Acordo Mercosul-Japão representa direcionamento ‘quase inevitável’ à Ásia, dizem analistas

As negociações entre o Mercosul e o Japão por um acordo comercial representam uma “tendência quase inevitável” em relação à Ásia, afirmam analistas ouvidos pela Sputnik Brasil. Embora muito se fale do acordo entre os blocos econômicos do Mercosul e da União Europeia, uma outra parceria vem sendo costurada pelo bloco sul-americano — que pode ser ainda melhor para todos os países envolvidos: o acordo Mercosul-Japão.

Os benefícios dessa parceria foram investigados no Mundioka, podcast da Sputnik Brasil apresentado pelos jornalistas Melina Saad e Marcelo Castilho. Os países do Mercosul têm um volume de comércio muito grande com a Ásia. Dados de 2022 apontam que 49% das exportações do bloco vão na direção dos países orientais, sendo a China o principal destino das remessas, enquanto o Japão ocupa o nono lugar. “No mesmo ano, 44% das importações do Mercosul vieram da Ásia, com o Japão ocupando o sétimo lugar.”

Esses dados revelam como há espaço para crescimento bilateral entre os países. Ambas as nações têm economias bastante complementares. O Japão é uma economia complexa que tem muita tecnologia e capacidade de investimento, enquanto o Mercosul tem economias orientadas para a exportação de produtos primários, como agricultura e minerais.

Nesse sentido, a abertura comercial do Japão ao Mercosul representa “um mercado inédito para produtos como milho, soja e frango”, disse Agulló. No caso do Brasil, há oportunidades em uma grande variedade de setores, desde os mais tradicionais do agronegócio até o minério de ferro, as frutas tropicais e o suco de laranja brasileiro.

Com o acordo, o país do sol nascente pode se tornar um investidor ainda maior na industrialização brasileira. Um documento produzido em 2023 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Federação Empresarial do Japão destaca áreas de interesse especial, como descarbonização da economia e transformação digital.

Por outro lado, o Japão implementa bastante tecnologia de ponta em seu setor agrícola, o que pode ser compartilhado com o Brasil, como tecnologias de agricultura de precisão e gestão de recursos hídricos.

Nos últimos 20 anos, a China se tornou a maior parceira comercial para vários países da América do Sul, representando uma queda da presença norte-americana na região. Assim, um acordo com o Japão confirmaria a virada política da América do Sul para a Ásia e contribuiria para a diversificação econômica da região.

O acordo comercial com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) também ajudará a diversificar a economia dos países da América do Sul. Atualmente, a China pode ser a principal parceira comercial dos países da região, mas a ASEAN vem logo em seguida. Com a ASEAN, a complementaridade da economia não é tão grande quanto a do Japão, mas “há potencial” em diversos setores.

*Com informações da Sputnik News.


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