Pretas por Salvador comentam sobre atuação na Câmara Municipal e criticam ataques xenofóbicos da direita e extrema-direita

Gleide Davis, Cleide Coutinho e Laina Crisóstomo, co-vereadoras do Mandato Coletivo Pretas Por Salvador.
Gleide Davis, Cleide Coutinho e Laina Crisóstomo, co-vereadoras do Mandato Coletivo Pretas Por Salvador.

Em nota enviada nesta sexta-feira (08/01/2021) ao Jornal Grande Bahia (JGB), o mandato coletivo ‘Pretas por Salvador’ comentou sobre os primeiros dias de atuação na Câmara Municipal e criticaram ataques xenofóbicos que vem sofrendo da direita e extrema-direita.

Confira nota ‘Pretas por Salvador sobre a sua atuação na Câmara Municipal’

Em 01 de janeiro de 2021, tomamos posse na Câmara Municipal de Salvador. A Mandata Pretas Por Salvador, do PSOL, é a primeira mandata coletiva na Bahia e assim foi reconhecida pelo Presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) Jatahy Júnior, que diplomou Laina Crisóstomo junto com Cleide Coutinho e Gleide Davis. Nossa particularidade de sermos uma representação plural, diversa, de três mulheres pretas, obviamente não foi bem recebida por setores conservadores, que já no primeiro dia iniciaram seus ataques contra nós.

A desqualificação de nossa atuação política vinda de setores da extrema-direita não é uma especificidade de Salvador, mas faz parte de um quadro nacional de perseguição à esquerda, às feministas, às lutas antirracistas e àquelas e àqueles que se colocaram contra os golpes sofridos por nossa frágil e incompleta democracia. Isto em um cenário dramático de crise sanitária em que a pandemia da Covid-19 já levou 200 mil vidas e a gestão desastrosa do governo federal deixou a população brasileira à própria sorte.

A crise econômica que vivemos é sem precedentes e a política ultraliberal bolsonarista aprofunda as desigualdades estruturais, piorando ainda mais as condições de vida das pessoas pobres, em sua maioria negras/os.

Neste grave contexto, o PSOL definiu, nacionalmente, como tática eleitoral e como orientação para a atuação do partido nas lutas sociais para o próximo período, a necessidade de uma unidade da oposição e da esquerda, ao lado dos movimentos sociais e da classe trabalhadora, que tem gênero e raça. Uma unidade que deve se construir na prática, urgente, em torno das demandas populares.

Seguindo esta compreensão, nós iniciamos um diálogo com aqueles/as que se identificam com pautas de centro-esquerda e de esquerda no espectro político-partidário da Câmara Municipal de Salvador. Desde dezembro, temos realizado reuniões periódicas com representações do PT, PCdoB e do PSB, com Maria Marighella, Marta Rodrigues, Luiz Carlos Suíca, Silvio Humberto, Augusto Vasconcelos e Hélio Ferreira. Com eles, esperamos formar, nos próximos quatro anos, uma bancada de oposição, que consiga fazer frente aos desafios dos tempos que nos encontramos. Esta construção implica, também, no reconhecimento da nossa mandata, além do fortalecimento dos nossos projetos políticos na Câmara Municipal.

Temos recebido um apoio da bancada de oposição que nos é primordial, no que diz respeito ao nosso direito à fala e ocupação deste espaço. O que demonstra que, mesmo diante das divergências próprias das siglas que integramos, dos espaços que ocupamos, tanto no município quanto no estado da Bahia, e das nossas trajetórias de vida e locais de atuação política, é extremamente necessário que busquemos emplacar um esforço inédito do campo de esquerda e das/os progressistas, para que possamos enfrentar as forças bolsonaristas e conservadoras que hoje dirigem o país.

Sabemos também que somos a mandata mais visada para ataques: somos três mulheres negras, feministas, socialistas, candomblecistas e evangélica. É a primeira vez que o PSOL tem uma mandata na Câmara Municipal e os racistas e machistas não aceitarão nossa posição de destaque. Vão querer difamar e distorcer nossa atuação. Vão querer nos calar. Mas nós não nos calaremos.

Entendemos que nossa representação do PSOL tem capacidade, capilaridade e força política para apresentar seus posicionamentos e disputá-los dentro da Câmara Municipal de Salvador e na sociedade. Para isso, contamos com o conjunto do partido, o apoio de nossa militância e dos movimentos sociais, em permanente diálogo e reflexão em todas as suas instâncias. Estes espaços são fundamentais. As construções devem ser coletivas.

Começamos nossa mandata nos abstendo na eleição para a Presidência da Câmara – a única abstenção – demonstrando nossa independência, senso crítico e responsabilidade política. Os próximos quatro anos serão de muitos enfrentamentos. Resistiremos aos ataques e  certamente também avançaremos, pautando propostas que efetivamente possam mudar a vida das/os trabalhadores, das mulheres, negros e negras e LGBTQIA+.

Laina Crisóstomo

Cleide Coutinho

Gleide Davis

Co-vereadoras do Mandato Coletivo Pretas Por Salvador

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Sobre Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia 10942 artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB), além de atuar como venerável mestre da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Maçônica ∴ Cavaleiros de York.