre o STF, os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, a participação da família Bolsonaro em eventual governo e a investigação do financiamento de Dark Horse por recursos ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio chegou à entrevista depois de liderar o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma disputa que pesquisas recentes apontam como tecnicamente empatada.

Economia domina início da entrevista e Flávio promete preservar despesas sociais

A entrevista começou pela política econômica. Questionado diretamente sobre propostas de ajuste fiscal atribuídas à sua equipe, Flávio respondeu que manterá reajustes do salário mínimo acima da inflação, não desvinculará das aposentadorias o percentual aplicado ao mínimo e não buscará alterar a Constituição para eliminar os pisos de despesas com saúde e educação. Também rejeitou a possibilidade de privatização de Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras.

Ao tratar da estrutura administrativa, o candidato prometeu eliminar pelo menos dez ministérios e mencionou melhor aproveitamento ou alienação de imóveis públicos como forma de geração de receitas. O plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral confirma entre as diretrizes da candidatura o corte de ministérios, a reforma administrativa, a reformulação das regras fiscais, a redução de impostos e a busca de equilíbrio fiscal.

O programa entregue ao TSE contém ainda um Programa Nacional de Desestatização. Esse ponto exige uma distinção: na sabatina, Flávio descartou especificamente privatizar Banco do Brasil, Caixa e Petrobras, mas o documento eleitoral mantém a desestatização como política geral de governo. A extensão, os ativos abrangidos e o cronograma de uma eventual política de privatizações não foram detalhados na entrevista.

Dívida pública: valor citado estava correto, mas comparação sobre Selic exige ressalvas

Flávio afirmou que a dívida brasileira estaria em aproximadamente R$ 11 trilhões. A afirmação é compatível com os dados do Banco Central: a Dívida Bruta do Governo Geral chegou a R$ 11,1 trilhões em agosto de 2026, correspondentes a 82,9% do PIB. O indicador reúne obrigações do governo federal, INSS, estados e municípios; portanto, não representa exclusivamente a dívida da União.

Em seguida, o candidato comparou a atual taxa de juros com projeções do Boletim Focus de outubro de 2022, dizendo que se esperava uma taxa próxima de 7% para o momento atual. A comparação requer correção. A Selic vigente desde 17/09/2026 é de 13,75% ao ano, e não exatamente 14%. Além disso, as edições do Focus no fim de outubro de 2022 projetavam 11,25% para o encerramento de 2023, 8% para 2024 e 7,75% para 2025, sem projeção para 2026. O Focus registra expectativas de instituições financeiras, sujeitas a revisão, e não compromissos de política econômica de determinado governo.

Assim, a dimensão aproximada da dívida citada por Flávio encontra respaldo nos dados oficiais, mas a inferência de que a diferença entre uma antiga projeção de juros e a taxa observada representaria diretamente economia que teria sido obtida sob outra administração não pode ser demonstrada apenas por essa comparação.

Corte de ministérios integra programa de reforma do Estado

O enxugamento da administração pública apresentado na entrevista não surgiu isoladamente. O plano cadastrado no TSE dedica uma seção a “Governança, Transparência e Reformas de Estado” e relaciona, entre outros pontos, corte de ministérios, reforma administrativa, avaliação de políticas públicas, profissionalização da gestão, revisão normativa, mudanças no processo orçamentário e combate à corrupção.

Na área econômica, o documento também defende equilíbrio fiscal, redução de impostos, reformulação das regras fiscais, redução do custo do trabalho e maior espaço para o negociado sobre o legislado. Na assistência social, porém, prevê a manutenção de programas sociais. Esse conjunto revela o principal desafio fiscal de uma eventual administração: conciliar redução estrutural das despesas e tributos com a preservação de benefícios, pisos constitucionais e compromissos sociais reiterados pelo candidato durante a campanha.

A sabatina não apresentou estimativas completas sobre quanto a extinção de ministérios produziria de economia permanente, quais órgãos seriam incorporados a outras pastas ou como medidas administrativas se converteriam em resultado fiscal recorrente. Essa lacuna deverá permanecer sob escrutínio nos debates finais, porque a redução do número de ministérios, isoladamente, não permite calcular a magnitude do ajuste pretendido.

Fim da escala 6×1 já estava promulgado quando candidato falou à Globo

Outro ponto relevante foi a jornada de trabalho. Flávio afirmou que não tentará reverter o fim da escala 6×1 e reconheceu ter mudado de posição depois de ouvir trabalhadores durante a campanha. Segundo ele, a decisão adotada pelo Congresso será respeitada em eventual governo.

A declaração ocorreu poucas horas depois de o Congresso Nacional promulgar, na própria sexta-feira (16/10), a Emenda Constitucional 141, resultante da PEC 221/2019. A norma encerra o modelo de seis dias de trabalho para um dia de descanso e reduz de 44 para 40 horas semanais a jornada máxima. A medida havia sido aprovada pela Câmara em maio e pelo Senado na quarta-feira, 14/10, antes de ser incorporada formalmente à Constituição.

A mudança de posicionamento de Flávio tornou-se politicamente relevante porque o candidato havia criticado anteriormente a proposta. Na entrevista, sustentou que reviu a posição após percorrer o país e constatar apoio majoritário entre trabalhadores. O ponto central, após a promulgação, deixou de ser apenas eleitoral: eventual governo terá de cumprir a nova regra constitucional e acompanhar sua implementação no mercado de trabalho.

Flávio promete não buscar reeleição mesmo se Constituição continuar permitindo

No campo político-institucional, Flávio reafirmou ser favorável ao fim da reeleição para cargos do Executivo. Perguntado se abriria mão de um segundo mandato mesmo que o Congresso não modificasse a Constituição, respondeu positivamente e resumiu sua posição afirmando: “Eu só preciso de um mandato.”

A promessa pessoal e a mudança constitucional são, contudo, questões juridicamente diferentes. A possibilidade de uma reeleição consecutiva para presidente, governadores e prefeitos foi introduzida pela Emenda Constitucional nº 16, de 04/06/1997, que alterou o artigo 14 da Constituição. Enquanto essa regra permanecer em vigor, um presidente eleito continuará juridicamente habilitado a disputar um segundo mandato consecutivo, ainda que tenha assumido compromisso político de não fazê-lo.

O próprio programa de governo de Flávio registrado no TSE inclui expressamente o “fim da reeleição”, além de reforma política e reforma do Judiciário. Para que a vedação deixe de depender da decisão individual do ocupante do Planalto, será necessária alteração constitucional aprovada pelo Congresso.

STF e Judiciário ocupam espaço central na agenda institucional

A entrevista também expôs a relação potencialmente conflituosa entre um eventual governo Flávio Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal. O candidato acusou integrantes da Corte de proteger colegas e impedir o avanço de investigações, defendeu responsabilização de ministros que eventualmente descumpram a lei e voltou a propor reforma do Poder Judiciário.

Questionado especificamente sobre Alexandre de Moraes e sobre Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, no contexto de relações de integrantes da Corte com personagens do caso Banco Master, Flávio respondeu de maneira geral que qualquer ministro que viole a legislação deve ser responsabilizado, mas não apresentou resposta equivalente e individualizada sobre todos os casos citados pela entrevistadora.

O programa registrado na Justiça Eleitoral confirma que a reforma do Judiciário faz parte da plataforma do PL. Entre os tópicos listados aparecem reforma da estrutura judicial e propostas contra decisões monocráticas. A execução dessas mudanças, entretanto, dependeria do Congresso e dos limites estabelecidos pela própria Constituição, não podendo ser realizada unilateralmente pelo presidente da República.

8 de Janeiro: candidato condena depredação, mas contesta interpretação jurídica

Ao abordar os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, Flávio condenou depredações do patrimônio público e agressões contra policiais, mas voltou a contestar a interpretação de que todos os participantes estivessem envolvidos em uma tentativa de golpe e relacionou os processos ao afastamento político de seu pai. Também voltou a classificar como injusta a condenação de Jair Bolsonaro.

Essas afirmações constituem a posição política do candidato e não alteram, por si, decisões judiciais já proferidas. A discordância de Flávio com as conclusões do Judiciário deve ser diferenciada dos fatos processuais: decisões e condenações permanecem válidas até eventual revisão pelos mecanismos judiciais competentes.

A questão assume dimensão institucional porque o programa da candidatura combina críticas ao funcionamento do STF com propostas formais de reforma do Judiciário. Caso eleito, Flávio dependerá de maiorias parlamentares e do processo legislativo constitucional para transformar essas diretrizes em normas.

Jair Bolsonaro poderá ser consultado, mas Flávio diz não ter discutido cargo

Flávio também foi questionado sobre a influência de familiares em eventual governo. O candidato afirmou que não discutiu cargo com Jair Bolsonaro, embora tenha indicado que poderá recorrer à experiência e aos conselhos do ex-presidente.

Sobre Eduardo Bolsonaro, descartou a possibilidade de nomeá-lo ministro das Relações Exteriores. Ao mesmo tempo, defendeu a atuação política do irmão no exterior e o apresentou como vítima de perseguição, interpretação atribuída ao candidato e sujeita às controvérsias políticas e judiciais relacionadas à atuação de Eduardo.

As respostas procuraram estabelecer uma separação formal entre um eventual governo e cargos destinados automaticamente ao núcleo familiar, sem afastar a influência política de Jair Bolsonaro no entorno do candidato.

Dark Horse e Banco Master colocam financiamento do filme no centro da sabatina

Um dos trechos mais sensíveis tratou de Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro cujo financiamento é investigado pela Polícia Federal. Durante a entrevista, Renata Lo Prete citou aproximadamente R$ 134 milhões solicitados a Daniel Vorcaro e cerca de R$ 70 milhões transferidos ao projeto. Também questionou a diferença entre os valores negociados e aproximadamente R$ 75 milhões apontados como custo da produção.

Flávio afirmou tratar-se de “patrocínio privado” para um filme privado, negou contrapartida indevida e sustentou que o contrato não foi integralmente executado, além de dizer que outros investidores participaram do financiamento. Essas declarações constituem a versão do candidato e não encerram a apuração policial.

Há diferenças entre cifras divulgadas em diferentes etapas do caso. Em setembro, a Agência Brasil informou que Flávio havia sido incluído na investigação sobre um repasse de aproximadamente R$ 61 milhões atribuído a Vorcaro. Na entrevista de 16 de outubro, os números apresentados pela Globo foram mais amplos. As quantias não devem ser tratadas automaticamente como equivalentes, pois podem corresponder a valores solicitados, contratados, efetivamente transferidos ou considerados em diferentes etapas da investigação.

PF pede mais 90 dias para investigar no mesmo dia da entrevista

Horas antes da sabatina, a Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça, do STF, a prorrogação por mais 90 dias do inquérito que examina os pagamentos de Daniel Vorcaro relacionados ao filme. Segundo a PF, o prazo adicional é necessário para concluir perícias contábeis e aguardar cooperação internacional com os Estados Unidos, destinada à obtenção de registros financeiros de entidades estrangeiras que teriam recebido recursos.

Os investigadores também analisam documentos entregues pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, colaborador no caso Master. A investigação envolvendo Flávio foi formalmente aberta para apurar suspeitas relacionadas ao financiamento da produção, mas a condição de investigado não equivale a denúncia, processo criminal ou condenação. A apuração permanece em curso, sem conclusão definitiva sobre responsabilidade penal do candidato.

A coincidência temporal entre o pedido de prorrogação e a entrevista aumentou a relevância eleitoral do tema. Ao mesmo tempo, exige cautela editorial: estão comprovadas a existência do inquérito, as diligências e a busca de documentação no exterior; eventuais crimes e responsabilidades individuais continuam dependentes da conclusão da PF, da atuação da Procuradoria-Geral da República e das decisões do STF.

Flávio critica comparação da Globo e emissora defende independência editorial

Durante a discussão sobre Dark Horse, Flávio comparou os recursos vinculados ao filme com valores superiores a R$ 100 milhões que, segundo ele, teriam sido destinados pelo Banco Master à Globo em publicidade. A comparação foi contestada por Renata Lo Prete, que afirmou que a compra de publicidade comercial obedece a procedimentos de transparência e não interfere na independência editorial da emissora.

A divergência evidencia dois objetos distintos: de um lado, relações comerciais de publicidade de uma instituição financeira com um veículo de comunicação; do outro, transferências privadas para um projeto cinematográfico que passaram a integrar investigação policial. A existência de despesas publicitárias, por si, não demonstra equivalência jurídica entre os casos.

Candidato afirma que respeitará resultado das urnas

No encerramento da entrevista, Flávio foi questionado diretamente sobre sua conduta caso seja derrotado em 25/10/2026. Disse que disputará a eleição segundo as regras vigentes e que, “independente de qual for o resultado eu vou respeitar”.

O compromisso possui peso institucional devido ao histórico recente de controvérsias envolvendo o sistema eleitoral brasileiro e porque o candidato se apresenta como sucessor político de Jair Bolsonaro. A afirmação estabelece publicamente um parâmetro pelo qual poderá ser cobrada a atuação do candidato e de sua campanha depois da proclamação do resultado.

Segundo turno ocorre em cenário de empate técnico

O resultado oficial do primeiro turno colocou Flávio à frente com 56.104.268 votos, ou 47,03% dos válidos, contra 53.876.617 votos, ou 45,16%, para Lula. A diferença foi de 1,87 ponto percentual nos votos válidos. Nenhum dos dois atingiu maioria absoluta, levando a decisão para 25 de outubro.

Desde então, a vantagem numérica se estreitou. O Datafolha, divulgado em 15 de outubro de 2026, registrou 51% para Flávio Bolsonaro (PL) e 49% para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos votos válidos, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento ouviu 2.520 eleitores em 153 municípios, entre 13 e 14 de outubro, e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00466/2026.

O PoderData, divulgado em 16 de outubro, apontou empate de 50% a 50% nos votos válidos. Foram entrevistados 3 mil eleitores, entre 13 e 15 de outubro, com margem de erro de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-04258/2026.

Já o levantamento CNT/MDA, realizado entre 13 e 15 de outubro, registrou 50,5% para Flávio Bolsonaro e 49,5% para Lula nos votos válidos, também configurando empate técnico. A pesquisa ouviu 2.014 eleitores, apresenta margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-00652/2026.

Os levantamentos, produzidos com metodologias e amostras distintas, não constituem previsão do resultado eleitoral, mas convergem ao mostrar uma disputa aberta na reta final.

O primeiro confronto direto do segundo turno entre os dois candidatos está marcado pela Band para domingo (18/10), às 20h, em São Paulo. A TV Globo programou seu debate final para sexta-feira (23/10), nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação de César Tralli. A votação ocorrerá dois dias depois.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 04/06/1997 — Reeleição é incorporada à Constituição: a Emenda Constitucional nº 16 passa a permitir uma reeleição consecutiva para presidente, governadores e prefeitos. A candidatura de Flávio propõe agora extinguir esse instituto.
  • 22/07/2026 — Flávio é incluído em investigação sobre Dark Horse: decisão no STF autoriza a apuração da participação do senador no financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro; a investigação não representa condenação ou reconhecimento de culpa.
  • 04/10/2026 — Primeiro turno presidencial: Flávio Bolsonaro obtém 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, levando a disputa presidencial ao segundo turno. A apuração oficial consolidada foi divulgada pelo TSE na madrugada de 05/10.
  • 14/10/2026 — Senado aprova fim da escala 6×1: a proposta avança definitivamente no Congresso antes da promulgação.
  • 15/10/2026 — Lula participa da entrevista da Globo: o presidente e candidato à reeleição é o primeiro sabatinado do segundo turno por Renata Lo Prete.
  • 15/10/2026 — Datafolha aponta empate técnico: Flávio registra 51% e Lula 49% dos votos válidos, dentro da margem de erro. F
  • 16/10/2026 — Congresso promulga a Emenda Constitucional 141: termina constitucionalmente a escala 6×1 e a jornada máxima passa de 44 para 40 horas semanais, observadas as regras de adaptação.
  • 16/10/2026 — PoderData e CNT/MDA confirmam disputa apertada: um levantamento registra 50% a 50%; o outro, 50,5% a 49,5%, ambos caracterizados como empate técnico.
  • 16/10/2026 — PF pede mais 90 dias no caso Dark Horse: investigadores solicitam prazo para concluir perícias contábeis e obter documentação financeira nos Estados Unidos.
  • 16/10/2026 — Flávio Bolsonaro participa da sabatina da Globo: candidato promete reduzir ministérios, preservar salário mínimo e pisos sociais, respeitar a EC 141 e o resultado eleitoral, além de responder sobre STF, 8 de Janeiro e Dark Horse.
  • 18/10/2026 — Debate da Band: encontro entre Lula e Flávio está marcado para as 20h, em São Paulo, primeiro confronto direto do segundo turno. Band
  • 23/10/2026 — Debate final da Globo: encontro está programado para os Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação de César Tralli.
  • 25/10/2026 — Segundo turno presidencial: eleitorado escolherá entre Flávio Bolsonaro e Lula o presidente da República para o próximo mandato.

Análise crítica jornalística e conclusão editorial

A sabatina tornou mais precisos alguns compromissos que até então estavam envolvidos em controvérsia eleitoral. São declarações confirmadas do candidato a promessa de manter reajustes do salário mínimo acima da inflação, preservar a vinculação das aposentadorias e os pisos constitucionais de saúde e educação, extinguir pelo menos dez ministérios, respeitar o fim da escala 6×1, não disputar a reeleição e aceitar o resultado das urnas. O programa registrado no TSE confirma parte importante dessa agenda, particularmente redução da máquina, reforma administrativa, fim da reeleição, reforma do Judiciário e desestatização

O principal ponto econômico ainda dependente de detalhamento é a compatibilidade fiscal entre as promessas. Reduzir despesas e impostos, preservar benefícios previdenciários, reajustar o mínimo acima da inflação, conservar pisos de saúde e educação e executar políticas sociais simultaneamente exige demonstração quantitativa das economias permanentes e das novas receitas. A extinção de ministérios constitui escolha administrativa, mas a entrevista não apresentou cálculo suficiente para demonstrar quanto essa medida, isoladamente, produziria em resultado primário ou redução da dívida. Essa é uma questão de consistência programática, e não uma conclusão sobre inviabilidade da proposta.

No plano jurídico e institucional, devem permanecer claramente separados fatos comprovados, versões e hipóteses investigativas. É fato que existe investigação federal sobre os recursos de Dark Horse, que Flávio figura entre os investigados e que a PF pediu mais 90 dias para perícias e cooperação com os Estados Unidos. É versão do candidato que os recursos constituíram financiamento privado sem qualquer contrapartida irregular. Ainda depende de investigação estabelecer a natureza completa das operações, o destino dos recursos e eventual responsabilidade individual. Da mesma forma, as críticas do candidato ao STF e sua interpretação sobre o 8 de Janeiro expressam posições políticas; não substituem decisões judiciais vigentes.

A relevância pública da entrevista decorre de sua proximidade com uma eleição praticamente empatada e da transformação de temas abstratos de campanha em compromissos que poderão ser cobrados. Nos próximos dias, caberá à campanha de Flávio Bolsonaro detalhar a engenharia fiscal e institucional de suas propostas; à campanha de Lula, submetê-las ao contraditório político; ao TSE, conduzir o processo eleitoral; ao Congresso, decidir futuras mudanças constitucionais caso sejam propostas; e à PF, PGR e STF, independentemente do resultado das urnas, concluir as apurações relacionadas ao caso Dark Horse. A decisão política central caberá ao eleitorado brasileiro em 25/10/2026.


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