Pesquisas do 2º turno: PoderData e BTG apontam empate técnico entre Flávio e Lula; Gerp registra 55% a 45% nos válidos

Nesta terça-feira (13/10/2026), três novas pesquisas nacionais sobre o segundo turno da eleição presidencial apresentaram cenários diferentes para a disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No critério comparável de votos válidos, o PoderData/Aya registrou 51% a 49%, o BTG/Nexus apontou 52% a 48% e o Gerp mediu 55% a 45%, sempre com Flávio numericamente à frente. PoderData e Nexus classificam seus resultados dentro do intervalo de empate técnico, enquanto a distância registrada pelo Gerp supera a margem informada pelo instituto. Os levantamentos foram realizados após o primeiro turno de 04/10/2026, quando Flávio obteve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, segundo a Justiça Eleitoral.

PoderData/Aya registra redução da diferença de seis para dois pontos

A pesquisa PoderData/Aya, realizada entre 10 e 12 de outubro, mostra Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos e Lula com 49%. A margem de erro informada é de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01209/2026.

A principal informação da nova rodada não está apenas na fotografia de 51% a 49%, mas na evolução registrada dentro da própria série do instituto. Na pesquisa divulgada em 08/10, Flávio tinha 53% dos votos válidos e Lula, 47%. Em cinco dias, portanto, a diferença nominal caiu de seis para dois pontos percentuais, com Lula avançando dois pontos e Flávio recuando dois. A rodada anterior, realizada de 5 a 7 de outubro, tinha registro BR-08134/2026.

Comparações temporais dentro da mesma série são metodologicamente mais informativas do que confrontar diretamente números produzidos por institutos diferentes, porque preservam, em maior grau, o método, os critérios de ponderação e os procedimentos utilizados pelo mesmo pesquisador.

Considerando o total dos entrevistados, antes da retirada de brancos, nulos e indecisos, o levantamento registra aproximadamente 48% para Flávio e 46% para Lula, com 5% de brancos ou nulos e 2% de indecisos, sujeitos a arredondamento.

O PoderData ouviu 3.000 eleitores, por telefone, em 686 municípios das 27 unidades da Federação. A pesquisa foi financiada com recursos próprios do instituto e teve parceria de divulgação com a Aya Bancah.

Rejeição permanece próxima no PoderData

O levantamento também mediu o eleitorado que afirma não votar nos candidatos “de jeito nenhum”. Lula registra 46% de rejeição, enquanto Flávio aparece com 44%. A diferença está dentro da margem de erro.

Na avaliação do atual governo, 50% desaprovam a administração Lula e 44% aprovam; outros 6% não souberam responder.

Esses indicadores são relevantes para interpretar a disputa, mas não autorizam estabelecer uma relação causal automática entre avaliação do governo, rejeição e intenção de voto. Eles medem dimensões diferentes da opinião do eleitor no mesmo período.

BTG/Nexus registra 48% a 45% nos votos totais e 52% a 48% nos válidos

A pesquisa BTG/Nexus, também divulgada nesta terça-feira, registrou 48% para Flávio Bolsonaro e 45% para Lula na pergunta estimulada considerando todos os entrevistados. Outros 5% disseram votar em branco, nulo ou em nenhum dos dois, e 2% não souberam ou não responderam.

Quando o instituto exclui brancos, nulos e indecisos, utilizando o critério dos votos válidos adotado na apuração eleitoral, os percentuais passam para 52% para Flávio e 48% para Lula. A pesquisa classifica o cenário como empate técnico, diante da margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O levantamento entrevistou 2.002 eleitores com 16 anos ou mais, por telefone, entre 10 e 12/10/2026, em todas as 27 unidades da Federação. O nível de confiança informado é de 95%. O registro no TSE é BR-07997/2026.

A pesquisa foi contratada pelo BTG Pactual. Segundo os dados divulgados, o estudo custou R$ 164.888,89.

Nexus aponta voto consolidado para 92% dos entrevistados

Um dado adicional da pesquisa ajuda a dimensionar a estabilidade declarada das preferências. Segundo o Nexus, 92% dos entrevistados afirmaram já ter decidido o voto e não pretender mudar até o segundo turno. Outros 7% admitem a possibilidade de mudança.

Entre os eleitores que declararam voto em cada finalista, 95% dos apoiadores de Lula e 95% dos eleitores de Flávio afirmam considerar a decisão consolidada.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, Flávio aparece com 46% e Lula com 44%.

A rejeição medida pelo Nexus é mais elevada do que a registrada pelo PoderData: 51% afirmam que não votariam em Lula e 47% dizem o mesmo sobre Flávio. A diferença também se encontra no limite estatístico informado pelo levantamento.

Na avaliação do governo, 50% desaprovam o trabalho de Lula e 45% aprovam. Na avaliação qualitativa da administração, 34% classificam o governo como ótimo ou bom, 20% como regular e 45% como ruim ou péssimo.

Gerp registra maior diferença entre os três levantamentos

O Gerp apresentou o cenário mais distante entre os finalistas entre as três pesquisas divulgadas nesta terça-feira. Considerando todos os entrevistados, Flávio Bolsonaro registra 53%, diante de 44% de Lula. Outros 1% responderam que não votariam em nenhum dos dois e 3% não souberam ou não responderam.

Recalculados como votos válidos, os percentuais chegam a 55% para Flávio e 45% para Lula, uma diferença nominal de dez pontos percentuais.

A pesquisa ouviu 2.400 eleitores nos dias 8, 9 e 12 de outubro, por telefone, em todas as unidades da Federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança informado é de 95,55%. O registro na Justiça Eleitoral é BR-07877/2026.

O Gerp informou ter financiado a pesquisa com recursos próprios. O custo declarado foi de R$ 10 mil.

Diferentemente dos resultados do PoderData/Aya e do BTG/Nexus, a diferença encontrada pelo Gerp é superior aos intervalos decorrentes da margem de erro divulgada.

Gerp mede rejeição de 53% a Lula e 42% a Flávio

A pesquisa também encontra maior distância na rejeição. 53% dos entrevistados dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto 42% apresentam a mesma resistência a Flávio Bolsonaro.

Na avaliação do governo, 49% desaprovam a administração Lula e 45% aprovam; 6% não souberam responder.

Na pesquisa espontânea do Gerp, Flávio aparece com 53% e Lula com 40%, enquanto 7% não souberam responder.

Comparação correta exige usar a mesma base de votos

A leitura conjunta dos levantamentos exige distinguir votos totais de votos válidos. Essa diferença explica por que manchetes referentes à mesma eleição podem apresentar percentuais aparentemente incompatíveis.

No PoderData/Aya, a informação principal divulgada é 51% a 49% entre os votos válidos. No BTG/Nexus, os 48% a 45% correspondem aos votos totais, enquanto os válidos são 52% a 48%. No Gerp, os 53% a 44% também são percentuais sobre o total da amostra; excluídos brancos, nulos e indecisos, o resultado é 55% a 45%.

Assim, a comparação metodologicamente homogênea produz o seguinte quadro:

  • PoderData/Aya — BR-01209/2026: Flávio 51%; Lula 49%; margem de erro de 1,8 p.p.;
  • BTG/Nexus — BR-07997/2026: Flávio 52%; Lula 48%; margem de erro de 2 p.p.;
  • Gerp — BR-07877/2026: Flávio 55%; Lula 45%; margem de erro de 2 p.p..

Todos os três levantamentos colocam Flávio numericamente à frente. Isso, contudo, não autoriza projetar o resultado de 25/10/2026: pesquisas medem preferências declaradas dentro de uma amostra, durante determinado período de campo, sujeitas à incerteza estatística e a outras fontes de erro que não são integralmente representadas pela margem de erro.

Divergência entre pesquisas não significa necessariamente erro

A distância entre 51% a 49% do PoderData e 55% a 45% do Gerp demonstra por que pesquisas de institutos diferentes devem ser examinadas como medições independentes e não como se fossem uma única série estatística.

Organizações especializadas em pesquisa de opinião, como a American Association for Public Opinion Research, ressaltam que resultados podem variar conforme desenho da amostra, recrutamento, ponderação, modo de coleta, não resposta, formulação das perguntas e procedimentos analíticos. A transparência sobre tamanho da amostra, datas, população pesquisada, margem de erro e método é indispensável para avaliar cada levantamento.

Nos três casos examinados nesta reportagem, a coleta foi feita por telefone, mas isso não torna os procedimentos idênticos. O PoderData utiliza sistema automatizado de resposta telefônica e estabelece seus próprios mecanismos de estratificação e ponderação; Nexus e Gerp também apresentam desenhos amostrais e procedimentos próprios. Portanto, diferenças de resultado não podem ser atribuídas automaticamente a fraude, erro ou manipulação sem análise dos relatórios metodológicos.

A própria margem de erro representa apenas uma dimensão da incerteza. Problemas de cobertura, não resposta, ponderação, compreensão das perguntas e comportamento dos entrevistados podem produzir variações adicionais. A AAPOR recomenda, por isso, que a qualidade de uma pesquisa seja avaliada pelo conjunto de sua metodologia, e não apenas pela margem estatística publicada.

Resultados de 8 e 9 de outubro ajudam a contextualizar a nova rodada

Os dados desta terça-feira sucedem uma primeira bateria de pesquisas realizada imediatamente depois do primeiro turno.

Em 08/10, o próprio PoderData/Aya havia registrado 53% a 47% para Flávio nos votos válidos. Na mesma fase da disputa, o Datafolha mediu 52% a 48%.

Em 09/10, a AtlasIntel/Bloomberg apresentou 52,8% para Flávio e 47,2% para Lula nos votos válidos. A pesquisa ouviu 5.026 eleitores entre 3 e 8 de outubro e informou margem de erro de um ponto percentual.

Essa sequência mostra duas informações distintas. A primeira é que os levantamentos posteriores ao primeiro turno têm colocado Flávio numericamente à frente. A segunda é que o tamanho dessa diferença varia de forma relevante entre institutos e rodadas, tornando inadequado tratar qualquer pesquisa isolada como antecipação do resultado das urnas.

Primeiro turno terminou com diferença de 1,87 ponto percentual

O ponto de partida da etapa final da campanha é o resultado de 04/10/2026. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%.

Os dois candidatos concentraram mais de 92% dos votos válidos. Na totalização final posteriormente registrada pelo Jornal Grande Bahia, a diferença ficou em aproximadamente 2,225 milhões de votos, com Flávio recebendo cerca de 56,1 milhões e Lula, aproximadamente 53,9 milhões.

A parcela do eleitorado que apoiou candidaturas eliminadas no primeiro turno, juntamente com eleitores que se abstiveram ou optaram por votos brancos e nulos, compõe o universo sobre o qual as duas campanhas procuram ampliar apoio nesta etapa final.

Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado, terceiro, quarto e quinto colocados, respectivamente, somaram aproximadamente 8,73 milhões de votos, contingente superior à distância que separou Lula e Flávio no primeiro turno.

Regras exigem registro prévio das pesquisas na Justiça Eleitoral

Desde 1º de janeiro de 2026, empresas e entidades responsáveis por pesquisas eleitorais destinadas ao conhecimento público estão obrigadas a registrar seus levantamentos no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais — PesqEle com antecedência mínima de cinco dias da divulgação. A obrigação está prevista na legislação eleitoral e regulamentada pela Resolução TSE nº 23.600/2019, alterada em 2026 pela Resolução nº 23.747/2026.

O registro deve fornecer informações que permitam identificar contratante, metodologia, plano amostral, período de realização e outros elementos necessários à fiscalização e à transparência.

O cadastro no PesqEle, porém, não significa que a Justiça Eleitoral tenha certificado antecipadamente a correção estatística do resultado. O controle judicial de pesquisas ocorre nos termos da legislação e pode depender de provocação das partes legitimadas.

Segundo turno será realizado em 25 de outubro

O segundo turno presidencial está oficialmente marcado para o domingo de 25/10/2026. A eleição definirá o presidente e o vice-presidente da República para o próximo mandato.

Flávio Bolsonaro disputa a Presidência pela primeira vez e tem como candidato a vice o deputado federal Alfredo Gaspar (PL). Lula concorre à reeleição e integra chapa com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

De acordo com o TSE, 158.765.543 eleitoras e eleitores estavam aptos a votar nas Eleições Gerais de 2026.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 03/10/2026 — Gerp antes do primeiro turno: pesquisa realizada entre 30 de setembro e 2 de outubro registrou, na simulação de segundo turno, 53% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e 47% para Lula; registro BR-00509/2026.
  • 04/10/2026 — Primeiro turno: Flávio Bolsonaro termina em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, e Lula fica em segundo, com 45,16%. Os dois avançam para o segundo turno presidencial.
  • 08/10/2026 — Primeira rodada pós-primeiro turno do PoderData/Aya: Flávio registra 53% dos votos válidos e Lula, 47%. O levantamento, feito entre 5 e 7 de outubro, possui registro BR-08134/2026.
  • 08/10/2026 — Datafolha: levantamento registra 52% dos votos válidos para Flávio e 48% para Lula, com margem de erro de dois pontos.
  • 09/10/2026 — AtlasIntel/Bloomberg: pesquisa registra 52,8% para Flávio e 47,2% para Lula nos votos válidos, com margem de erro informada de um ponto percentual.
  • 13/10/2026 — PoderData/Aya: nova rodada registra 51% a 49% nos votos válidos, reduzindo de seis para dois pontos a diferença observada pelo próprio instituto cinco dias antes; registro BR-01209/2026.
  • 13/10/2026 — BTG/Nexus: pesquisa registra 48% a 45% nos votos totais e 52% a 48% nos válidos; margem de erro de dois pontos e registro BR-07997/2026.
  • 13/10/2026 — Gerp: levantamento registra 53% a 44% nos votos totais e 55% a 45% nos válidos; margem de erro de dois pontos e registro BR-07877/2026.

Análise crítica jornalística e conclusão editorial

Os três levantamentos divulgados em 13/10/2026 produzem uma conclusão factual restrita: Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente em todos eles, mas o tamanho da diferença varia de maneira significativa. No PoderData/Aya são dois pontos entre os votos válidos; no Nexus, quatro; no Gerp, dez. Em duas pesquisas, os próprios resultados são tratados como estatisticamente compatíveis com empate; no Gerp, a distância supera a margem declarada. Esse conjunto não permite transformar a fotografia das pesquisas em previsão eleitoral.

O dado politicamente mais relevante do PoderData é a mudança dentro de uma mesma série: a diferença caiu de 53% a 47% em 08/10 para 51% a 49% em 13/10. Trata-se de evidência de aproximação no levantamento específico, e não de prova de que a mesma movimentação esteja ocorrendo em igual intensidade em todo o conjunto das pesquisas. O Gerp, coletado em período parcialmente coincidente, apresentou cenário consideravelmente mais favorável ao candidato do PL.

Também merece acompanhamento a rejeição. Os três institutos registram resistência numericamente maior a Lula, mas com dimensões muito diferentes — 46% no PoderData, 51% no Nexus e 53% no Gerp. Essa dispersão reforça a necessidade de examinar séries históricas, questionários, ponderações e novas rodadas antes de concluir que ocorreu alteração estrutural no eleitorado.

A relevância pública desta bateria de pesquisas decorre de sua proximidade com o segundo turno de 25/10/2026 e da pequena diferença verificada nas urnas em 4 de outubro. Os próximos levantamentos, a transferência efetiva dos votos das candidaturas eliminadas, a participação dos eleitores que não compareceram no primeiro turno e a evolução da rejeição serão elementos centrais para compreender a etapa final. A definição, contudo, pertence exclusivamente ao eleitorado nas urnas, sob organização e totalização da Justiça Eleitoral.

Leia +

Pesquisas do 2º turno de 2026: cinco levantamentos colocam Flávio Bolsonaro à frente e Vox Brasil aponta empate com Lula


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading