Neste sábado (12/09/2026), o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou que a Polícia Federal informe, no prazo de 24 horas, a situação, a custódia e o estado de preservação dos dados extraídos de um celular de Daniel Vorcaro, apreendido em novembro de 2025, depois de ministros do STF ampliarem a pressão pelo acesso integral à mídia. A ordem surge após Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes defenderem que o colegiado tenha acesso ao material, enquanto André Mendonça afirma que recebeu apenas uma cópia de segurança lacrada e que os dados originais permanecem sob custódia da PF.
Zanin pede acesso integral ao material
A disputa ganhou intensidade na sexta-feira (11), quando Cristiano Zanin solicitou acesso integral à mídia extraída do telefone.
Segundo o ministro, o conteúdo seria relevante para permitir uma apreciação completa do procedimento que será discutido pelo plenário em 15/09/2026, especialmente porque parte do relatório relacionado a Moraes deriva justamente de informações encontradas no aparelho.
Mendonça não atendeu ao pedido naquele momento. Informou que uma cópia de segurança havia sido enviada voluntariamente pela Polícia Federal ao seu gabinete, mas permanecia lacrada e sem acesso ao conteúdo.
Mendonça diz não estar com o celular
A distinção entre aparelho, dados originais e cópia de segurança tornou-se central para compreender a controvérsia.
Mendonça afirma que não possui o celular físico de Vorcaro. Segundo sua manifestação, os dados originais extraídos do aparelho permanecem armazenados pela Polícia Federal, enquanto seu gabinete recebeu uma mídia de segurança que não teria sido aberta.
A resposta procurou rebater a percepção de que o relator concentraria sozinho o controle sobre todo o material apreendido.
Moraes e Gilmar também cobram acesso
Alexandre de Moraes reiterou pedido de compartilhamento e sustentou que o fato de a mídia estar lacrada não impediria seu fornecimento aos demais integrantes do colegiado.
Gilmar Mendes aderiu à cobrança e pediu que Fachin garantisse aos ministros acesso integral aos dados necessários ao julgamento.
A PGR também defendeu acesso amplo aos elementos relevantes do Caso Master, aumentando a pressão sobre a Presidência do Supremo para estabelecer uma solução institucional.
Fachin cobra resposta objetiva da Polícia Federal
Diante das versões e pedidos concorrentes, Fachin optou por dirigir a ordem diretamente à Polícia Federal.
O despacho exige informações sobre quem efetivamente mantém a custódia do material e qual é seu estado de preservação. A medida não corresponde, por si só, a uma ordem para entregar imediatamente todo o conteúdo aos ministros.
A resposta da PF poderá estabelecer uma base factual sobre a qual o Supremo decidirá posteriormente se o compartilhamento será realizado e em quais condições.
Integridade da prova torna-se questão jurídica
O telefone de Vorcaro é uma das principais fontes documentais do Caso Master.
Foi a partir de dados extraídos desse conjunto que a PF elaborou relatórios contendo mensagens, arquivos, documentos e registros de contatos com empresários, políticos e autoridades.
No caso de Moraes, parte das mensagens recuperadas apresenta limitações técnicas porque comunicações eram, segundo os relatórios, enviadas por mecanismos de visualização temporária. Em algumas situações, os investigadores recuperaram aquilo que teria sido enviado por Vorcaro, mas não necessariamente a resposta do interlocutor.
Essa característica reforça a importância de examinar os arquivos originais, os metadados e o contexto de cada comunicação antes de formular conclusões.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- Novembro de 2025 — Polícia Federal apreende celular de Daniel Vorcaro no contexto das investigações.
- 27/08/2026 — PF conclui relatório produzido a partir de informações extraídas do material.
- 01/09/2026 — Parte das informações do relatório torna-se pública.
- 11/09/2026 — Zanin pede acesso integral aos dados; Mendonça informa possuir somente cópia de segurança lacrada.
- 11/09/2026 — Moraes volta a requerer compartilhamento.
- 12/09/2026 — Gilmar Mendes reforça pedido de acesso.
- 12/09/2026 — Fachin concede 24 horas para a PF esclarecer custódia e estado dos dados.
- 15/09/2026 — Plenário deverá apreciar o procedimento relacionado a Moraes.
Análise crítica jornalística e conclusão editorial
A controvérsia sobre o telefone de Vorcaro demonstra que a cadeia de custódia da prova passou a ser tão relevante quanto seu conteúdo. Antes de decidir sobre eventuais consequências das mensagens, o Supremo precisa conhecer com exatidão onde estão os arquivos, quais versões existem e quem teve acesso a cada cópia.
A igualdade de armas dentro do próprio colegiado também entrou em discussão. Se determinados documentos serão utilizados para fundamentar deliberação sobre um ministro, os julgadores precisam ter condições processualmente adequadas de examinar os elementos pertinentes.
Ao mesmo tempo, acesso integral não deve significar divulgação pública indiscriminada. Um aparelho apreendido em investigação de grande alcance pode conter informações privadas, dados de terceiros e diligências ainda não concluídas.
A resposta da Polícia Federal às 24 horas concedidas por Fachin será, portanto, um passo concreto para esclarecer uma controvérsia que vinha sendo alimentada por versões divergentes. Depois dela, caberá ao STF definir o compartilhamento dos dados e à PGR avaliar quais elementos possuem relevância penal efetiva.








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