O jornalista, cientista social e editor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto, encaminhou ao prefeito José Ronaldo de Carvalho, nesta terça-feira (26/05/2026), uma proposta conceitual para o futuro Centro Administrativo de Feira de Santana, projetando uma nova centralidade institucional no entorno do Paço Municipal Maria Quitéria. A proposta combina preservação histórica, modernização da gestão pública, edifícios em aço e vidro, equipamento de atendimento ao cidadão, prédio-garagem, praça cívica, fonte luminosa com a inscrição: “Cidadania Feirense é Conquistada com Amor ao Próximo e Trabalho Constante”, áreas verdes, anfiteatro para até 3 mil pessoas e integração com a Avenida Getúlio Vargas, em uma visão urbanística que rejeita soluções improvisadas e defende planejamento, funcionalidade, acessibilidade, participação social e valorização do centro da cidade.
Proposta visual traduz uma visão de cidade para além da obra administrativa
A imagem concebida por Carlos Augusto não se limita à representação de um prédio público. Ela propõe uma nova centralidade institucional para Feira de Santana, em que o Centro Administrativo deixa de ser apenas um conjunto de repartições e passa a funcionar como espaço de encontro entre governo, população, memória urbana e vida pública.
Na composição, o Paço Maria Quitéria permanece como referência histórica. O edifício, símbolo da administração municipal e da formação institucional de Feira de Santana, aparece preservado e valorizado, com sua estética clássica integrada a uma paisagem urbana renovada. Ao fundo, surgem duas novas edificações: uma voltada à administração e ao atendimento ao cidadão, e outra destinada ao estacionamento estruturado.
O conceito sugere uma leitura contemporânea do espaço público: a cidade não precisa escolher entre passado e futuro. Pode preservar seus marcos históricos e, ao mesmo tempo, construir estruturas compatíveis com as exigências de uma administração moderna, eficiente, acessível e ambientalmente responsável.
Arquitetura moderna dialoga com o patrimônio histórico
A proposta visual trabalha com o contraste entre o Paço Maria Quitéria, de linguagem histórica e monumental, e os novos edifícios de aço, vidro e linhas horizontais, que expressam transparência, funcionalidade e racionalidade administrativa. A combinação dos dois vocabulários arquitetônicos reforça uma ideia central: a tradição deve ser preservada, mas não pode servir de pretexto para a estagnação urbana.
O prédio administrativo projetado na imagem aparece como uma estrutura ampla, envidraçada, com fachadas abertas e áreas internas visíveis. Essa opção formal sugere um conceito de governo mais transparente, em que o edifício público deixa de ser uma repartição fechada e passa a representar acesso, fluidez e prestação de serviço.
Já o prédio-garagem, posicionado ao fundo, responde a uma necessidade prática da área central: a organização da mobilidade. Em vez de improvisar estacionamentos dispersos ou pressionar ainda mais as vias próximas, a proposta indica uma solução estruturada para veículos, liberando o térreo e a praça para pedestres, arborização, convivência e atividades cívicas.
Avenida Getúlio Vargas é tratada como eixo urbano estruturante
Um dos elementos centrais da imagem é a preservação da Avenida Getúlio Vargas como eixo de separação e articulação entre a praça, o Paço Maria Quitéria e as novas edificações. A via aparece como elemento ordenador do espaço, com faixas de rolamento, travessias, ciclovias, calçadas amplas, sinalização e integração visual entre os dois lados do conjunto.
Essa decisão é urbanisticamente relevante. Em vez de apagar a malha viária existente, a proposta parte do traçado consolidado da cidade e o reorganiza de forma mais qualificada. A avenida deixa de ser apenas corredor de passagem e passa a funcionar como frente cívica, conectando memória, administração pública, mobilidade e permanência.
A visão apresentada também sugere a necessidade de qualificar o entorno com travessias seguras, arborização, iluminação pública, acessibilidade universal, sinalização urbana e redução dos conflitos entre veículos e pedestres. Um Centro Administrativo moderno não se mede apenas pela fachada de vidro, mas pela forma como recebe o cidadão no espaço urbano.
Praça, fonte luminosa e anfiteatro reforçam o sentido de cidadania
A praça projetada na imagem assume função simbólica e prática. Ela organiza a chegada ao conjunto, cria uma área de permanência e oferece ao Centro Administrativo uma dimensão pública mais ampla. A fonte luminosa, em posição central, atua como marco visual e elemento de identidade urbana.
A inscrição “Cidadania Feirense é Conquistada com Amor ao Próximo e Trabalho Constante” sintetiza o sentido moral e cívico da proposta. A frase associa realização pública a esforço coletivo, solidariedade e compromisso com a cidade. Não se trata apenas de ornamentação: é uma mensagem de pertencimento.
O anfiteatro, concebido para reunir até 3 mil pessoas, amplia essa função. Em vez de restringir a área ao funcionamento burocrático, o conceito propõe um espaço capaz de receber audiências públicas, solenidades, apresentações culturais, encontros comunitários, eventos educacionais e atividades de participação social. A administração municipal, nesse modelo, não se isola da sociedade; ela se abre para a cidade.
Superação dos “puxadinhos” como princípio de modernização urbana
A proposta encaminhada ao prefeito José Ronaldo parte de uma crítica objetiva a uma prática recorrente em muitas cidades brasileiras: a solução improvisada por meio de puxadinhos, reformas fragmentadas e adaptações precárias. Esse modelo, embora possa resolver demandas imediatas, tende a comprometer a qualidade arquitetônica, a eficiência administrativa e a imagem institucional do poder público.
Em Feira de Santana, uma cidade com dimensão regional, densidade econômica e papel estratégico no interior da Bahia, já não é aceitável que a infraestrutura pública seja pensada apenas por acréscimos improvisados. Uma administração municipal que pretende organizar o crescimento urbano precisa abandonar soluções remendadas e adotar projetos capazes de traduzir planejamento, permanência e visão de futuro.
A crítica aos puxadinhos não é apenas estética. Ela envolve funcionalidade, economicidade, mobilidade, conforto ambiental, acessibilidade, segurança e dignidade do atendimento público. Prédios improvisados elevam custos, dispersam serviços, dificultam a manutenção, reduzem a eficiência e transmitem à população uma mensagem de precariedade institucional.
Meio ambiente urbano e conforto climático aparecem como parte da proposta
A imagem também destaca áreas verdes, arborização, canteiros, jardins e espaços sombreados. Esses elementos são essenciais em uma cidade como Feira de Santana, marcada por forte exposição solar, calor urbano e intensa circulação de pessoas. O paisagismo, nesse contexto, não deve ser tratado como adorno, mas como infraestrutura ambiental.
Árvores, jardins e áreas permeáveis ajudam a reduzir ilhas de calor, melhorar o microclima, qualificar a experiência do pedestre e tornar o espaço público mais acolhedor. A presença de água, por meio da fonte luminosa, reforça a ambiência da praça e cria um ponto de referência visual e sensorial.
Um Centro Administrativo contemporâneo deve incorporar princípios de arquitetura bioclimática, eficiência energética, ventilação adequada, reaproveitamento de água, iluminação natural, acessibilidade universal e integração paisagística. O edifício público do século XXI precisa ser funcional, econômico e ambientalmente responsável.
Envolvimento social deve orientar a transformação do espaço
A proposta visual também abre espaço para uma discussão mais ampla sobre participação social. Um projeto dessa escala não deve ser desenvolvido apenas dentro dos gabinetes. Deve envolver técnicos, servidores, comerciantes, moradores, urbanistas, arquitetos, historiadores, representantes da sociedade civil e usuários dos serviços públicos.
O processo de envolvimento social pode incluir audiências públicas, consultas digitais, oficinas urbanas, exposições do anteprojeto, escuta de pessoas com deficiência, diálogo com entidades comerciais do Centro e apresentação transparente dos custos e benefícios previstos. Quanto maior a participação, maior a legitimidade do projeto.
A construção de um Centro Administrativo deve ser compreendida como projeto de cidade, não apenas como intervenção imobiliária. A obra precisa responder às necessidades administrativas, mas também deve fortalecer o sentimento de pertencimento da população e reafirmar a capacidade realizadora de Feira de Santana.
Proposta busca sintetizar tradição, modernidade e realização pública
Ao apresentar o Paço Maria Quitéria preservado, uma avenida estruturada, prédios modernos, praça arborizada, fonte luminosa e anfiteatro público, a imagem desenvolvida por Carlos Augusto propõe uma síntese entre memória, funcionalidade e ambição urbana. O conceito valoriza o passado, mas rejeita a ideia de que a preservação histórica deva impedir a modernização.
A mensagem é clara: Feira de Santana tem escala, história e força social para construir uma infraestrutura pública compatível com sua importância regional. A cidade não deve se contentar com soluções pequenas, provisórias ou desarticuladas. O poder público precisa expressar, em sua arquitetura, a grandeza do serviço que presta à população.
Nesse sentido, o conceito encaminhado ao prefeito José Ronaldo funciona como uma provocação qualificada: o futuro Centro Administrativo pode ser mais que uma obra administrativa. Pode tornar-se um marco urbano, institucional e simbólico, capaz de reorganizar serviços, revitalizar o Centro, preservar a memória e projetar uma imagem de cidade moderna, ordenada e confiante em sua própria capacidade de realização.
Visão de futuro antecede debate sobre o novo Centro Administrativo
Há cerca de duas décadas, quando o imóvel situado no entorno do Paço Municipal Maria Quitéria foi colocado à venda em leilão do Banco do Brasil, o jornalista Carlos Augusto, hoje também cientista social e editor do Jornal Grande Bahia, já havia sugerido ao prefeito José Ronaldo que a aquisição da área deveria ser considerada estratégica para o futuro do centro comercial de Feira de Santana e para a modernização da administração pública municipal. A proposta atual para o futuro Centro Administrativo de Feira de Santana, portanto, não surge como ideia isolada ou circunstancial, mas como desdobramento de uma percepção antiga: a de que a cidade precisava preservar seu núcleo histórico, reorganizar sua estrutura administrativa e abandonar soluções improvisadas que, ao longo do tempo, degradam a paisagem urbana, encarecem a gestão pública e enfraquecem a noção de realização institucional.
Essa leitura de cidade também se expressou em outras frentes acompanhadas pelo Jornal Grande Bahia ao longo de quase duas décadas. Carlos Augusto publicou reportagens e análises sobre falhas no planejamento urbano, mobilidade, meio ambiente e infraestrutura pública, incluindo questionamentos ao BRT de Feira de Santana, cuja licitação foi alvo de denúncia de vícios em 2015, além da cobertura sobre protestos contra a implantação do sistema e a crise do transporte coletivo. O portal também registrou a evolução da Avenida Noíde Cerqueira, com reportagens sobre obras, pavimentação, inauguração e consolidação da via como novo vetor de crescimento urbano.
No campo ambiental e urbano, o Jornal Grande Bahia (JGB) consolidou uma linha de cobertura crítica sobre problemas estruturais de Feira de Santana, com destaque para o Caso Máfia do Lixo, série de reportagens que abordou denúncias, decisões judiciais, atuação do Ministério Público e falhas relacionadas ao aterro sanitário operado pela Sustentare, incluindo registros de derramamento de chorume, suspeitas de contaminação ambiental e questionamentos sobre licenciamento e gestão dos resíduos sólidos no município. A cobertura também se estendeu ao eixo editorial Cidade Desconstruída, no qual o JGB documentou a degradação do espaço público, a ocupação irregular de calçadas, praças e áreas centrais, a precariedade da infraestrutura urbana e a ausência de políticas eficazes de ordenamento, compondo um retrato severo da deterioração ambiental, urbanística e institucional da cidade.
Nesse conjunto de intervenções jornalísticas e cívicas, aparecem temas recorrentes: a defesa de um hospital municipal, a implantação subterrânea de cabos de voz, dados e energia, a devolução das praças públicas à comunidade, a rearborização dos espaços urbanos, a crítica à expansão de condomínios em áreas remotas sem infraestrutura viária e de serviços, e a necessidade de uma rede de ciclovias integrada ao sistema de mobilidade. São pautas que revelam uma visão modernista e integral de cidade, formada por estudo, observação social, literatura urbanística e experiências em viagens no Brasil e no exterior.
Essa trajetória, muitas vezes solitária, sustenta a crítica central de Carlos Augusto: Feira de Santana não pode continuar aceitando puxadinhos, reformas desconexas e intervenções de baixa ambição, porque tais expedientes deprimem a ideia de realização pública e negam à sociedade feirense a infraestrutura compatível com sua história, sua escala econômica e sua capacidade de trabalho.








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