Nesta terça-feira (29/09/2026), mais de dez meses após a primeira fase ostensiva da Operação Compliance Zero, o caso envolvendo o antigo Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro, ultrapassou a investigação inicial sobre carteiras de crédito supostamente sem lastro e passou a abranger suspeitas de corrupção de agentes públicos, lavagem de dinheiro, vazamentos de informações sigilosas, interferência em investigações, aplicações de recursos previdenciários, relações com integrantes dos Poderes da República e possíveis falhas na fiscalização do mercado financeiro. A operação, iniciada a partir de apurações conduzidas desde 2024, já alcançou dez fases, enquanto novos procedimentos no Supremo Tribunal Federal (STF), na Polícia Federal (PF), na Procuradoria-Geral da República (PGR) e em outros órgãos mantêm aberta uma investigação de elevado impacto financeiro e institucional.
Investigação nasceu de suspeitas sobre carteiras de crédito e operações com o BRB
As investigações sobre o grupo financeiro avançaram a partir de suspeitas de fabricação ou negociação de carteiras de crédito sem lastro suficiente. Segundo a Polícia Federal, títulos teriam sido negociados com o Banco de Brasília (BRB) e, após questionamentos do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada. As apurações começaram em 2024, a pedido do Ministério Público Federal (MPF).
A primeira fase ostensiva da Compliance Zero ocorreu em 18/11/2025. Daniel Vorcaro esteve entre os presos, juntamente com executivos e pessoas relacionadas ao conglomerado. Na mesma etapa, a Justiça determinou o afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do então diretor financeiro da instituição, Dario Oswaldo Garcia.
Meses antes, o BRB havia tentado adquirir o Master por cerca de R$ 2 bilhões, operação rejeitada pelo Banco Central no início de setembro de 2025. Em novembro daquele ano, o BC decretou a liquidação extrajudicial de instituições pertencentes ao conglomerado, em meio ao aprofundamento da crise financeira e das investigações policiais.
O episódio adquiriu dimensão sistêmica pela exposição de investidores, instituições financeiras e mecanismos de proteção de depósitos. Até 18/05/2026, a Agência Brasil informava que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) havia desembolsado aproximadamente R$ 49,5 bilhões para ressarcimentos associados ao Grupo Master, Will Bank e Banco Pleno.
Seis primeiros meses produziram prisões, buscas e bloqueios bilionários
Ao completar seis meses em 18/05/2026, a Compliance Zero somava 21 prisões temporárias ou preventivas, 116 mandados de busca e apreensão e aproximadamente R$ 27,71 bilhões em bens e valores bloqueados ou sequestrados judicialmente. As diligências haviam alcançado Bahia, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal.
A segunda fase, em 14/01/2026, aprofundou suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Foram expedidos 42 mandados de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio superiores a R$ 5,7 bilhões.
Na terceira fase, em 04/03/2026, Vorcaro voltou a ser preso. A investigação passou a abranger suspeitas de intimidação e violência contra pessoas consideradas adversárias do grupo. Segundo a PF, mensagens apreendidas indicariam a existência de um núcleo informal chamado “A Turma”, investigado por possível atuação destinada a coagir desafetos, obter informações protegidas e interferir nas apurações. Essas imputações permanecem submetidas ao devido processo legal e não equivalem, isoladamente, a condenações.
Investigação chegou ao comando do BRB e a agentes políticos
A quarta fase, deflagrada em 16/04/2026, avançou sobre suspeitas de corrupção envolvendo o BRB. O ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro foram presos preventivamente. Segundo a investigação, Costa teria negociado o recebimento de R$ 146,5 milhões em vantagens indevidas, das quais pelo menos R$ 74 milhões teriam sido efetivamente pagas. O ex-dirigente negou as acusações.
A quinta fase, realizada em 07/05/2026, incluiu entre os alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI). A PF informou que apurava suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A Justiça autorizou bloqueios de R$ 18,85 milhões.
Uma das linhas da investigação relacionou interesses do Master a uma emenda apresentada por Nogueira em agosto de 2024 à PEC nº 65/2023, referente à autonomia do Banco Central. A proposta elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite ordinário da garantia do FGC. A investigação atribuiu a elaboração do texto a assessores ligados ao banco, hipótese que integra o conjunto probatório em apuração e não representa conclusão judicial definitiva sobre eventual responsabilidade do parlamentar.
Sexta fase avançou sobre suposta estrutura de intimidação e obtenção de dados
Em 14/05/2026, a sexta fase concentrou-se na estrutura que a Polícia Federal associou ao grupo denominado “A Turma”. A operação cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Entre os presos estava Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro.
A PF informou que investigava uma organização suspeita de praticar intimidação, coerção, obtenção indevida de informações sigilosas e invasão de dispositivos informáticos. Agentes e ex-agentes policiais também passaram a integrar as apurações.
Dois dias depois, em 16/05/2026, Victor Lima Sedlmaier, apontado como integrante do núcleo tecnológico investigado, foi preso em Dubai em ação conjunta da Polícia Federal, da Interpol e das autoridades dos Emirados Árabes Unidos.
Vazamentos dentro da própria PF tornaram-se objeto da sétima fase
Em 19/05/2026, a Compliance Zero chegou à sétima fase. Um perito criminal federal tornou-se alvo de buscas e foi afastado de suas funções por suspeita de vazamento de informações sigilosas relacionadas à investigação. As medidas foram autorizadas pelo STF.
Esse desdobramento ampliou a complexidade institucional do caso, porque as investigações passaram a examinar não apenas os crimes financeiros originalmente atribuídos ao núcleo empresarial, mas também possíveis acessos indevidos a dados mantidos por órgãos encarregados da própria persecução penal.
Documentos posteriormente divulgados indicaram que pessoas ligadas a Vorcaro teriam tido acesso a informações relacionadas ao MPF, a sistemas restritos da Polícia Federal e até à Interpol. O material integra relatório policial e permanece sujeito à análise jurídica sobre autoria, origem, contexto e eventual utilização criminosa dos dados.
RioPrevidência colocou recursos previdenciários no centro da apuração
A oitava fase, em 26/05/2026, levou a investigação ao RioPrevidência, responsável pelo regime previdenciário dos servidores públicos do Rio de Janeiro.
A PF passou a investigar aplicações de aproximadamente R$ 3,6 bilhões em Letras Financeiras e fundos associados ao Banco Master. O então ex-governador Cláudio Castro foi alvo de mandado de busca e apreensão. Segundo decisão judicial citada pela Agência Brasil, a investigação reuniu indícios de que Castro teria desempenhado papel politicamente relevante para viabilizar os aportes. A existência desses indícios não corresponde a uma conclusão definitiva de responsabilidade penal.
A dimensão previdenciária acrescentou um novo componente de interesse público ao caso: parte das apurações passou a atingir recursos associados ao pagamento de aposentadorias e benefícios de servidores estaduais.
Nona fase alcançou Jaques Wagner, que negou irregularidades
Em 18/06/2026, a Polícia Federal deflagrou a nona fase da operação, com 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.
Entre os alvos estava o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A investigação policial passou a examinar a hipótese de que Wagner teria recebido vantagem relacionada a um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões, imputação negada pelo senador.
Wagner afirmou estar tranquilo e ressaltou que não havia condenação ou definição judicial de culpa. Posteriormente, Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, apresentou manifestação ao STF contestando a interpretação de que o senador teria atuado no Congresso para favorecer o Banco Master. O episódio permanece submetido ao contraditório e à avaliação das provas.
Décima fase investigou ataques ao Banco Central e intimidação de jornalistas
Em 09/07/2026, a PF deflagrou a décima fase da Compliance Zero.
Segundo comunicado oficial, a ação passou a investigar indícios de atuação coordenada em redes sociais destinada, em tese, a comprometer a credibilidade do Banco Central do Brasil. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Brasília.
A PF informou também que apurava a possível atuação de organização criminosa dedicada à intimidação de jornalistas, ao monitoramento ilícito de pessoas relacionadas a autoridades, à obtenção indevida de informações sigilosas e a iniciativas destinadas a interferir em investigações criminais.
O empresário Thiago Miranda foi identificado como alvo dessa fase. Segundo a Agência Brasil, a PF investigava sua possível ligação com Vorcaro e eventual participação em ações de intimidação contra jornalistas e servidores do Banco Central. As suspeitas dependem de confirmação judicial.
Setembro leva crise ao STF, à Polícia Federal e à PGR
A partir de setembro, documentos extraídos do telefone celular de Daniel Vorcaro deslocaram parte do foco para relações mantidas pelo ex-banqueiro com integrantes de instituições públicas.
O ministro André Mendonça, relator original dos procedimentos, determinou à Polícia Federal a elaboração de relatório sobre referências encontradas a autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República Paulo Gonet e o então diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues. A presença de nomes, mensagens ou contatos nos materiais apreendidos, entretanto, não constitui por si só prova de irregularidade.
Em 03/09/2026, Alexandre de Moraes encaminhou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, documentos e relatórios que apontavam supostas irregularidades atribuídas à atuação de Mendonça na condução de procedimentos ligados ao Master e a outras investigações. A medida abriu uma controvérsia institucional paralela dentro da Corte.
Fachin assume papel central e STF suspende definição sobre Moraes
Em setembro, Edson Fachin passou a atuar diretamente nos procedimentos relacionados às controvérsias surgidas a partir dos documentos do caso.
Em 11/09/2026, Fachin determinou que fosse ampliada a publicidade dos documentos da Compliance Zero, após manifestação da PGR apontando que a divulgação apenas parcial do material poderia gerar dúvidas sobre a transparência das investigações.
Dois dias depois, a Polícia Federal informou oficialmente ao Supremo que o material original extraído do aparelho de Vorcaro permanecia integralmente sob sua custódia, lacrado e submetido a mecanismos de verificação de integridade. Segundo a PF, uma cópia dos dados havia sido encaminhada ao gabinete de Mendonça, enquanto o original nunca deixou as dependências da instituição.
Em 15/09/2026, o plenário do STF iniciou a análise da Petição 16.662, que envolve relatório policial relacionado a referências ao ministro Alexandre de Moraes. O julgamento, porém, foi interrompido após pedido de vista de Flávio Dino. O Supremo esclareceu expressamente que o mérito da petição não chegou a ser analisado.
A discussão concentrava-se naquele momento em uma questão de ordem sobre a possibilidade de julgamento conjunto das Petições 16.662 e 16.704.
Defesa de Vorcaro pede soltura enquanto processos aguardam definição
Em 18/09/2026, a defesa de Daniel Vorcaro pediu ao presidente do STF a revogação da prisão preventiva.
Os advogados argumentaram que os procedimentos relacionados à Compliance Zero teriam sido afetados pela suspensão do julgamento no plenário. A solicitação representa a posição da defesa e permanece sujeita à decisão judicial.
Em 25/09/2026, Fachin determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifestasse, no prazo de cinco dias, sobre medidas consideradas urgentes nos procedimentos do Master e em outras investigações anteriormente relatadas por Mendonça.
Entre os pedidos pendentes estavam solicitações de liberdade apresentadas por investigados. Até a atualização disponível, não havia prazo definido para a retomada do julgamento relacionado à possível investigação envolvendo Moraes.
Conselho do MPF mantém Gonet e rejeita abertura de investigação
Também em 25/09/2026, o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) analisou representação que questionava a atuação do procurador-geral Paulo Gonet no caso Master.
Por 9 votos a 0, o colegiado decidiu manter Gonet na condução dos procedimentos. Em votação distinta, por 5 votos a 4, rejeitou a abertura de investigação criminal contra o procurador-geral.
Gonet havia sido citado em conversas encontradas pela PF no celular de Vorcaro. Após a divulgação de registros e de uma fotografia em que ambos aparecem em evento jurídico realizado em Londres, o procurador-geral afirmou que sua interação com o ex-banqueiro foi breve e negou relação de proximidade.
A decisão administrativa do CSMPF encerrou, naquele colegiado, os pedidos específicos de afastamento e abertura do procedimento analisados em 25 de setembro, sem eliminar eventuais análises de outros elementos que possam surgir dentro dos processos judiciais em andamento.
CVM passa a integrar nova frente investigativa
Outro desdobramento ocorreu em 24/09/2026, quando o ministro Flávio Dino determinou que a Polícia Federal investigasse possíveis crimes e interferências indevidas na atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) relacionadas ao Banco Master.
A determinação decorreu de relatório produzido por grupo de trabalho da própria CVM, apresentado no âmbito da ADI 7.791, que identificou fragilidades estruturais da autarquia e problemas na apuração de denúncia relacionada à instituição financeira.
A medida amplia novamente o perímetro do caso: além das condutas atribuídas aos administradores do banco e aos agentes privados e públicos sob investigação, passa a existir uma linha formal destinada a verificar se mecanismos regulatórios e fiscalizatórios funcionaram adequadamente.
Caso alcança precatórios de R$ 4,7 bilhões
Em outro braço surgido a partir do conteúdo apreendido no celular de Vorcaro, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou em 23/09/2026 o cancelamento de precatórios relacionados a empresas do setor sucroalcooleiro que haviam negociado créditos com o Banco Master.
Os títulos totalizavam aproximadamente R$ 4,7 bilhões e estavam relacionados a decisões que haviam determinado depósitos antes do trânsito em julgado, segundo a decisão noticiada pela Agência Brasil.
A controvérsia também envolveu contrato de honorários de êxito que poderia alcançar cerca de R$ 427 milhões, vinculado a causas estimadas em aproximadamente R$ 8,5 bilhões. O escritório envolvido informou possuir contrato formal com o banco e negou ter recebido pagamentos a título de êxito ou pró-labore.
O episódio demonstra como elementos inicialmente obtidos em uma investigação bancária passaram a alimentar procedimentos envolvendo negócios jurídicos, fundos, precatórios e relações institucionais de natureza distinta.
CPI do Banco Master permanece sem instalação no Senado
No campo parlamentar, o caso também passou a provocar iniciativas de investigação no Congresso.
Em 23/09/2026, o ministro Cristiano Zanin, do STF, negou liminar destinada a obrigar o Senado a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Banco Master.
Zanin entendeu que, naquele momento processual, não estava comprovada omissão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, capaz de justificar uma ordem judicial imediata. O requerimento da CPI havia sido protocolado em 09/03/2026.
A decisão foi provisória e não corresponde a julgamento definitivo do mérito das questões relacionadas à comissão parlamentar.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 2024 — MPF solicita apuração das operações associadas ao Banco Master; PF começa a investigar suspeitas envolvendo carteiras de crédito e operações financeiras.
- Agosto de 2024 — Ciro Nogueira apresenta emenda à PEC 65/2023 propondo ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura ordinária do FGC; a origem e os interesses relacionados ao texto tornam-se posteriormente objeto de investigação.
- Setembro de 2025 — Banco Central rejeita tentativa do BRB de adquirir o Banco Master.
- 18/11/2025 — Primeira fase da Compliance Zero; Daniel Vorcaro e outros investigados são presos; BC liquida instituições do conglomerado Master.
- 14/01/2026 — Segunda fase cumpre 42 buscas e envolve bloqueio superior a R$ 5,7 bilhões.
- 04/03/2026 — Terceira fase prende novamente Vorcaro e amplia investigação sobre o grupo chamado “A Turma”.
- 16/04/2026 — Quarta fase prende o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e Daniel Monteiro; investigação apura suspeitas de corrupção.
- 07/05/2026 — Quinta fase atinge Ciro Nogueira e outros investigados; Justiça autoriza bloqueio de R$ 18,85 milhões.
- 14/05/2026 — Sexta fase prende Henrique Vorcaro e outros investigados ligados à apuração sobre intimidação, coerção e acesso indevido a informações.
- 18/05/2026 — Balanço dos seis primeiros meses registra 21 prisões, 116 buscas e aproximadamente R$ 27,71 bilhões bloqueados ou sequestrados.
- 19/05/2026 — Sétima fase investiga suposto vazamento de informações por integrante da própria Polícia Federal.
- 26/05/2026 — Oitava fase alcança aplicações da RioPrevidência e investiga aproximadamente R$ 3,6 bilhões relacionados ao Master.
- 18/06/2026 — Nona fase cumpre 18 buscas e inclui o senador Jaques Wagner entre os alvos; ele nega irregularidades.
- 09/07/2026 — Décima fase investiga possível atuação coordenada contra a credibilidade do Banco Central, intimidação de jornalistas e interferência em investigações.
- 01/09/2026 — Novos documentos relacionados ao celular de Vorcaro levam André Mendonça a solicitar relatório sobre referências a autoridades e ampliam a controvérsia institucional.
- 11 a 14/09/2026 — STF amplia a publicidade dos documentos relacionados ao caso; PF presta esclarecimentos sobre a cadeia de custódia dos dados digitais.
- 15/09/2026 — STF inicia análise da Petição 16.662, mas pedido de vista de Flávio Dino suspende o julgamento sem apreciação do mérito.
- 18/09/2026 — Defesa de Vorcaro pede a revogação da prisão preventiva.
- 23/09/2026 — CNJ determina cancelamento de R$ 4,7 bilhões em precatórios ligados a negócios envolvendo o Master; Zanin rejeita liminar para obrigar instalação imediata de CPI no Senado.
- 24/09/2026 — Flávio Dino determina investigação sobre possíveis crimes e interferências na atuação da CVM no caso Master.
- 25/09/2026 — Conselho Superior do MPF mantém Paulo Gonet no caso por 9 votos a 0 e rejeita, por 5 a 4, abertura de investigação contra o procurador-geral; Fachin também cobra manifestação da PGR sobre medidas urgentes pendentes.
A evolução da Operação Compliance Zero evidencia a transformação de uma investigação inicialmente concentrada em operações financeiras do Banco Master em um conjunto de procedimentos que alcança diferentes dimensões do Estado: sistema bancário, regulação do mercado de capitais, fundos previdenciários, agentes políticos, Polícia Federal, Ministério Público, Supremo Tribunal Federal e Conselho Nacional de Justiça. Essa ampliação, entretanto, exige distinguir rigorosamente a existência de mensagens, vínculos profissionais ou relações pessoais da comprovação de favorecimento, corrupção ou participação criminosa.
A dimensão financeira permanece central. Carteiras de crédito investigadas, exposição do BRB, pagamentos efetuados pelo FGC, aplicações previdenciárias e operações envolvendo precatórios mostram que eventuais falhas de controle podem produzir consequências que ultrapassam os acionistas e administradores das instituições envolvidas. Elas alcançam fundos públicos, investidores, mecanismos de garantia e a confiança na supervisão financeira.
Na esfera institucional, os acontecimentos de setembro acrescentaram uma questão adicional: a necessidade de assegurar cadeia de custódia, competência jurisdicional, acesso equilibrado às provas, contraditório e independência entre investigadores, Ministério Público e julgadores. A existência de disputas procedimentais dentro do STF não resolve o mérito das suspeitas encontradas nos materiais apreendidos, assim como referências a autoridades não demonstram automaticamente prática criminosa. A definição dessas questões dependerá da análise integral dos documentos e das decisões dos órgãos competentes.








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